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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg728486
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Homem de 63 anos, ex-tabagista, apresenta adenocarcinoma de pulmão metastático, expressão elevada de PD-L1 e ausência de alterações moleculares acionáveis. Considerando os princípios terapêuticos, a abordagem inicial mais adequada é
  1. Aquimioterapia isolada com esquema à base de platina.
  2. Bcombinação obrigatória de quimioterapia e imunoterapia em todos os casos.
  3. Cimunoterapia isolada com inibidor de checkpoint imunológico.
  4. Dterapia-alvo baseada em mutações não acionáveis clinicamente.
  5. Eimunoterapia baseada exclusivamente em bloqueio de CTLA-4.
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GabaritoC — imunoterapia isolada com inibidor de checkpoint imunológico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de pulmão metastático: imunoterapia em primeira linha

Gabarito: letra C. Para adenocarcinoma de pulmão metastático com alta expressão de PD-L1 e ausência de alterações moleculares acionáveis, a abordagem inicial mais adequada é a imunoterapia isolada com inibidor de checkpoint imunológico (anti-PD-1/PD-L1). A base dessa conduta está na classificação molecular do tumor: pacientes "tipo selvagem" (sem mutações-alvo) devem ser tratados com inibidores de pontos de controle imunológicos, isoladamente ou em combinação com quimioterapia, conforme diretrizes de oncologia torácica.

O adenocarcinoma de pulmão é o subtipo mais comum de câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) e, quando metastático (estágio IV), o tratamento sistêmico é a espinha dorsal do manejo. A decisão terapêutica moderna depende de dois pilares: o perfil molecular do tumor (presença de mutações acionáveis como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, RET, MET, NTRK) e a expressão de PD-L1 (biomarcador preditivo de resposta à imunoterapia).

Quando o tumor não apresenta alterações moleculares acionáveis — o chamado "tipo selvagem" —, a imunoterapia com inibidores de checkpoint (anti-PD-1 como pembrolizumabe, ou anti-PD-L1 como atezolizumabe) torna-se a opção central. A expressão elevada de PD-L1 (geralmente ≥ 50% nos adenocarcinomas) é o critério que permite o uso de imunoterapia isolada em primeira linha, pois estudos de fase III demonstraram superioridade de sobrevida global em relação à quimioterapia nesse subgrupo. Para expressões mais baixas (1–49%), a combinação de quimioterapia e imunoterapia é a estratégia preferida; para expressão < 1%, a quimioterapia isolada ou combinada com imunoterapia pode ser considerada, dependendo do contexto clínico.

A lógica por trás dessa abordagem é a reativação do sistema imune: os inibidores de checkpoint bloqueiam reguladores negativos da função dos linfócitos T (PD-1/PD-L1), permitindo que o sistema imunológico reconheça e ataque as células tumorais. Diferentemente da terapia-alvo, que depende de uma mutação específica, a imunoterapia é eficaz independentemente do perfil mutacional, desde que haja expressão de PD-L1. Por isso, a ausência de alterações acionáveis não exclui o benefício da imunoterapia — pelo contrário, torna-a a principal ferramenta.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os conceitos de terapia-alvo (que exige mutação acionável) e imunoterapia (que depende de PD-L1 e do microambiente tumoral). O candidato que associa "adenocarcinoma metastático" automaticamente a quimioterapia ou a terapia-alvo erra, pois o enunciado fornece exatamente os dados que apontam para imunoterapia isolada: PD-L1 elevado e ausência de alvos moleculares. Guarde essa fronteira: mutação acionável → terapia-alvo; PD-L1 alto sem mutação → imunoterapia isolada; PD-L1 baixo ou negativo → quimioterapia ± imunoterapia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A quimioterapia isolada com esquema à base de platina foi o padrão histórico, mas foi superada pela imunoterapia em pacientes com PD-L1 elevado. Estudos de fase III mostraram que, nesse subgrupo, a imunoterapia isolada proporciona melhor sobrevida global que a quimioterapia. A quimioterapia isolada permanece como opção para pacientes com PD-L1 < 1% ou quando há contraindicação à imunoterapia, mas não é a abordagem inicial mais adequada no cenário descrito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A combinação de quimioterapia e imunoterapia é indicada, mas não é "obrigatória em todos os casos". Para pacientes com PD-L1 ≥ 50%, a imunoterapia isolada é a preferência, pois evita a toxicidade da quimioterapia sem perder eficácia. A combinação é reservada para PD-L1 entre 1% e 49% ou para tumores com PD-L1 < 1% em que se opta por adicionar imunoterapia. O termo "obrigatória" torna a alternativa incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A imunoterapia isolada com inibidor de checkpoint imunológico (anti-PD-1/PD-L1) é a abordagem inicial mais adequada para adenocarcinoma de pulmão metastático com expressão elevada de PD-L1 e ausência de alterações moleculares acionáveis. Essa conduta é respaldada por ensaios clínicos de fase III que demonstraram superioridade de sobrevida global em relação à quimioterapia nesse subgrupo específico. A ausência de mutações acionáveis direciona o tratamento para a imunoterapia, e a alta expressão de PD-L1 permite seu uso isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A terapia-alvo é indicada apenas quando há mutações acionáveis (EGFR, ALK, ROS1, BRAF, RET, MET, NTRK). O enunciado afirma explicitamente a "ausência de alterações moleculares acionáveis", o que torna a terapia-alvo inapropriada. Além disso, a expressão "mutações não acionáveis clinicamente" é um contrassenso: se não são acionáveis, não há alvo para a terapia. Essa alternativa confunde o conceito de terapia-alvo com o de imunoterapia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A imunoterapia baseada exclusivamente em bloqueio de CTLA-4 (como ipilimumabe isolado) não é a abordagem padrão para CPNPC metastático. Os inibidores de CTLA-4 têm papel limitado nesse cenário, geralmente em combinação com anti-PD-1 (como nivolumabe + ipilimumabe), e não como monoterapia de primeira linha. O bloqueio de PD-1/PD-L1 é a via preferencial, dada a eficácia comprovada e o perfil de toxicidade mais favorável.

Gabarito: letra C — imunoterapia isolada com inibidor de checkpoint imunológico é a conduta inicial correta para adenocarcinoma de pulmão metastático com PD-L1 elevado e ausência de alterações moleculares acionáveis.

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