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Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDistúrbios Nutricionais
Código
qg728435
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nutrologia
A obesidade é um fator de risco que motiva o indivíduo a fazer “dieta”. Na pessoa obesa, o desejo de emagrecer aumenta a vulnerabilidade ao desenvolvimento de algum transtorno alimentar. A respeito do exposto, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. APacientes com AN (anorexia nervosa), subtipo restritivo, apresentam traços de ansiedade, perfeição, obsessão, inibição e excessiva submissão.
  2. BNa BN (bulimia nervosa), a depressão precede o distúrbio, mas também pode ser secundária à subnutrição.
  3. COs TCA são as chamadas “síndromes associadas à cultura” (culture bound syndromes), em que a “magreza” é valorizada.
  4. DO abuso sexual, por exemplo, está mais associado à BN do que à AN.
  5. EAs experiências ou os eventos interpessoais traumáticos aumentam a vulnerabilidade para TCA e anorexia nervosa, e não a alteram para bulimia nervosa.
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GabaritoE — As experiências ou os eventos interpessoais traumáticos aumentam a vulnerabilidade para TCA e anorexia nervosa, e não a alteram para bulimia nervosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtornos alimentares: fatores de risco e vulnerabilidade

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que experiências ou eventos interpessoais traumáticos aumentam a vulnerabilidade para transtornos alimentares e anorexia nervosa, mas "não a alteram para bulimia nervosa". Na verdade, traumas e eventos interpessoais adversos são fatores de risco reconhecidos para todos os transtornos alimentares, incluindo a bulimia nervosa — a literatura e os critérios diagnósticos atuais (DSM-5) apontam a associação de abuso físico, sexual e emocional com o desenvolvimento de AN, BN e transtorno de compulsão alimentar periódica.

O enunciado parte de um ponto correto: a obesidade, ao motivar dietas restritivas, aumenta a vulnerabilidade para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Isso ocorre porque a restrição alimentar rígida é um dos principais gatilhos para episódios de compulsão e para o desenvolvimento de preocupação excessiva com peso e forma corporal. Os transtornos alimentares (TCA) são perturbações graves do comportamento alimentar, caracterizadas por alterações na imagem corporal e por consequências físicas e psicossociais significativas. Os principais são a anorexia nervosa (AN), a bulimia nervosa (BN) e o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP).

A etiologia dos transtornos alimentares é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, biológicos, psicológicos, familiares e socioculturais. Entre os fatores de risco psicossociais, destacam-se: história de obesidade na infância, preocupações familiares com peso, conflitos familiares, psicopatologia parental, abuso sexual ou físico, problemas de conduta, uso de drogas e distorção da imagem corporal. Esses fatores são comuns aos diferentes tipos de transtorno alimentar, embora com pesos relativos distintos. Por exemplo, o abuso sexual é mais frequentemente associado à bulimia nervosa do que à anorexia nervosa, mas isso não significa que a BN não seja influenciada por traumas — pelo contrário, a associação é robusta.

A alternativa E comete um erro de generalização: ela sugere que traumas aumentam a vulnerabilidade para AN, mas não para BN. Isso contraria a evidência científica. Estudos mostram que experiências traumáticas, especialmente abuso sexual na infância, são fatores de risco significativos para o desenvolvimento de bulimia nervosa. A literatura psiquiátrica é consistente ao apontar que eventos adversos na infância aumentam o risco de uma ampla gama de transtornos mentais, incluindo todos os transtornos alimentares. Portanto, a afirmação de que a vulnerabilidade "não se altera" para a bulimia é incorreta.

