Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg728478
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Homem de 59 anos, previamente hígido, apresenta anemia ferropriva e alteração do hábito intestinal. A colonoscopia mostra uma lesão vegetante no cólon ascendente. O paciente pergunta se fatores relacionados ao microbioma intestinal realmente influenciam o desenvolvimento do câncer colorretal. Com base nas evidências recentes, assinale a alternativa correta.
AFusobacterium nucleatum pode promover progressão tumoral por modular inflamação e sinalização de β-catenina.
BA influência do microbioma na carcinogênese ainda não está completamente estabelecida.
CBacteroides fragilis enterotoxigênico confere proteção contra instabilidade cromossômica.
DAlterações microbianas só ocorrem após o tumor estar completamente formado.
EO microbioma não exerce impacto sobre resposta à quimioterapia.
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GabaritoA — Fusobacterium nucleatum pode promover progressão tumoral por modular inflamação e sinalização de β-catenina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Microbioma intestinal e carcinogênese colorretal
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que Fusobacterium nucleatum pode promover progressão tumoral por modular inflamação e sinalização de β-catenina — o que está alinhado com as evidências científicas atuais sobre o papel do microbioma na carcinogênese colorretal. As demais alternativas contêm erros conceituais: o Bacteroides fragilis enterotoxigênico não confere proteção (pelo contrário, está associado à promoção tumoral), as alterações microbianas não ocorrem apenas após o tumor formado, e o microbioma exerce sim impacto na resposta à quimioterapia.
O microbioma intestinal é o conjunto de microrganismos (bactérias, fungos, vírus) que habitam o trato gastrointestinal, sendo o cólon o ambiente com maior diversidade microbiana do corpo humano — cerca de 70% de todas as bactérias humanas localizam-se no intestino grosso. Esse ecossistema desempenha funções essenciais para a homeostase, como digestão de fibras, produção de vitaminas, proteção contra patógenos e modulação do sistema imunológico. Quando há disbiose — desequilíbrio na composição microbiana —, o ambiente intestinal pode se tornar favorável ao desenvolvimento de doenças, incluindo o câncer colorretal.
A relação entre microrganismos e câncer não é novidade na medicina: o Helicobacter pylori foi classificado pela OMS como carcinógeno classe I, por seu efeito inflamatório e genotóxico direto, além da capacidade de transformar lesões benignas em pré-malignas ou malignas. Estima-se que cerca de 20% dos cânceres estejam relacionados a agentes infecciosos. No caso específico do câncer colorretal, estudos recentes identificaram que certas bactérias, como Fusobacterium nucleatum, estão enriquecidas no tecido tumoral e podem participar ativamente da carcinogênese.
O Fusobacterium nucleatum é uma bactéria anaeróbica gram-negativa, normalmente encontrada na cavidade oral, mas que pode colonizar o cólon. Evidências experimentais demonstram que ela pode promover a progressão tumoral por múltiplos mecanismos: modulação da resposta inflamatória, ativação da via de sinalização Wnt/β-catenina (que estimula a proliferação celular), inibição da resposta imune antitumoral (por exemplo, via receptores TIGIT em células NK e T) e promoção de metástases. Esses achados posicionam o F. nucleatum como um potencial biomarcador e alvo terapêutico no câncer colorretal.
A compreensão do papel do microbioma na carcinogênese colorretal tem implicações práticas importantes: o microbioma pode servir como biomarcador não invasivo para diagnóstico precoce, e a modulação da microbiota (por probióticos, dieta ou antibióticos) pode vir a ser uma estratégia de prevenção ou adjuvante ao tratamento. Além disso, o microbioma influencia a resposta à quimioterapia — por exemplo, certas bactérias podem metabolizar fármacos, alterando sua eficácia ou toxicidade. Portanto, a afirmação de que o microbioma não exerce impacto sobre a resposta à quimioterapia é incorreta.
A pegadinha central desta questão está na alternativa C: o Bacteroides fragilis enterotoxigênico (ETBF) é, na verdade, um fator de risco associado à promoção tumoral, não à proteção. A banca inverte o papel da bactéria para confundir o candidato. Guarde a fronteira entre bactérias promotoras e protetoras do câncer colorretal: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Microbioma e câncer colorretal
1Bactérias promotoras
Fusobacterium nucleatum
Modula inflamação
Ativa β-catenina
Inibe resposta imune
Bacteroides fragilis ETBF
Toxina BFT danifica DNA
Promove tumorigênese
2Bactérias protetoras
(ex.: produtoras de butirato)
3Implicações clínicas
Biomarcador não invasivo
Modulação da microbiota
Impacto na quimioterapia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque Fusobacterium nucleatum é uma bactéria anaeróbica gram-negativa que tem sido consistentemente associada ao câncer colorretal. Estudos demonstram que ela pode promover a progressão tumoral por modular a inflamação local e ativar a via de sinalização Wnt/β-catenina, que estimula a proliferação celular e a tumorigênese. Além disso, o F. nucleatum pode inibir a resposta imune antitumoral, favorecendo o escape tumoral. Esses mecanismos posicionam essa bactéria como um importante ator na carcinogênese colorretal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que a influência do microbioma na carcinogênese "ainda não está completamente estabelecida" é uma meia-verdade que induz ao erro. Embora a pesquisa esteja em evolução, já existem evidências robustas e bem estabelecidas de que o microbioma intestinal influencia o desenvolvimento do câncer colorretal, incluindo mecanismos moleculares específicos (como a via β-catenina mediada por F. nucleatum). A banca explora a ideia de que "não se sabe o suficiente" para desqualificar a alternativa A, mas isso contraria o estado atual da ciência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Bacteroides fragilis enterotoxigênico (ETBF) não confere proteção contra instabilidade cromossômica; pelo contrário, é uma cepa que produz a toxina BFT (fragilisina), capaz de danificar o DNA das células epiteliais do cólon, induzir inflamação crônica e ativar a via Wnt/β-catenina, promovendo a tumorigênese. A alternativa inverte completamente o papel dessa bactéria, transformando um fator de risco em fator protetor.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação de que alterações microbianas só ocorrem após o tumor estar completamente formado é falsa. A disbiose intestinal pode preceder o desenvolvimento tumoral, criando um microambiente favorável à carcinogênese. Estudos mostram que alterações na composição microbiana podem ocorrer em estágios iniciais, inclusive em lesões pré-malignas (como adenomas), e que certas bactérias podem estar envolvidas na iniciação e promoção tumoral, não apenas na progressão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O microbioma exerce sim impacto sobre a resposta à quimioterapia. Bactérias intestinais podem metabolizar fármacos quimioterápicos, alterando sua eficácia e toxicidade. Por exemplo, certas bactérias podem inativar a gemcitabina, reduzindo sua eficácia no tratamento de tumores. Além disso, a composição microbiana pode influenciar a resposta imune antitumoral e a eficácia de imunoterápicos. Portanto, a afirmação de que o microbioma não exerce impacto é incorreta.