Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg728526
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ortopedia e Traumatologia
Paciente com esqueleto imaturo sofre uma colisão de automóvel, apresentando uma fratura do acetábulo. Nesse contexto, essa fratura pode ser classificada de acordo com
ACunha e colaboradores.
BForlin e colaboradores.
CAkari e colaboradores.
DBucholz e colaboradores.
EWatanabi e colaboradores.
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GabaritoD — Bucholz e colaboradores.
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Fraturas do acetábulo em esqueleto imaturo: classificação
Gabarito: letra D. A fratura do acetábulo em paciente com esqueleto imaturo (criança ou adolescente) é classificada de acordo com Bucholz e colaboradores, que propuseram um sistema específico para essas lesões, levando em conta o padrão de fratura e o envolvimento da cartilagem trirradiada. As demais alternativas citam autores que não são referência para essa classificação específica.
A classificação das fraturas do acetábulo é um tema central na traumatologia do quadril. No adulto, a classificação universalmente aceita é a de Judet e Letournel (1964), que divide as fraturas em elementares (rebordo anterior, coluna anterior, rebordo posterior, coluna posterior e transversa) e associadas (combinações dessas). No entanto, em crianças e adolescentes, o esqueleto imaturo apresenta particularidades anatômicas e fisiológicas — como a presença da cartilagem trirradiada (cartilagem de crescimento do acetábulo) — que tornam a classificação do adulto inadequada. Por isso, Bucholz e colaboradores desenvolveram uma classificação específica para as fraturas do acetábulo em esqueleto imaturo, que considera o traço de fratura em relação à cartilagem trirradiada e o potencial de lesão do centro de crescimento.
A importância dessa classificação reside no fato de que o envolvimento da cartilagem trirradiada pode levar a uma displasia acetabular e subsequente subluxação do quadril, especialmente em crianças abaixo dos dez anos. O tratamento e o prognóstico variam conforme o tipo de fratura, sendo que fraturas com desvio maior que 2 mm geralmente são de tratamento cirúrgico. A classificação de Bucholz permite ao ortopedista não apenas registrar a lesão, mas também orientar a conduta e prever complicações a longo prazo.
Na prática, ao atender um paciente jovem com fratura do acetábulo, o ortopedista deve realizar radiografias nas incidências alar e obturatriz (incidências de Judet) e, frequentemente, uma tomografia computadorizada para avaliar o grau de desvio e o envolvimento da cartilagem trirradiada. A classificação de Bucholz é então aplicada para categorizar a fratura e decidir entre tratamento conservador (tração, aparelho gessado) ou cirúrgico (redução e osteossíntese).
A pegadinha desta questão está em associar a fratura do acetábulo em criança a classificações de outras regiões ou a autores que não são referência para esse tema específico. É fundamental memorizar que, para o acetábulo imaturo, a classificação correta é a de Bucholz, enquanto Judet e Letournel é a do adulto.
Guarde essa distinção: Judet e Letournel para o acetábulo do adulto, Bucholz para o acetábulo em esqueleto imaturo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Fraturas do acetábulo
1Esqueleto imaturo (criança/adolescente)
Bucholz e colaboradores
Considera cartilagem trirradiada
Risco de displasia acetabular
2Adulto
Judet e Letournel
Elementares
Associadas
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Cunha e colaboradores não é uma classificação reconhecida para fraturas do acetábulo em esqueleto imaturo. Não há na literatura ortopédica um sistema de classificação de fraturas acetabulares pediátricas atribuído a esse autor. A banca utiliza nomes de autores que não são referência para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Forlin e colaboradores também não é uma classificação para fraturas do acetábulo. O nome Forlin aparece em contextos de ortopedia pediátrica, mas não como autor de uma classificação específica para fraturas acetabulares. É um distrator plausível por ser um nome ligado à ortopedia pediátrica, mas não corresponde à classificação correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Akari e colaboradores não é uma classificação reconhecida para fraturas do acetábulo. Não há registro na literatura de um sistema de classificação de fraturas acetabulares pediátricas com esse nome. É mais um distrator para testar o conhecimento específico do candidato.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Bucholz e colaboradores é a classificação correta para fraturas do acetábulo em esqueleto imaturo. Essa classificação é específica para crianças e adolescentes e considera o padrão de fratura em relação à cartilagem trirradiada, sendo fundamental para orientar o tratamento e prever complicações como a displasia acetabular. É a resposta que a banca espera.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Watanabi e colaboradores não é uma classificação para fraturas do acetábulo. O nome Watanabi pode aparecer em outros contextos ortopédicos, mas não como autor de uma classificação de fraturas acetabulares pediátricas. É um distrator que não encontra respaldo na literatura.
A classificação de Bucholz é um marco no tratamento das fraturas do acetábulo em crianças, pois reconhece a importância da cartilagem trirradiada e o risco de displasia acetabular. Memorize essa associação: acetábulo imaturo = Bucholz.