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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg728480
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Paciente de 70 anos com linfoma agressivo em quimioterapia apresenta dor lombar progressiva, fraqueza em membros inferiores e retenção urinária. Qual é a conduta imediata mais apropriada nesse caso?
  1. ASolicitar radiografia simples da coluna.
  2. BEncaminhar para fisioterapia sem investigação diagnóstica prévia.
  3. CIniciar opioide potente e observar evolução clínica.
  4. DSolicitar tomografia apenas da coluna lombar.
  5. EAdministrar dexametasona e solicitar ressonância magnética de coluna total.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Administrar dexametasona e solicitar ressonância magnética de coluna total.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emergências oncológicas: síndrome de compressão medular

Gabarito: letra E. Em paciente oncológico com dor lombar progressiva, fraqueza em membros inferiores e retenção urinária, o quadro é de síndrome de compressão medular — uma emergência oncológica que exige administração imediata de corticosteroides (dexametasona) e ressonância magnética de coluna total para delimitar a extensão do comprometimento e guiar a radioterapia ou cirurgia descompressiva. A conduta correta é a da alternativa E.

A síndrome de compressão medular é uma das emergências oncológicas mais temidas, pois pode levar a déficits neurológicos irreversíveis (paraplegia, perda de controle esfincteriano) em questão de horas ou dias. Ela ocorre quando um tumor — primário ou metastático — comprime a medula espinhal ou a cauda equina. No paciente com linfoma agressivo, a dor lombar progressiva seguida de fraqueza em membros inferiores e retenção urinária é o padrão clássico dessa síndrome: a dor costuma preceder os sintomas neurológicos, e a disfunção autonômica (retenção urinária) é um sinal tardio e grave.

A fisiopatologia envolve o crescimento tumoral no espaço epidural, que comprime os vasos venosos e, posteriormente, as artérias que irrigam a medula, levando a edema e isquemia do tecido nervoso. O diagnóstico deve ser feito com urgência, pois o prognóstico funcional depende diretamente do status neurológico no momento do diagnóstico: pacientes que ainda deambulam têm muito melhor prognóstico do que aqueles já paraplégicos.

O exame de imagem de escolha é a ressonância magnética (RM) de coluna total (ou seja, de toda a extensão da coluna, não apenas do segmento lombar), pois permite visualizar com alta sensibilidade as lesões ósseas, o comprometimento epidural e o grau de compressão medular. A tomografia computadorizada (TC) é inferior à RM para avaliação de partes moles e da medula em si, sendo útil principalmente para guiar biópsias ou avaliar destruição óssea. A radiografia simples tem baixa sensibilidade para lesões metastáticas e não avalia o conteúdo do canal vertebral.

O tratamento imediato consiste na administração de corticosteroides em altas doses (dexametasona) para reduzir o edema peritumoral e aliviar a compressão, enquanto se planeja a terapia definitiva (radioterapia ou cirurgia descompressiva). O uso de opioides para analgesia é importante, mas não é a conduta prioritária — o foco deve ser a preservação neurológica. A fisioterapia, sem investigação diagnóstica, é contraindicada, pois pode agravar o quadro e atrasar o tratamento.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a dor lombar ser um sintoma comum e inespecífico, a associação com déficit motor e disfunção esfincteriana em um paciente oncológico configura uma emergência que não pode ser tratada como lombalgia comum. O candidato que não identifica a síndrome de compressão medular pode optar por condutas paliativas ou exames inadequados, perdendo a janela terapêutica.

Guarde o algoritmo: paciente oncológico + dor lombar + déficit neurológico + disfunção esfincteriana = compressão medulardexametasona + RM de coluna total imediatamente. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radiografia simples da coluna tem baixa sensibilidade para detectar lesões metastáticas e, principalmente, não avalia o conteúdo do canal vertebral (medula, raízes nervosas, tecido epidural). Em um quadro de suspeita de compressão medular, a radiografia não é capaz de confirmar ou excluir o diagnóstico e atrasaria a conduta definitiva. O exame adequado é a ressonância magnética.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Encaminhar para fisioterapia sem investigação diagnóstica prévia é um erro grave. Em um paciente oncológico com sinais de compressão medular, a fisioterapia não trata a causa e pode mascarar a progressão do déficit neurológico, além de atrasar o diagnóstico e o tratamento. A conduta correta é investigar e tratar a emergência, não reabilitar precocemente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar opioide potente e observar a evolução clínica é uma conduta perigosa e insuficiente. Embora a analgesia seja importante, o uso isolado de opioides não trata a compressão medular e pode mascarar a progressão do déficit neurológico, fazendo o paciente perder a janela terapêutica. A prioridade é a preservação neurológica, que exige intervenção imediata (corticosteroide + RM).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar tomografia apenas da coluna lombar é inadequado por dois motivos: (1) a TC tem menor sensibilidade que a RM para avaliar o comprometimento medular e de partes moles; (2) a limitação ao segmento lombar não avalia a extensão total da doença, que pode acometer outros níveis da coluna. A RM de coluna total é o exame de escolha.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A administração de dexametasona (corticosteroide em altas doses) reduz o edema peritumoral e alivia a compressão medular, enquanto a ressonância magnética de coluna total permite delimitar com precisão a extensão do comprometimento, guiando a radioterapia ou a cirurgia descompressiva. Essa é a conduta imediata padrão-ouro na suspeita de síndrome de compressão medular em paciente oncológico.

Gabarito: letra E

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