Questão de Medicina — Médico da Família — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Médico da Família
Código
qg728411
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nutrologia
Paciente pós-bariátrica com histórico de alcoolismo dá entrada no PS com confusão mental, ataxia e nistagmo. Qual é a conduta adequada a ser adotada nesse caso?
AAdministração de glicose EV.
BAdministração de glicose EV seguida de tiamina via oral.
CAdministração de glicose EV seguida de tiamina EV.
DAdministração de tiamina EV seguida de glicose EV.
EAdministração de tiamina em soro glicosado 5% EV.
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GabaritoD — Administração de tiamina EV seguida de glicose EV.
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Encefalopatia de Wernicke: tiamina antes da glicose
Gabarito: letra D. Em paciente etilista com confusão mental, ataxia e nistagmo, o diagnóstico é de encefalopatia de Wernicke, e a conduta correta é administrar tiamina EV antes da glicose EV — pois a glicose consumiria os estoques já deficientes de tiamina, precipitando ou agravando o quadro. A regra é clássica em emergências: em todo paciente com risco de deficiência de tiamina (etilista, desnutrido), a glicose hipertônica só deve ser infundida após a reposição de tiamina.
A encefalopatia de Wernicke é uma emergência neurológica causada pela deficiência de vitamina B1 (tiamina), que atua como cofator essencial no metabolismo da glicose. No etilista crônico, a deficiência é comum por má absorção e dieta inadequada. A tríade clássica — confusão mental, ataxia e alterações oculomotoras (nistagmo, oftalmoplegia) — está presente em apenas cerca de 16% dos casos, mas a suspeita clínica deve ser imediata diante de qualquer paciente de risco com rebaixamento do nível de consciência. Se não tratada, a síndrome leva à morte em até 20% dos casos ou evolui para a síndrome de Korsakoff, com amnésia anterógrada e retrógrada irreversível.
O mecanismo da precipitação é o ponto central: a glicose é metabolizada por vias que dependem da tiamina como cofator (como a via das pentoses-fosfato). Ao administrar glicose em um paciente com deficiência de tiamina, o metabolismo da glicose consome os últimos estoques da vitamina, agravando o déficit e precipitando ou piorando a encefalopatia. Por isso, a sequência correta é tiamina primeiro, glicose depois — e a tiamina deve ser dada por via parenteral (EV ou IM), nunca apenas por via oral, pois a absorção oral é errática e insuficiente na urgência.
Na prática, diante de um paciente com alteração do nível de consciência, a primeira medida é checar a glicemia capilar. Se houver hipoglicemia grave, administra-se glicose hipertônica EV — mas sempre precedida de tiamina em pacientes de risco (etilistas, desnutridos, pós-bariátricos). A dose inicial de tiamina na suspeita de Wernicke é de 100 mg EV ou IM, seguida de glicose se necessário. O tratamento hospitalar posterior usa altas doses parenterais (500 mg EV 3×/dia por 3 dias, depois 150 mg EV/IM por mais 3 a 5 dias).
A pegadinha da banca está na ordem e na via: as alternativas que colocam glicose antes da tiamina (A, B, C) estão erradas, e a que usa tiamina oral (B) também erra, pois na urgência a via oral não é adequada. A alternativa E, que mistura tiamina com soro glicosado, também é incorreta — a tiamina deve ser administrada antes, e não junto com a glicose. Guarde a sequência: tiamina EV → glicose EV.
1Suspeita clínica (tríade)
2Tiamina EV (antes)
3Glicose EV (depois)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Administrar apenas glicose EV, sem tiamina, é o erro clássico: em paciente com deficiência de tiamina, a glicose precipita ou agrava a encefalopatia de Wernicke. A glicose só deve ser dada após a reposição de tiamina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra duplamente: coloca a glicose antes da tiamina e usa tiamina por via oral. Na urgência, a tiamina deve ser parenteral (EV ou IM), pois a absorção oral é lenta e imprevisível — e a glicose nunca deve preceder a tiamina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A via da tiamina está correta (EV), mas a ordem está invertida: glicose antes da tiamina. É exatamente essa sequência que precipita a encefalopatia de Wernicke.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta: tiamina EV primeiro, glicose EV depois. A tiamina parenteral repõe o cofator deficiente antes que a glicose consuma os estoques restantes, prevenindo a precipitação da encefalopatia de Wernicke. É a sequência obrigatória em etilistas ou desnutridos com hipoglicemia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Administrar tiamina em soro glicosado 5% EV mistura as duas coisas e não respeita a sequência: a tiamina deve ser dada antes da glicose, não simultaneamente. Além disso, na suspeita de Wernicke, a dose e a via devem ser adequadas à urgência (tiamina EV em bolus, não diluída em glicose).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da ordem — o candidato que sabe que precisa de glicose na hipoglicemia marca a alternativa C (glicose + tiamina EV), mas esquece que a tiamina deve vir antes. A regra de ouro: em etilista/desnutrido, tiamina sempre antes da glicose.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver "confusão mental + ataxia + nistagmo" em etilista, pense imediatamente em Wernicke e lembre da sequência T-A-G (Tiamina → Antes → Glicose). Se a alternativa colocar glicose antes de tiamina, está errada — independentemente da via.
Gabarito: letra D — tiamina EV seguida de glicose EV.