Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728554
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Segundo as recomendações contemporâneas de avaliação pré-procedimento para intervenções endovasculares, assinale a alternativa que descreve corretamente um componente obrigatório do preparo pré-operatório.
ARevisão de exames laboratoriais é opcional em pacientes idosos se o procedimento for guiado por ultrassom.
BO consentimento informado pode ser obtido por qualquer membro da equipe, desde que o documento seja assinado.
CA avaliação prévia da função renal é essencial quando haverá uso de contraste iodado intra-arterial, especialmente em idosos, diabéticos ou portadores de doença renal.
DA revisão de imagens prévias só é necessária em casos de procedimentos de grande porte, como EVAR (reparo endovascular de aneurisma).
EA suspensão de anticoagulantes deve ocorrer sempre por período fixo de 5 dias, independentemente do tipo de procedimento.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — A avaliação prévia da função renal é essencial quando haverá uso de contraste iodado intra-arterial, especialmente em idosos, diabéticos ou portadores de doença renal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Avaliação pré-procedimento em intervenções endovasculares
Gabarito: letra C. A avaliação prévia da função renal é componente essencial do preparo pré-operatório quando há previsão de uso de contraste iodado intra-arterial, especialmente em pacientes idosos, diabéticos ou portadores de doença renal — grupos de maior risco para nefropatia induzida por contraste (NIC). Essa conduta está alinhada às recomendações contemporâneas de avaliação pré-procedimento, que priorizam a identificação de fatores de risco e a adoção de medidas de proteção renal antes da exposição ao contraste.
A avaliação pré-operatória para procedimentos endovasculares é um processo sistemático que visa estratificar o risco cardiovascular e renal do paciente, otimizar condições clínicas e planejar estratégias para reduzir complicações. Diferentemente da avaliação para cirurgia aberta, os procedimentos endovasculares têm particularidades: uso de contraste iodado, acesso vascular percutâneo e, frequentemente, necessidade de suspensão temporária de anticoagulantes e antiagregantes. O preparo adequado envolve anamnese e exame físico completos, revisão de exames laboratoriais (incluindo função renal, coagulação e hemograma), avaliação de imagens prévias para planejamento do acesso e do procedimento, e obtenção de consentimento informado esclarecido.
A função renal merece atenção especial porque o contraste iodado é nefrotóxico, e a NIC é uma das principais causas de insuficiência renal aguda iatrogênica. O risco é particularmente elevado em idosos (pela redução fisiológica da taxa de filtração glomerular), diabéticos (especialmente com nefropatia diabética) e portadores de doença renal crônica. A avaliação prévia permite: (1) identificar pacientes de risco; (2) instituir medidas profiláticas como hidratação adequada, suspensão de drogas nefrotóxicas (AINEs, metformina em alguns casos) e uso de contraste de baixa osmolaridade ou substituição por CO2 em casos selecionados; (3) planejar o procedimento com menor volume de contraste possível.
A suspensão de anticoagulantes, por sua vez, não segue um prazo fixo universal de 5 dias. O manejo perioperatório de anticoagulantes é individualizado, baseado no risco de sangramento do procedimento e no risco trombótico do paciente. Para a varfarina, por exemplo, a suspensão costuma ocorrer 4 a 5 dias antes do procedimento, com monitorização da INR, mas para os anticoagulantes orais diretos (DOACs) o intervalo varia conforme a função renal e o risco de sangramento do procedimento. Procedimentos de baixo risco de sangramento podem ser realizados com anticoagulação plena ou com suspensão apenas no dia do procedimento.
A revisão de imagens prévias é recomendada em todos os procedimentos endovasculares, não apenas nos de grande porte como EVAR. A análise de tomografias, angiorressonâncias ou angiografias anteriores é fundamental para o planejamento do acesso vascular, avaliação da anatomia e escolha do material adequado. Mesmo em procedimentos considerados de menor complexidade, como angioplastia de membro inferior, a revisão de imagens prévias pode revelar detalhes anatômicos que alteram a conduta.
O consentimento informado é um processo que envolve a explicação clara dos riscos, benefícios e alternativas do procedimento, e deve ser obtido pelo médico responsável pela realização do procedimento ou por profissional devidamente capacitado e autorizado, não por qualquer membro da equipe. A assinatura do documento é apenas a formalização do consentimento, que precisa ser precedida de esclarecimento adequado. A revisão de exames laboratoriais, por fim, não é opcional em pacientes idosos, mesmo em procedimentos guiados por ultrassom, pois a avaliação laboratorial é parte integrante da avaliação pré-operatória, independentemente da modalidade de imagem utilizada.
