Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg728489
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Um paciente de 48 anos com linfoma difuso de grandes células B inicia quimioterapia com um regime de combinação. Durante a discussão com os residentes, o oncologista explica por que esquemas combinados são mais eficazes do que monoterapia. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o princípio que fundamenta o uso de múltiplas drogas em quimioterapia combinada.
AAumento intencional da toxicidade cumulativa para maior efeito citotóxico.
BRedução significativa de alguns efeitos adversos com o uso combinado.
CPossibilidade de uso também para redução de doses individuais.
DAção em diferentes fases do ciclo celular e redução do risco de resistência clonal.
ENecessidade de combinação por ausência de ação citotóxica isolada.
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GabaritoD — Ação em diferentes fases do ciclo celular e redução do risco de resistência clonal.
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Quimioterapia combinada: fundamentos
Gabarito: letra D. A quimioterapia combinada é mais eficaz que a monoterapia porque associa fármacos que atuam em diferentes fases do ciclo celular e, ao mesmo tempo, reduz o risco de resistência clonal — princípios clássicos da oncologia (Harrison, capítulo sobre princípios da quimioterapia). É exatamente isso que a alternativa D afirma.
A quimioterapia combinada é a espinha dorsal do tratamento oncológico moderno. Diferentemente da monoterapia, que usa um único agente, a combinação reúne drogas com mecanismos de ação distintos, o que permite atacar a população tumoral em múltiplas frentes. O tumor não é uma massa homogênea: contém células em diferentes fases do ciclo celular (G1, S, G2, M) e, por isso, um único fármaco — que age, por exemplo, apenas na fase S — deixaria intactas as células que estão em outras fases. Ao combinar drogas que atuam em fases diferentes, maximiza-se a morte celular.
Além disso, a combinação é a principal estratégia para prevenir ou retardar a resistência clonal. Células tumorais podem sofrer mutações espontâneas que as tornam resistentes a um determinado fármaco. Se usarmos um único agente, as células resistentes proliferam e a doença recidiva. Com múltiplos fármacos de mecanismos diferentes, a probabilidade de uma célula ser simultaneamente resistente a todos é muito menor — é o mesmo princípio da terapia antirretroviral combinada na AIDS.
Os fármacos são escolhidos com base em três critérios: (1) eficácia comprovada como agentes únicos; (2) mecanismos de ação diferentes; e (3) perfis de toxicidade que não se sobrepõem. Isso permite que cada droga seja usada em dose plena, sem que a toxicidade se some de forma inaceitável. Esquemas como CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) para linfomas e FOLFOX para câncer colorretal são exemplos clássicos dessa lógica.
A pegadinha da banca está em alternativas que parecem plausíveis, mas invertem a relação de causa e efeito. Por exemplo, a redução de doses individuais (letra C) é uma consequência da combinação — quando as toxicidades não se sobrepõem, é possível usar doses plenas, e não necessariamente reduzidas. Já a redução de efeitos adversos (letra B) não é um princípio geral: a combinação pode até aumentar a toxicidade, mas o objetivo é maximizar o efeito antitumoral com toxicidade manejável. A letra A é um absurdo — ninguém busca toxicidade cumulativa intencional. E a letra E contradiz a realidade: os agentes usados em combinação têm ação citotóxica isolada comprovada.
Guarde o par ação em diferentes fases do ciclo celular + redução do risco de resistência clonal: é exatamente esse binômio que fundamenta a quimioterapia combinada e que separa a alternativa correta das demais.
Quimioterapia combinada
1Fundamentos
Ação em diferentes fases do ciclo celular
Redução do risco de resistência clonal
2Critérios de escolha das drogas
Eficácia isolada comprovada
Mecanismos de ação diferentes
Toxicidades não sobrepostas
3Consequências
Doses plenas (sem sobreposição de toxicidade)
Sinergia antitumoral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação busca o aumento intencional da toxicidade cumulativa. Isso é o oposto do que se deseja: a toxicidade é um efeito adverso a ser minimizado, nunca um objetivo terapêutico. O princípio é maximizar o efeito citotóxico sobre o tumor com toxicidade aceitável e manejável, não acumular dano ao paciente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a combinação reduz significativamente alguns efeitos adversos. Isso não é um princípio geral da quimioterapia combinada. Na verdade, a combinação pode aumentar a toxicidade (ex.: mielossupressão mais intensa com múltiplos agentes). O que se busca é que os perfis de toxicidade não se sobreponham, para que cada droga possa ser usada em dose plena — mas isso não significa redução dos efeitos adversos em si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação permite a redução de doses individuais. Isso é uma consequência possível em alguns esquemas (quando há toxicidades sobrepostas), mas não é o princípio que fundamenta a combinação. O fundamento é a ação em diferentes fases do ciclo celular e a prevenção da resistência. Além disso, em muitos esquemas as doses são plenas, justamente porque as toxicidades não se sobrepõem.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa que espelha o princípio correto: a combinação de drogas atua em diferentes fases do ciclo celular, maximizando a morte celular, e reduz o risco de resistência clonal, pois é improvável que uma célula seja resistente a múltiplos mecanismos simultaneamente. É exatamente o que a literatura descreve como fundamento da poliquimioterapia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação é necessária porque os agentes não têm ação citotóxica isolada. Isso é falso: os fármacos usados em combinação têm eficácia comprovada como agentes únicos — é um dos critérios de escolha. A combinação potencializa o efeito, mas cada droga isoladamente já é citotóxica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a relação entre princípio e consequência. Aqui, a letra C (redução de doses) parece atraente, mas é uma consequência pontual, não o fundamento. O fundamento é sempre o mecanismo de ação complementar e a prevenção da resistência. Fique atento: se a alternativa fala em "reduzir doses" ou "reduzir efeitos adversos" como princípio, desconfie — o princípio é atacar o tumor em múltiplas frentes.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de quimioterapia combinada, lembre-se do tripé: (1) eficácia isolada de cada droga, (2) mecanismos de ação diferentes, (3) toxicidades não sobrepostas. Se a alternativa fugir desse tripé, está errada. E grave: combinação = sinergia + prevenção de resistência, nunca "aumento de toxicidade" ou "ausência de ação isolada".
Gabarito: letra D — ação em diferentes fases do ciclo celular e redução do risco de resistência clonal.