A banca explora aqui a confusão entre dois pontos: (1) a associação mais forte do abuso sexual com a BN (que é verdadeira e aparece na alternativa D) e (2) a ideia equivocada de que, por isso, traumas não afetariam a BN. Na verdade, a BN é um dos transtornos alimentares mais fortemente associados a traumas e eventos adversos. O que a literatura mostra é que o abuso sexual é um fator de risco mais específico para a BN do que para a AN, mas ambos os transtornos são influenciados por experiências traumáticas. A alternativa E inverte essa lógica, afirmando que a BN não seria influenciada por traumas, o que é falso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação correta entre abuso sexual e bulimia (alternativa D) para induzir o candidato a aceitar, na alternativa E, que traumas não influenciam a BN. O erro está na palavra "não a alteram": a literatura mostra que traumas aumentam a vulnerabilidade para todos os TCA, inclusive a bulimia. A alternativa D está correta porque o abuso sexual é mais associado à BN do que à AN — mas isso não exclui a BN da influência de traumas.

Fatores de risco para TCA
  • 1Genéticos, biológicos, psicológicos
  • 2Familiares e socioculturais
  • 3Eventos interpessoais traumáticos
    • Aumentam vulnerabilidade para AN
    • Aumentam vulnerabilidade para BN
    • Aumentam vulnerabilidade para TCAP
  • 4Abuso sexual
    • Mais associado à BN
    • Também influencia AN
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Alternativa A — ✅ Correta

A descrição do subtipo restritivo da anorexia nervosa está correta. Pacientes com AN restritiva frequentemente apresentam traços de personalidade como ansiedade, perfeccionismo, obsessividade, inibição e submissão excessiva. Esses traços são descritos na literatura como características típicas do perfil psicológico desses pacientes, que tendem a ser rígidos, controladores e com baixa tolerância a incertezas. O perfeccionismo, em particular, é um traço nuclear da AN restritiva, associado à busca por controle extremo da alimentação e do peso.

Alternativa B — ✅ Correta

Na bulimia nervosa, a depressão frequentemente precede o início do transtorno, mas também pode ser secundária à subnutrição e aos episódios de compulsão e purgação. A relação entre depressão e BN é bidirecional: a depressão pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da BN, e a BN, por sua vez, pode levar a sintomas depressivos devido ao sofrimento causado pelos episódios de compulsão e pelas consequências físicas e psicossociais. A alternativa está correta ao afirmar que a depressão pode preceder o distúrbio ou ser secundária a ele.

Alternativa C — ✅ Correta

Os transtornos alimentares são considerados "síndromes associadas à cultura" (culture bound syndromes) porque a valorização da magreza é um fenômeno cultural, especialmente presente em sociedades ocidentais. A pressão social e midiática por um corpo magro é um fator que contribui para o desenvolvimento de TCA em indivíduos vulneráveis. A alternativa está correta ao afirmar que os TCA são influenciados por valores culturais que valorizam a magreza.

Alternativa D — ✅ Correta

O abuso sexual é mais frequentemente associado à bulimia nervosa do que à anorexia nervosa. Estudos mostram que mulheres com história de abuso sexual têm maior risco de desenvolver BN, enquanto a associação com AN é menos consistente. Essa diferença pode estar relacionada a mecanismos psicológicos distintos: na BN, o abuso pode contribuir para a impulsividade e a dificuldade de regulação emocional, enquanto na AN restritiva, o controle alimentar pode ser uma forma de lidar com a falta de controle percebida. A alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que experiências ou eventos interpessoais traumáticos aumentam a vulnerabilidade para TCA e anorexia nervosa, mas "não a alteram para bulimia nervosa". Isso é falso. Traumas e eventos adversos são fatores de risco para todos os transtornos alimentares, incluindo a bulimia nervosa. A literatura mostra que o abuso sexual, físico e emocional aumenta o risco de desenvolvimento de BN, assim como de AN e TCAP. O erro está na exclusão da bulimia da influência de traumas, o que contraria a evidência científica. A alternativa D, que afirma que o abuso sexual é mais associado à BN do que à AN, não contradiz a E — mas a E vai além e nega qualquer influência de traumas na BN, o que é incorreto.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois afirma que traumas não alteram a vulnerabilidade para bulimia nervosa, contrariando a literatura que os reconhece como fator de risco para todos os transtornos alimentares.

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