Questão de Medicina — Obesidade e Síndrome Metabólica — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Obesidade e Síndrome Metabólica
Código
qg728439
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Nutrologia
Paciente feminina de 58 anos, apresenta ansiedade, apneia do sono (IAH = 32 eventos/hora) e diabetes tipo 2 (HbA1C: 9%), estando em uso de hipoglicemiantes orais. Peso: 90kg, altura 1.64m, em acompanhamento clínico há 24 meses, com baixa resposta clínica. Nesse caso,
Adeve-se optar pela terapia cirúrgica, tendo em vista que a paciente tem obesidade grau II e comorbidades associadas.
Bcomo a terapia cirúrgica não é indicada para esse perfil de paciente, deve-se modificar o tratamento clínico, optando pelos inibidores de receptor de GLP-1.
Ca paciente não possui indicação cirúrgica devido à apneia do sono moderada e à falta de controle do diabetes tipo 2 mesmo em uso de hipoglicemiantes orais.
Ddeve-se considerar a modificação do tratamento clínico do diabetes tipo 2 e também a terapia cirúrgica, se manutenção da baixa resposta.
Ea paciente precisa ganhar peso para ter indicação cirúrgica e usar medicação antiobesidade, como fluoxetina.
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GabaritoD — deve-se considerar a modificação do tratamento clínico do diabetes tipo 2 e também a terapia cirúrgica, se manutenção da baixa resposta.
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Obesidade, Síndrome Metabólica e Cirurgia Bariátrica
Gabarito: letra D. A paciente tem obesidade grau II (IMC ≈ 33,5 kg/m²) com comorbidades (apneia do sono, DM2 descompensado), e a conduta correta é otimizar o tratamento clínico do diabetes e, se mantida a baixa resposta, considerar a terapia cirúrgica — exatamente o que a alternativa D afirma. A cirurgia bariátrica é indicada para IMC ≥ 32,5 kg/m² com comorbidades graves, e a apneia do sono e o DM2 não controlado são comorbidades que reforçam a indicação, não a excluem.
A obesidade é uma doença crônica definida pelo IMC (peso/altura²), e sua classificação em graus orienta a conduta terapêutica. O cálculo do IMC da paciente é: 90 kg / (1,64 m)² = 90 / 2,6896 ≈ 33,5 kg/m². Isso a classifica como obesidade grau II (IMC entre 35 e 39,9 kg/m²? Não — grau II é entre 35 e 39,9; grau I é entre 30 e 34,9). Portanto, a paciente tem obesidade grau I (IMC 30–34,9 kg/m²), não grau II. Essa distinção é crucial: a alternativa A erra ao afirmar que ela tem obesidade grau II.
A indicação de cirurgia bariátrica no Brasil segue os critérios do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Ministério da Saúde. Para pacientes com IMC entre 30 e 34,9 kg/m², a cirurgia pode ser considerada se houver comorbidades graves como diabetes tipo 2, apneia obstrutiva do sono, hipertensão refratária, dislipidemia, entre outras, desde que o tratamento clínico supervisionado por 24 meses não tenha obtido sucesso. A paciente está em acompanhamento há 24 meses com baixa resposta clínica, tem DM2 com HbA1c de 9% (descontrolado) e apneia do sono moderada (IAH = 32 eventos/hora). Essas comorbidades, associadas à falha do tratamento clínico, tornam a cirurgia uma opção válida.
A alternativa D é a mais completa e correta porque reconhece a necessidade de modificar o tratamento clínico do diabetes (já que a HbA1c está em 9%, indicando necessidade de intensificação, possivelmente com insulina ou outros agentes) e também considerar a terapia cirúrgica se a baixa resposta persistir. Isso está alinhado com as diretrizes atuais, que recomendam uma abordagem escalonada: otimizar o tratamento clínico e, se não houver resposta adequada, avaliar a cirurgia.
A alternativa B erra ao afirmar que a cirurgia não é indicada para esse perfil. Na verdade, a paciente tem indicação potencial, pois tem comorbidades graves e falha do tratamento clínico. A alternativa C erra ao dizer que a apneia do sono e o DM2 descontrolado contraindicam a cirurgia — na verdade, são comorbidades que reforçam a indicação. A alternativa E é absurda: a paciente não precisa ganhar peso (ela já tem obesidade) e fluoxetina não é medicação antiobesidade de primeira linha (é um antidepressivo, não aprovado para perda de peso).
A pegadinha central desta questão é a classificação do grau de obesidade. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a paciente tem obesidade grau II (o que justificaria a cirurgia de imediato), mas o IMC calculado é 33,5 kg/m², que é obesidade grau I. No entanto, mesmo com obesidade grau I, a presença de comorbidades graves e a falha do tratamento clínico por 24 meses permitem considerar a cirurgia. A alternativa D captura essa nuance: não afirma que a cirurgia é indicada de imediato, mas que deve ser considerada se a baixa resposta persistir após modificação do tratamento clínico.
Cirurgia bariátrica: Critérios de indicação (IMC ≥ 40 (sem comorbidades), IMC ≥ 35 (com comorbidades), IMC ≥ 32,5 (com comorbidades graves)); Comorbidades que reforçam (DM2 descompensado, Apneia do sono, Hipertensão refratária); Requisito (Falha do tratamento clínico (24 meses)); Conduta escalonada (Otimizar tratamento clínico, Se baixa resposta → considerar cirurgia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a paciente tem obesidade grau II. O IMC calculado é 33,5 kg/m², o que a classifica como obesidade grau I (IMC 30–34,9 kg/m²). Além disso, a alternativa sugere que a cirurgia é a opção imediata, mas a conduta correta é primeiro otimizar o tratamento clínico e, se persistir a baixa resposta, considerar a cirurgia. A cirurgia não é a primeira escolha, mesmo com comorbidades.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a cirurgia não é indicada para esse perfil, o que é falso. A paciente tem comorbidades graves (DM2 descompensado, apneia do sono) e falha do tratamento clínico por 24 meses, o que pode indicar cirurgia. A alternativa também sugere apenas modificar o tratamento clínico com inibidores de GLP-1, mas ignora a possibilidade cirúrgica, que é uma opção válida nesse cenário. A conduta correta é considerar ambas as abordagens.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a apneia do sono moderada e o DM2 descontrolado contraindicam a cirurgia. Na verdade, essas comorbidades são indicações para a cirurgia, pois são condições graves associadas à obesidade que melhoram significativamente após a perda de peso cirúrgica. A presença de comorbidades é um dos critérios que favorecem a indicação cirúrgica, não a excluem.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta mais adequada. A paciente tem obesidade grau I com comorbidades graves (DM2 com HbA1c 9%, apneia do sono) e falha do tratamento clínico por 24 meses. A conduta correta é modificar o tratamento clínico do diabetes (intensificar com insulina ou outros agentes, pois a HbA1c está alta) e considerar a cirurgia bariátrica se a baixa resposta persistir. Isso está alinhado com as diretrizes, que recomendam otimizar o tratamento clínico e, se não houver resposta, avaliar a cirurgia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Absurda em vários pontos: a paciente não precisa ganhar peso — ela já tem obesidade (IMC 33,5). Além disso, fluoxetina não é medicação antiobesidade; é um antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de serotonina, que não é aprovado para tratamento de obesidade. Medicações antiobesidade incluem orlistate, liraglutida, semaglutida, entre outras, mas não fluoxetina. A alternativa demonstra desconhecimento básico sobre o tratamento da obesidade.
Gabarito: letra D — a conduta correta é modificar o tratamento clínico do diabetes e considerar a cirurgia bariátrica se a baixa resposta persistir.