Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg728462
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
De acordo com as evidências atuais sobre reabilitação oncológica multidisciplinar ambulatorial, assinale a alternativa correta.
AProgramas multidisciplinares ambulatoriais melhoram de forma homogênea todos os domínios de qualidade de vida.
BA reabilitação multidisciplinar ambulatorial melhora principalmente capacidade física e bemestar psicossocial.
CProgramas multidisciplinares são menos eficazes que abordagens monodisciplinares focadas.
DNão há evidência consistente de impacto da reabilitação multidisciplinar sobre desfechos psicossociais.
EA reabilitação oncológica deve ser restrita a pacientes em fase avançada da doença.
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GabaritoB — A reabilitação multidisciplinar ambulatorial melhora principalmente capacidade física e bemestar psicossocial.
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Gabarito: letra B. As evidências atuais mostram que a reabilitação oncológica multidisciplinar ambulatorial melhora principalmente a capacidade física e o bem-estar psicossocial dos pacientes, sendo esses os domínios com maior impacto demonstrado. As demais alternativas distorcem o conhecimento consolidado: os benefícios não são homogêneos em todos os domínios, a abordagem multidisciplinar é superior à monodisciplinar, há evidência consistente de impacto psicossocial e a reabilitação não se restringe a pacientes em fase avançada.
A reabilitação oncológica é um campo que integra diferentes profissionais — fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros e médicos — com o objetivo de otimizar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente ao longo de todo o continuum do cuidado oncológico. Diferentemente do que se pensava há algumas décadas, a reabilitação não é um recurso exclusivo para o fim de vida ou para pacientes em estágios terminais; ela deve ser oferecida desde o diagnóstico, durante o tratamento ativo (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia) e também na fase de sobrevivência, quando o paciente enfrenta sequelas tardias do tratamento.
O que a literatura demonstra de forma consistente é que programas multidisciplinares ambulatoriais produzem ganhos significativos em dois grandes eixos: a capacidade física (força muscular, resistência, mobilidade, capacidade aeróbica, controle da fadiga) e o bem-estar psicossocial (redução de ansiedade e depressão, melhora da autoestima, do enfrentamento da doença e da qualidade de vida relacionada à saúde). Esses dois domínios são os que respondem de maneira mais robusta à intervenção estruturada e coordenada de uma equipe multiprofissional.
Um exemplo prático: um paciente em quimioterapia para câncer de mama frequentemente apresenta fadiga, redução da força muscular e sintomas ansiosos. Um programa ambulatorial que combine exercício físico supervisionado por fisioterapeuta, acompanhamento psicológico e orientação nutricional tende a melhorar tanto a capacidade de realizar atividades da vida diária quanto o humor e a percepção de qualidade de vida. Esse benefício é maior do que a soma de intervenções isoladas, porque a equipe integrada consegue abordar o paciente de forma holística e coordenada.
A distinção crucial que a questão explora é entre "melhorar de forma homogênea todos os domínios" e "melhorar principalmente determinados domínios". A evidência não sustenta que todos os aspectos da qualidade de vida (como função sexual, sono, cognição, sintomas gastrointestinais) respondam igualmente à reabilitação multidisciplinar. Os ganhos mais consistentes e reprodutíveis estão justamente na capacidade física e no bem-estar psicossocial. É essa nuance que separa a alternativa correta das demais.
A pegadinha da banca está em generalizar o benefício para "todos os domínios" (alternativa A) ou em negar a evidência psicossocial (alternativa D), quando na verdade o conhecimento atual aponta exatamente para o oposto: a reabilitação multidisciplinar tem impacto bem documentado nos desfechos psicossociais. Guarde essa fronteira: benefício consistente e principal em capacidade física + bem-estar psicossocial, mas não homogêneo em todos os domínios.
Reabilitação oncológica multidisciplinar
1Quando oferecer
Desde o diagnóstico
Durante o tratamento ativo
Na fase de sobrevivência
2Domínios com maior impacto
Capacidade física
Força e resistência
Mobilidade
Controle da fadiga
Bem-estar psicossocial
Redução de ansiedade e depressão
Melhora do enfrentamento
3Equipe integrada
Fisioterapeuta
Psicólogo
Nutricionista
Enfermeiro e médico
4Benefício
Superior à soma de intervenções isoladas
Não homogêneo em todos os domínios
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os programas multidisciplinares melhoram "de forma homogênea todos os domínios de qualidade de vida". O erro está na palavra homogênea e em todos os domínios. As evidências mostram que os ganhos são mais expressivos e consistentes em capacidade física e bem-estar psicossocial, mas não uniformes em todos os aspectos da qualidade de vida (função sexual, sono, cognição, sintomas específicos, etc.). A generalização indevida torna a afirmação incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa que reflete com precisão o estado atual da evidência. A reabilitação multidisciplinar ambulatorial tem impacto mais robusto e bem documentado na capacidade física (força, resistência, mobilidade, fadiga) e no bem-estar psicossocial (ansiedade, depressão, enfrentamento, qualidade de vida). Esses são os domínios que respondem de forma mais consistente à intervenção coordenada de uma equipe multiprofissional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que programas multidisciplinares são "menos eficazes que abordagens monodisciplinares focadas". Isso contraria a evidência: a abordagem multidisciplinar integrada é superior à soma de intervenções isoladas, pois permite abordar o paciente de forma holística e coordenada, com comunicação entre os profissionais e plano de cuidado unificado. A literatura mostra melhores resultados com a combinação de diferentes intervenções do que com uma única modalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "não há evidência consistente de impacto da reabilitação multidisciplinar sobre desfechos psicossociais". É exatamente o oposto: há evidência consistente e robusta de que a reabilitação multidisciplinar melhora desfechos psicossociais, incluindo redução de ansiedade e depressão, melhora do enfrentamento e da qualidade de vida. A alternativa nega um dos dois principais eixos de benefício documentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a reabilitação oncológica "deve ser restrita a pacientes em fase avançada da doença". Isso é um equívoco conceitual grave. A reabilitação oncológica deve ser oferecida ao longo de todo o continuum do cuidado — desde o diagnóstico, durante o tratamento ativo e na fase de sobrevivência — e não apenas em fase avançada. Restringi-la ao fim de vida é uma visão ultrapassada que priva pacientes em todas as fases de benefícios funcionais e psicossociais importantes.