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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728553
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Homem de 72 anos, hipertenso e ex-tabagista, é avaliado para tratamento de aneurisma de aorta abdominal infrarrenal com diâmetro máximo de 6,2 cm. A angiotomografia computadorizada préoperatória demonstra:• colo proximal com angulação de 70° e configuração reverso-cônica;• ilíacas externas medindo 6 mm à direita e 7 mm à esquerda;• calcificação anterior da artéria femoral comum superior a 50% da circunferência à direita.Considerando o planejamento pré-procedimento e o seguimento pós-operatório do reparo endovascular do aneurisma de aorta abdominal, qual é a conduta mais adequada?
  1. AProsseguir com reparo endovascular padrão, pois a angulação do colo proximal não interfere no risco de falha de selagem ou de endofuga.
  2. BPriorizar o acesso femoral direito, uma vez que calcificações extensas da artéria femoral comum não interferem no uso de dispositivos percutâneos.
  3. CConsiderar técnicas endovasculares avançadas, como técnica em chaminé ou dispositivos fenestrados, adaptando a estratégia ao colo proximal hostil, e planejar vigilância radiológica rigorosa com angiotomografia em 1–3 meses, 6 meses, 12 meses e, se estável, acompanhamento anual.
  4. DNa ausência de trombo significativo no colo proximal, realizar seguimento inicial exclusivamente com ultrassonografia, dispensando controle tomográfico no primeiro ano.
  5. EO diâmetro das ilíacas externas contraindica o reparo endovascular, sendo mandatória a indicação de cirurgia aberta.
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GabaritoC — Considerar técnicas endovasculares avançadas, como técnica em chaminé ou dispositivos fenestrados, adaptando a estratégia ao colo proximal hostil, e planejar vigilância radiológica rigorosa com angiotomografia em 1–3 meses, 6 meses, 12 meses e, se estável, acompanhamento anual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aneurisma de aorta abdominal infrarrenal: planejamento do EVAR e seguimento pós-operatório

Gabarito: letra C. O paciente apresenta um colo proximal hostil (angulação de 70° e configuração reverso-cônica), o que aumenta o risco de falha de selagem e endofuga. A conduta mais adequada é considerar técnicas endovasculares avançadas (chaminé, fenestradas) e planejar vigilância radiológica rigorosa com angiotomografia em 1–3 meses, 6 meses, 12 meses e, se estável, acompanhamento anual. Essa abordagem está alinhada com as diretrizes de tratamento do aneurisma de aorta abdominal, que preconizam o EVAR apenas para pacientes com anatomia favorável e que possam retornar para acompanhamento com exames de imagem seriados.

O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma dilatação focal da aorta, geralmente abaixo das artérias renais, com diâmetro superior a 3 cm. A aterosclerose é o principal fator etiológico, e o risco de ruptura aumenta exponencialmente com o diâmetro. No caso apresentado, o aneurisma tem 6,2 cm, bem acima do limiar de 5,5 cm para indicação de reparo, conforme as diretrizes. O reparo endovascular (EVAR) é uma alternativa ao reparo aberto, com menor mortalidade perioperatória, porém exige anatomia favorável e seguimento radiológico rigoroso para detectar complicações como endofugas e deslocamento da endoprótese.

O colo proximal é a região da aorta entre as artérias renais e o início do aneurisma. Para um EVAR padrão, o colo deve ter comprimento ≥ 15 mm, diâmetro entre 18 e 32 mm, angulação < 60° e formato cilíndrico ou levemente cônico. No paciente, a angulação de 70° e a configuração reverso-cônica (mais estreito distalmente) tornam o colo hostil, aumentando o risco de endofuga tipo I (falha de selagem proximal) e migração da endoprótese. Nesses casos, técnicas avançadas como a técnica em chaminé (chimney) ou endopróteses fenestradas permitem estender a zona de selagem proximal, preservando o fluxo para as artérias renais e mesentéricas.

O acesso vascular também é um ponto crítico. As ilíacas externas com 6 mm e 7 mm são consideradas pequenas, mas não contraindicam o EVAR, pois podem ser utilizados acessos alternativos (ilíaca comum, aorta, ou abordagem percutânea com dispositivos de fechamento). A calcificação anterior da artéria femoral comum superior a 50% da circunferência à direita é uma contraindicação relativa para o acesso percutâneo, pois aumenta o risco de complicações como dissecção, oclusão ou hematoma. Nesse caso, o acesso femoral esquerdo ou a exposição cirúrgica da artéria femoral (cutdown) são opções mais seguras.

O seguimento pós-EVAR é obrigatório e baseado em exames de imagem seriados. A angiotomografia é o exame padrão-ouro para avaliar a exclusão do aneurisma, a presença de endofugas, a migração da endoprótese e a variação do diâmetro do saco aneurismático. O protocolo recomendado é: angiotomografia em 1–3 meses, 6 meses, 12 meses e, se estável, anualmente. A ultrassonografia com Doppler pode ser uma alternativa em casos selecionados, mas não substitui a angiotomografia no primeiro ano, especialmente em colos hostis, onde o risco de endofuga é maior.

A pegadinha central desta questão é a combinação de um colo proximal hostil com a necessidade de seguimento rigoroso. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que minimize a complexidade do caso, como prosseguir com EVAR padrão ou dispensar o controle tomográfico. No entanto, a conduta correta é reconhecer a necessidade de técnicas avançadas e de vigilância radiológica intensiva, pois o risco de complicações é significativamente maior nesse cenário.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a angulação do colo proximal não interfere no risco de falha de selagem ou endofuga. Isso é falso: a angulação ≥ 60° é um dos principais fatores de risco para endofuga tipo I e migração da endoprótese. A angulação de 70° exige técnicas avançadas para garantir uma selagem adequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que calcificações extensas da artéria femoral comum não interferem no uso de dispositivos percutâneos. Isso é falso: calcificação > 50% da circunferência é uma contraindicação relativa para o acesso percutâneo, pois aumenta o risco de complicações vasculares. O acesso femoral direito deve ser evitado, preferindo-se o esquerdo ou a exposição cirúrgica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reconhece o colo proximal hostil (angulação 70° e reverso-cônico) e propõe técnicas endovasculares avançadas (chaminé, fenestradas) para garantir a selagem proximal. Além disso, planeja vigilância radiológica rigorosa com angiotomografia em 1–3 meses, 6 meses, 12 meses e, se estável, anualmente. Essa é a conduta mais adequada, pois o risco de endofuga e migração é alto nesse cenário, e o seguimento tomográfico é essencial para detectar e tratar precocemente essas complicações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, na ausência de trombo significativo, o seguimento inicial pode ser feito exclusivamente com ultrassonografia, dispensando o controle tomográfico no primeiro ano. Isso é falso: a angiotomografia é o exame padrão-ouro no seguimento pós-EVAR, especialmente no primeiro ano, para avaliar endofugas e a exclusão do aneurisma. A ultrassonografia pode ser uma alternativa em casos selecionados, mas não substitui a angiotomografia inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o diâmetro das ilíacas externas contraindica o EVAR, sendo mandatória a cirurgia aberta. Isso é falso: ilíacas externas com 6 mm e 7 mm são pequenas, mas não contraindicam o EVAR. Existem opções de acesso alternativas (ilíaca comum, aorta, ou abordagem percutânea com dispositivos de fechamento) e endopróteses de perfil baixo que podem ser utilizadas. A cirurgia aberta não é mandatória nesse caso.

Gabarito: letra C — a conduta mais adequada é considerar técnicas endovasculares avançadas para o colo proximal hostil e planejar vigilância radiológica rigorosa com angiotomografia seriada.

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