Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg728477
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Segundo revisões modernas sobre tumores do trato gastrointestinal superior, qual mecanismo representa um processo central na progressão do adenocarcinoma de esôfago (esôfago de Barrett → carcinoma)?
AAtivação isolada de uma única via de sinalização celular.
BMutações iniciais em TP53 associadas à instabilidade genômica precoce.
CParticipação limitada da inflamação crônica no processo de progressão.
DRegressão espontânea frequente da metaplasia antes da progressão.
ETransformação neoplásica independente de refluxo crônico.
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GabaritoB — Mutações iniciais em TP53 associadas à instabilidade genômica precoce.
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Adenocarcinoma de esôfago: da metaplasia à neoplasia
Gabarito: letra B. O processo central na progressão do esôfago de Barrett para adenocarcinoma é a mutações iniciais em TP53 associadas à instabilidade genômica precoce — a perda da função do gene supressor TP53 é um evento precoce e crítico que desregula o ciclo celular e permite o acúmulo de alterações genéticas adicionais, culminando na transformação maligna. As demais alternativas distorcem aspectos fundamentais da carcinogênese esofágica, como o papel da inflamação crônica e a dependência do refluxo gastroesofágico.
O adenocarcinoma de esôfago (EAC) é uma neoplasia que, na maioria dos casos, surge a partir do esôfago de Barrett (EB), uma condição na qual o epitélio escamoso normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar com metaplasia intestinal, em resposta à agressão crônica pelo refluxo gastroesofágico (DRGE). Essa metaplasia é uma tentativa adaptativa do organismo de proteger a mucosa contra o conteúdo ácido e biliar, mas confere um risco aumentado de progressão neoplásica. A carcinogênese é um processo multifatorial e sequencial, que envolve a interação entre fatores genéticos, epigenéticos e ambientais.
O modelo clássico de progressão é: epitélio escamoso normal → esofagite de refluxo → metaplasia intestinal (EB) → displasia de baixo grau → displasia de alto grau → adenocarcinoma. Cada etapa é acompanhada por alterações moleculares específicas. A instabilidade genômica é um dos pilares da carcinogênese, e a mutação do gene TP53 é um dos eventos mais precoces e frequentes nesse processo. O TP53 codifica a proteína p53, um supressor tumoral que atua como "guardião do genoma", promovendo reparo do DNA, parada do ciclo celular ou apoptose em resposta a danos genéticos. A perda de sua função leva ao acúmulo de mutações e à progressão neoplásica.
A inflamação crônica, por sua vez, desempenha um papel crucial na carcinogênese esofágica. O refluxo crônico de ácido e bile causa lesão tecidual, estresse oxidativo e liberação de citocinas pró-inflamatórias, que promovem a proliferação celular, a angiogênese e a inibição da apoptose. A inflamação também pode induzir danos ao DNA e alterações epigenéticas, contribuindo para a instabilidade genômica. Portanto, a inflamação não é um processo limitado, mas sim um componente central na progressão do EB para o adenocarcinoma.
A regressão espontânea da metaplasia é rara e não é um evento frequente na história natural do EB. Embora a metaplasia possa regredir em alguns casos, especialmente com o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), a progressão para displasia e carcinoma é a principal preocupação clínica. A transformação neoplásica é intrinsecamente dependente do refluxo crônico, que é o principal fator etiológico do EB e do EAC. A obesidade, outro fator de risco importante, também está associada ao aumento da pressão intra-abdominal e à maior exposição ao refluxo.
A progressão do EB para o adenocarcinoma não é um processo linear e inevitável, mas sim um processo estocástico, influenciado por múltiplos fatores. O risco de progressão é determinado pela presença e pelo grau de displasia, sendo que a displasia de alto grau confere um risco anual de aproximadamente 7%. A vigilância endoscópica é essencial para detectar a displasia e o câncer em estágio inicial, permitindo intervenções terapêuticas precoces, como a ressecção endoscópica da mucosa ou a ablação por radiofrequência.
A compreensão dos mecanismos moleculares da carcinogênese esofágica é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A identificação de biomarcadores, como mutações no TP53, pode auxiliar na estratificação de risco e na seleção de pacientes para intervenções mais agressivas. A terapia-alvo e a imunoterapia também estão sendo investigadas como opções promissoras para o tratamento do EAC avançado.
A questão aborda um tema central da oncologia gastrointestinal, exigindo do candidato o conhecimento dos mecanismos fisiopatológicos da progressão do esôfago de Barrett para o adenocarcinoma. A alternativa correta destaca a importância da instabilidade genômica precoce, mediada por mutações no TP53, como um evento crítico nesse processo. As demais alternativas apresentam conceitos incorretos ou incompletos, que serão analisados a seguir.
1Epitélio escamoso normal
2Esofagite de refluxo
3Metaplasia intestinal (EB)
4Displasia de baixo grau
5Displasia de alto grau
6Adenocarcinoma
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A carcinogênese é um processo multifatorial, que envolve a ativação de múltiplas vias de sinalização celular, como a via Wnt/β-catenina, a via Hedgehog, a via do EGFR e a via do TGF-β, entre outras. A ativação isolada de uma única via é insuficiente para promover a transformação maligna. A progressão do EB para o adenocarcinoma requer o acúmulo de alterações genéticas e epigenéticas em múltiplas vias, que cooperam para conferir vantagens proliferativas, invasivas e metastáticas às células neoplásicas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A mutação do gene TP53 é um evento precoce e central na progressão do esôfago de Barrett para o adenocarcinoma. A perda da função da p53 leva à instabilidade genômica, permitindo o acúmulo de mutações adicionais em oncogenes e genes supressores de tumor, o que impulsiona a progressão neoplásica. Essa instabilidade genômica é uma característica fundamental das neoplasias malignas e está associada a um pior prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A inflamação crônica é um componente central na carcinogênese esofágica, e não um processo limitado. O refluxo crônico de ácido e bile causa lesão tecidual, estresse oxidativo e inflamação, que promovem a proliferação celular, a angiogênese e a inibição da apoptose. A inflamação também pode induzir danos ao DNA e alterações epigenéticas, contribuindo para a instabilidade genômica e a progressão neoplásica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A regressão espontânea da metaplasia intestinal no esôfago de Barrett é rara e não é um evento frequente. Embora a metaplasia possa regredir em alguns casos, especialmente com o uso de IBP, a progressão para displasia e carcinoma é a principal preocupação clínica. A vigilância endoscópica é essencial para detectar a displasia e o câncer em estágio inicial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A transformação neoplásica do esôfago de Barrett é intrinsecamente dependente do refluxo crônico, que é o principal fator etiológico do EB e do adenocarcinoma. O refluxo crônico de ácido e bile causa lesão tecidual, inflamação e alterações moleculares que promovem a carcinogênese. A obesidade, outro fator de risco importante, também está associada ao aumento da pressão intra-abdominal e à maior exposição ao refluxo.