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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg728565
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Sobre os anticoagulantes, antiplaquetários e agentes fibrinolíticos utilizados na prática clínica e intervencionista, assinale a alternativa correta considerando mecanismos de ação, monitorização laboratorial e manejo perioperatório.
  1. AAnticoagulantes orais diretos podem ser monitorados com precisão por testes convencionais de coagulação, como o tempo de protrombina e o tempo de tromboplastina parcial.
  2. BA varfarina exerce ação anticoagulante por inibição direta de fatores de coagulação, com início de efeito imediato, permitindo ajustes eficazes nas primeiras horas.
  3. CA fibrinólise sistêmica promove a formação de fibrina estável, contribuindo para a hemostasia.
  4. DOs inibidores do receptor plaquetário P2Y12 reduzem a agregação mediada por ADP e requerem suspensão alguns dias antes de procedimentos com maior risco hemorrágico.
  5. EA heparina não fracionada apresenta meia-vida prolongada, exigindo suspensão com grande antecedência antes de procedimentos invasivos.
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GabaritoD — Os inibidores do receptor plaquetário P2Y12 reduzem a agregação mediada por ADP e requerem suspensão alguns dias antes de procedimentos com maior risco hemorrágico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anticoagulantes, antiplaquetários e fibrinolíticos: mecanismos e manejo perioperatório

Gabarito: letra D. Os inibidores do receptor plaquetário P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor) bloqueiam a agregação plaquetária mediada por ADP e, por isso, precisam ser suspensos dias antes de procedimentos com alto risco hemorrágico — exatamente o que a alternativa afirma. As demais opções erram ao inverter mecanismos de ação, monitorização e farmacocinética dessas drogas.

O tema central é a farmacologia dos antitrombóticos — anticoagulantes, antiplaquetários e fibrinolíticos — e como suas diferenças de mecanismo, monitorização e meia-vida impactam o manejo perioperatório. Vamos destrinchar cada classe para que a análise das alternativas fique clara.

Anticoagulantes orais diretos (DOACs): inibem diretamente um fator específico da coagulação — a dabigatrana inibe a trombina (fator IIa), enquanto rivaroxabana, apixabana e edoxabana inibem o fator Xa. A grande questão prática é que não há monitorização laboratorial de rotina para esses agentes: os testes convencionais (TP e TTPa) não refletem com precisão seu efeito anticoagulante. Em situações de emergência, podem ser usados testes específicos (como atividade anti-Xa calibrada ou tempo de trombina diluído), mas não são a prática padrão. No perioperatório, a suspensão varia: dabigatrana de 48 a 96 horas conforme a função renal; rivaroxabana, apixabana e edoxabana, cerca de 48 horas antes.

Varfarina (antagonista da vitamina K): age inibindo a enzima que reduz a vitamina K, impedindo a carboxilação (ativação) dos fatores II, VII, IX e X. Não é inibição direta de fatores já formados — por isso o início de ação é lento, levando dias para atingir efeito terapêutico pleno, e a suspensão deve ocorrer cerca de 5 dias antes do procedimento para que o INR normalize (< 1,5). A monitorização é feita pelo TP/INR, que avalia justamente os fatores dependentes de vitamina K.

Fibrinolíticos (trombolíticos): como alteplase, tenecteplase e estreptoquinase, convertem o plasminogênio em plasmina, que degrada a fibrina dos coágulos — ou seja, dissolvem o trombo, não formam fibrina. São usados em AVC isquêmico agudo, IAM com supra de ST e embolia pulmonar maciça.

Antiplaquetários: inibem a ativação/agregação plaquetária. O AAS inibe a COX-1, bloqueando a síntese de tromboxano A2. Os inibidores de P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor, cangrelor) bloqueiam o receptor plaquetário P2Y12, impedindo a agregação mediada por ADP. Como as plaquetas têm meia-vida de 7 a 10 dias, a suspensão precisa ser planejada: clopidogrel ≥ 5 dias, prasugrel ≥ 7 dias, ticagrelor ≥ 3 dias, cangrelor (intravenoso, de ação ultracurta) apenas 1 hora antes.

Heparina não fracionada (HNF): tem meia-vida curta (1 a 2 horas), sendo interrompida cerca de 6 horas antes do procedimento. A heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) tem meia-vida maior, sendo suspensa 12 a 24 horas antes. O fondaparinux tem meia-vida de 17 a 21 horas e não é recomendado para ponte perioperatória justamente por isso.

A pegadinha central desta questão é a inversão de propriedades: a banca troca o que é característico de uma classe pela outra — DOACs que "podem ser monitorados com precisão" (não podem), varfarina com "início imediato" (é lento), fibrinólise que "forma fibrina" (degrada), HNF com "meia-vida prolongada" (é curta). A única alternativa que descreve corretamente um mecanismo e sua consequência prática é a D.