Guarde o critério decisivo: a avaliação pré-procedimento é individualizada e baseada em risco, e a função renal é um pilar obrigatório quando há contraste iodado — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Avaliação pré-procedimento endovascular
1Componentes obrigatórios
Anamnese e exame físico
Exames laboratoriais
função renal, coagulação, hemograma
Revisão de imagens prévias
Consentimento informado (médico responsável)
2Função renal (contraste iodado)
Grupos de risco
Idosos
Diabéticos
Doença renal
Medidas profiláticas
Hidratação
Suspender nefrotóxicos
Contraste de baixa osmolaridade
3Manejo de anticoagulantes
Individualizado
Risco de sangramento × risco trombótico
Varfarina: suspensão 4-5 dias
DOACs: varia com função renal
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a revisão de exames laboratoriais é opcional em idosos se o procedimento for guiado por ultrassom. Isso está errado: a avaliação laboratorial é parte integrante da avaliação pré-operatória de qualquer paciente, independentemente da modalidade de imagem utilizada. Em idosos, a avaliação é ainda mais importante devido à maior prevalência de comorbidades e à menor reserva fisiológica. O fato de o procedimento ser guiado por ultrassom não elimina a necessidade de exames laboratoriais, que avaliam função renal, coagulação, hemograma e outros parâmetros essenciais para a segurança do procedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o consentimento informado pode ser obtido por qualquer membro da equipe, desde que o documento seja assinado. Isso está errado: o consentimento informado é um processo que envolve a explicação clara dos riscos, benefícios e alternativas do procedimento, e deve ser obtido pelo médico responsável pela realização do procedimento ou por profissional devidamente capacitado e autorizado. A assinatura do documento é apenas a formalização do consentimento, que precisa ser precedida de esclarecimento adequado. A obtenção do consentimento por qualquer membro da equipe, sem a devida capacitação, compromete a validade do processo e a autonomia do paciente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A avaliação prévia da função renal é essencial quando haverá uso de contraste iodado intra-arterial, especialmente em idosos, diabéticos ou portadores de doença renal. Essa é uma recomendação fundamental das diretrizes de avaliação pré-procedimento, pois o contraste iodado é nefrotóxico e a NIC é uma complicação grave e prevenível. A avaliação da função renal (creatinina, taxa de filtração glomerular estimada) permite identificar pacientes de risco e instituir medidas profiláticas, como hidratação adequada, suspensão de drogas nefrotóxicas e uso de contraste de baixa osmolaridade ou substituição por CO2 em casos selecionados. A alternativa está correta ao destacar os grupos de maior risco (idosos, diabéticos e portadores de doença renal) e a essencialidade da avaliação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a revisão de imagens prévias só é necessária em casos de procedimentos de grande porte, como EVAR. Isso está errado: a revisão de imagens prévias é recomendada em todos os procedimentos endovasculares, independentemente do porte. A análise de tomografias, angiorressonâncias ou angiografias anteriores é fundamental para o planejamento do acesso vascular, avaliação da anatomia e escolha do material adequado. Mesmo em procedimentos considerados de menor complexidade, como angioplastia de membro inferior, a revisão de imagens prévias pode revelar detalhes anatômicos que alteram a conduta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a suspensão de anticoagulantes deve ocorrer sempre por período fixo de 5 dias, independentemente do tipo de procedimento. Isso está errado: o manejo perioperatório de anticoagulantes é individualizado, baseado no risco de sangramento do procedimento e no risco trombótico do paciente. Para a varfarina, a suspensão costuma ocorrer 4 a 5 dias antes do procedimento, com monitorização da INR, mas para os anticoagulantes orais diretos (DOACs) o intervalo varia conforme a função renal e o risco de sangramento do procedimento. Procedimentos de baixo risco de sangramento podem ser realizados com anticoagulação plena ou com suspensão apenas no dia do procedimento. A alternativa erra ao generalizar um prazo fixo para todos os casos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a generalização indevida de prazos e condutas. A alternativa E tenta fazer o candidato acreditar que a suspensão de anticoagulantes segue um prazo fixo universal de 5 dias, quando na verdade o manejo é individualizado. Da mesma forma, a alternativa D generaliza a necessidade de revisão de imagens apenas para procedimentos de grande porte. Fique atento a termos como "sempre", "qualquer" e "independentemente" — eles costumam sinalizar generalizações incorretas. Com treino, você identifica essas armadilhas de longe 💪