Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728402
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Neonatologia
Recém-nascido de 31 semanas, 1.180 g, PIG, com 6 horas de vida apresenta: temperatura 36,0 °C, glicemia 32 mg/dl e dificuldade de sucção. Qual é a conduta mais adequada nesse caso?
AIniciar aleitamento direto ao seio imediatamente e reavaliar glicemia após 2 horas.
BRealizar glicose EV em bolus, monitorar temperatura e postergar alimentação por 24h.
CEvitar glicose EV por risco de flutuações glicêmicas e ofertar fórmula em volume padrão.
DAquecer o RN, corrigir a hipoglicemia com glicose EV e iniciar dieta mínima trófica conforme tolerância.
EManter jejum por 12-24h devido ao risco aumentado de NEC em SGA.
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GabaritoD — Aquecer o RN, corrigir a hipoglicemia com glicose EV e iniciar dieta mínima trófica conforme tolerância.
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Hipoglicemia neonatal e conduta no recém-nascido pré-termo PIG
Gabarito: letra D. O recém-nascido pré-termo de 31 semanas, PIG, com hipoglicemia (32 mg/dl) e hipotermia (36,0 °C) exige, na ordem: aquecimento, correção da hipoglicemia com glicose EV e início de dieta mínima trófica conforme tolerância — conduta que reúne as três prioridades simultâneas. A alternativa D é a única que contempla integralmente essa tríade terapêutica, alinhada às diretrizes de neonatologia para o manejo do RN de risco.
A hipoglicemia neonatal é definida como glicemia < 40 mg/dL nas primeiras 24 horas de vida (ou < 45 mg/dL após 24h, conforme algumas diretrizes). No recém-nascido pré-termo e PIG, a hipoglicemia é especialmente comum e perigosa, pois há reservas reduzidas de glicogênio hepático e deficiência de gliconeogênese, além de maior consumo cerebral de glicose. O valor de 32 mg/dL está bem abaixo do limiar de segurança, exigindo correção imediata por via endovenosa — não se deve aguardar a via oral em um RN com dificuldade de sucção e instabilidade térmica.
A hipotermia (36,0 °C) é um agravante crítico: o RN hipotérmico consome ainda mais glicose para gerar calor (termogênese química), piorando a hipoglicemia. Por isso, o aquecimento é o primeiro passo — sem ele, a correção glicêmica é ineficaz e o risco de dano neurológico aumenta. A dieta mínima trófica (também chamada de nutrição trófica ou alimentação de baixo volume, geralmente 10–20 mL/kg/dia) é indicada para estimular a maturação intestinal e reduzir o risco de enterocolite necrosante (NEC), desde que o RN esteja hemodinamicamente estável — o que não é o caso aqui, pois há hipotermia e hipoglicemia sintomática (dificuldade de sucção). Portanto, a dieta trófica deve ser iniciada após a estabilização inicial, conforme tolerância.
A alternativa E (manter jejum por 12–24h) é um erro grave: o jejum prolongado em RN de risco aumenta o risco de hipoglicemia grave e de NEC, pois a ausência de estímulo enteral prejudica a barreira intestinal. A alternativa A (aleitamento direto ao seio imediato) é inadequada porque o RN tem dificuldade de sucção e hipoglicemia sintomática — a via oral não é segura nem eficaz nesse momento. A alternativa B (glicose EV em bolus e postergar alimentação por 24h) erra ao postergar a dieta — a alimentação deve ser iniciada o quanto antes, mesmo que trófica. A alternativa C (evitar glicose EV por risco de flutuações) é contrária à conduta: a glicose EV é necessária para correção rápida, e o risco de flutuações é manejado com infusão contínua e monitorização, não com a omissão do tratamento.
A pegadinha desta questão está em confundir a conduta do RN estável (que pode ser alimentado por via oral) com a do RN instável (que exige via EV). O enunciado traz sinais claros de instabilidade — hipotermia, hipoglicemia sintomática e dificuldade de sucção — que tornam obrigatória a via endovenosa para glicose e o aquecimento antes de qualquer oferta enteral. Guarde a sequência: aquecer → corrigir glicemia → iniciar dieta trófica conforme tolerância.
1Aquecer
2Corrigir glicemia (glicose EV)
3Dieta mínima trófica conforme tolerância
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar aleitamento direto ao seio imediatamente é inadequado porque o RN apresenta dificuldade de sucção e hipoglicemia sintomática — a via oral não é segura nem eficaz para corrigir rapidamente a glicemia. Além disso, o RN está hipotérmico, o que contraindica a exposição ao seio antes do aquecimento. A conduta correta é a correção EV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A glicose EV em bolus é parte da conduta, mas postergar a alimentação por 24h é um erro: o jejum prolongado aumenta o risco de hipoglicemia recorrente e de NEC. A dieta deve ser iniciada precocemente, mesmo que trófica, após a estabilização inicial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Evitar glicose EV por risco de flutuações glicêmicas é contrário à conduta: a hipoglicemia grave (32 mg/dl) exige correção imediata por via EV. O risco de flutuações é manejado com infusão contínua e monitorização frequente, não com a omissão do tratamento. Além disso, ofertar fórmula em volume padrão não é adequado para um RN com dificuldade de sucção e instabilidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne as três prioridades: aquecer o RN (corrige a hipotermia, que agrava a hipoglicemia), corrigir a hipoglicemia com glicose EV (tratamento imediato da glicemia de 32 mg/dl) e iniciar dieta mínima trófica conforme tolerância (estimula o intestino e reduz o risco de NEC, após estabilização). É a conduta completa e sequencialmente correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter jejum por 12–24h é um erro grave: o jejum prolongado aumenta o risco de hipoglicemia grave e de NEC, pois a ausência de estímulo enteral prejudica a barreira intestinal e a maturação do trato gastrointestinal. A dieta trófica precoce é recomendada, não o jejum.