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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg728495
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Oncologia Clínica
Um homem de 58 anos, tabagista de longa data (40 maços-ano), etilista crônico, com IMC de 31 kg/m² e exposição ocupacional a solventes orgânicos, deseja entender por que seu risco global de câncer é elevado. Com base nos mecanismos biológicos envolvidos na carcinogênese, faz(em) parte dos processos ativados por esses fatores de risco:
  1. Aaumento exclusivo da imunossupressão induzida pela obesidade.
  2. Belevação do estresse oxidativo, formação de adutos de DNA e inflamação crônica.
  3. Csomente maior taxa de mutações espontâneas por replicação celular.
  4. Dativação seletiva de receptores nucleares por solventes industriais.
  5. Eepigenética exclusivamente via hipermetilação global do DNA.
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GabaritoB — elevação do estresse oxidativo, formação de adutos de DNA e inflamação crônica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinogênese: mecanismos biológicos dos fatores de risco

Gabarito: letra B. O tabagismo, o etilismo, a obesidade e a exposição a solventes orgânicos elevam o risco de câncer por mecanismos que convergem para o estresse oxidativo, a formação de adutos de DNA e a inflamação crônica — processos que promovem mutações e instabilidade genômica. As demais alternativas erram ao restringir o mecanismo a um único fator ou a um processo isolado, como imunossupressão exclusiva, mutações espontâneas, ativação seletiva de receptores nucleares ou hipermetilação global.

A carcinogênese é um processo multifatorial e multietápico. Fatores de risco como tabaco, álcool, obesidade e exposição ocupacional a agentes químicos atuam por vias que se sobrepõem e se potencializam. O tabagismo, por exemplo, é o principal fator contribuinte isolado para a incidência de câncer no mundo, e seus carcinógenos geram espécies reativas de oxigênio (ERO), que causam dano oxidativo ao DNA, formando adutos — ligações covalentes entre o carcinógeno e as bases nitrogenadas. Esses adutos, se não reparados, levam a mutações pontuais em genes críticos como proto-oncogenes e genes supressores de tumor.

O etilismo crônico contribui por mecanismos semelhantes: o metabolismo do etanol gera acetaldeído, um metabólito reativo que forma adutos de DNA e proteínas, além de induzir estresse oxidativo hepático e inflamação crônica, que predispõe a cirrose e carcinoma hepatocelular. A obesidade, por sua vez, promove um estado inflamatório sistêmico de baixo grau, com aumento de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6) e estresse oxidativo, além de alterações hormonais (hiperestrogenismo) que estimulam a proliferação celular em tecidos como endométrio e mama.

A exposição ocupacional a solventes orgânicos, como o benzeno, é carcinogênica por mecanismos que incluem a formação de adutos de DNA e a indução de estresse oxidativo, além de efeitos sobre a medula óssea, levando a leucemias. É importante destacar que a inflamação crônica é um componente central: ela gera um microambiente rico em espécies reativas, citocinas e fatores de crescimento que favorecem a sobrevivência e proliferação de células com dano genômico, além de promover angiogênese e evasão imune.

A pegadinha da questão está em alternativas que isolam um único mecanismo ou o atribuem a um único fator. A carcinogênese é um processo integrado: os fatores de risco ativam múltiplas vias simultaneamente, e é essa convergência que explica o risco global elevado. A alternativa correta captura exatamente essa integração, listando os três processos centrais — estresse oxidativo, adutos de DNA e inflamação crônica — que são ativados por todos os fatores citados no enunciado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar cada fator de risco a um mecanismo único e específico. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa que menciona "imunossupressão" (obesidade) ou "receptores nucleares" (solventes), mas o enunciado pergunta pelos processos ativados por esses fatores em conjunto — e a resposta é a convergência em estresse oxidativo, adutos de DNA e inflamação crônica. Fique atento: quando a questão fala em "risco global", ela quer a via comum, não o mecanismo isolado de cada fator.

Carcinogênese: vias comuns dos fatores de risco
  • 1Estresse oxidativo
    • Espécies reativas de oxigênio (ERO)
    • Dano oxidativo ao DNA
  • 2Adutos de DNA
    • Ligação covalente carcinógeno-base
    • Mutações em oncogenes e supressores
  • 3Inflamação crônica
    • Microambiente rico em citocinas
    • Proliferação, angiogênese, evasão imune
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o risco elevado se deve ao "aumento exclusivo da imunossupressão induzida pela obesidade". O erro está em dois pontos: (1) a imunossupressão não é o mecanismo principal da obesidade na carcinogênese — o que predomina é a inflamação crônica e o estresse oxidativo; (2) o termo "exclusivo" é falso, pois os demais fatores (tabaco, álcool, solventes) atuam por outras vias, como adutos de DNA. A obesidade está associada a um estado inflamatório crônico e a alterações hormonais, não a uma imunossupressão que seja o único elo com o câncer.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa sintetiza corretamente os mecanismos centrais da carcinogênese ativados pelos fatores de risco citados. O tabagismo e o etilismo geram espécies reativas de oxigênio (estresse oxidativo) e metabólitos que formam adutos de DNA; a obesidade e o álcool promovem inflamação crônica; e os solventes orgânicos, como o benzeno, também induzem estresse oxidativo e adutos. A convergência desses processos — estresse oxidativo, dano ao DNA e inflamação — é o que eleva o risco global de câncer, exatamente como a alternativa descreve.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o risco se deve "somente a maior taxa de mutações espontâneas por replicação celular". O erro está em reduzir a carcinogênese a mutações espontâneas, ignorando que os fatores de risco atuam por mecanismos induzidos — estresse oxidativo, adutos de DNA e inflamação — que aumentam a taxa de mutação muito além do basal. Além disso, o termo "somente" exclui os demais processos envolvidos. A taxa de mutação espontânea é relativamente baixa; são os carcinógenos que a elevam drasticamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o mecanismo é a "ativação seletiva de receptores nucleares por solventes industriais". Embora alguns solventes possam interagir com receptores nucleares (como o receptor de hidrocarboneto de arila, AhR), essa não é a via principal nem exclusiva da carcinogênese por solventes. O benzeno, por exemplo, atua por metabólitos reativos que formam adutos de DNA e induzem estresse oxidativo. A alternativa erra ao generalizar e ao ignorar os mecanismos centrais comuns a todos os fatores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o mecanismo é "epigenética exclusivamente via hipermetilação global do DNA". O erro está em dois pontos: (1) a epigenética do câncer envolve tanto hipermetilação de ilhas CpG em promotores de genes supressores de tumor quanto hipometilação global, que pode ativar oncogenes; (2) o termo "exclusivamente" é falso, pois a carcinogênese envolve também mutações, estresse oxidativo e inflamação, não apenas alterações epigenéticas. A hipermetilação global não é o mecanismo único nem o principal.

Gabarito: letra B — a alternativa que integra os três processos centrais da carcinogênese ativados pelos fatores de risco: estresse oxidativo, formação de adutos de DNA e inflamação crônica.

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