Classe

Mecanismo de ação

Monitorização laboratorial

Suspensão pré-operatória

Varfarina

Antagonista da vitamina K (inibição indireta da ativação dos fatores II, VII, IX, X)

TP/INR

~5 dias (INR < 1,5)

DOACs (dabigatrana, rivaroxabana, apixabana, edoxabana)

Inibição direta do fator IIa (dabigatrana) ou Xa (demais)

Sem monitorização de rotina (testes convencionais não refletem o efeito)

48–96h (dabigatrana conforme função renal; demais ~48h)

Heparina não fracionada (HNF)

Potencialização da antitrombina III (inativação de trombina e fator Xa)

TTPa

~6h (meia-vida curta: 1–2h)

Heparina de baixo peso molecular (HBPM)

Potencialização da antitrombina III (inibição preferencial do fator Xa)

Atividade anti-Xa (se necessário)

12–24h

Inibidores de P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor)

Bloqueio do receptor plaquetário P2Y12 (reduz agregação mediada por ADP)

Sem teste de rotina (agregometria em casos específicos)

Clopidogrel ≥ 5 dias; prasugrel ≥ 7 dias; ticagrelor ≥ 3 dias

Fibrinolíticos (alteplase, tenecteplase, estreptoquinase)

Conversão do plasminogênio em plasmina (degrada fibrina dos coágulos)

Não se aplica (uso agudo)

Não se aplica (emergência)

1Anticoagulantes
Varfarina (TP/INR, suspensão 5 dias)
DOACs (sem monitorização rotineira, 48-96h)
HNF (TTPa, suspensão 6h)
HBPM (12-24h)
2Antiplaquetários
AAS (COX-1)
P2Y12 (ADP, suspensão 3-7 dias)
3Fibrinolíticos
Plasmina degrada fibrina
Antitrombóticos
LEVELsoulevel.com.br
Antitrombóticos: Anticoagulantes (Varfarina (TP/INR, suspensão 5 dias), DOACs (sem monitorização rotineira, 48-96h), HNF (TTPa, suspensão 6h), HBPM (12-24h)); Antiplaquetários (AAS (COX-1), P2Y12 (ADP, suspensão 3-7 dias)); Fibrinolíticos (Plasmina degrada fibrina)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os anticoagulantes orais diretos (DOACs) podem ser monitorados com precisão por testes convencionais como TP e TTPa. Erro: os DOACs não têm monitorização de rotina por esses testes — o TP e o TTPa não refletem com acurácia seu efeito anticoagulante. A monitorização convencional (TP/INR) é própria da varfarina; o TTPa é usado para heparina não fracionada. Para DOACs, quando necessário, usam-se testes específicos (atividade anti-Xa calibrada, tempo de trombina diluído), não os testes de triagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a varfarina inibe diretamente fatores de coagulação com início de efeito imediato. Erro duplo: a varfarina é um antagonista da vitamina K, inibindo indiretamente a ativação dos fatores II, VII, IX e X (depende da depleção dos fatores já circulantes); seu início de ação é lento, levando dias para atingir efeito terapêutico. Não há inibição direta nem efeito imediato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a fibrinólise sistêmica promove a formação de fibrina estável, contribuindo para a hemostasia. Erro: a fibrinólise faz exatamente o oposto — ativa a plasmina, que degrada a fibrina dos coágulos, dissolvendo trombos. Formação de fibrina estável é função da cascata de coagulação, não dos fibrinolíticos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que os inibidores do receptor plaquetário P2Y12 reduzem a agregação mediada por ADP e requerem suspensão alguns dias antes de procedimentos com maior risco hemorrágico. Correto: clopidogrel, prasugrel e ticagrelor bloqueiam o receptor P2Y12, impedindo a agregação plaquetária induzida por ADP. Como o efeito persiste por dias (vida plaquetária de 7 a 10 dias), a suspensão pré-operatória é necessária: clopidogrel ≥ 5 dias, prasugrel ≥ 7 dias, ticagrelor ≥ 3 dias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a heparina não fracionada (HNF) tem meia-vida prolongada, exigindo suspensão com grande antecedência. Erro: a HNF tem meia-vida curta (1 a 2 horas), sendo suspensa apenas cerca de 6 horas antes do procedimento. Quem tem meia-vida mais longa é a heparina de baixo peso molecular (enoxaparina, 12 a 24 horas de suspensão) e, principalmente, o fondaparinux (17 a 21 horas), que por isso não é usado para ponte perioperatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte sistematicamente as propriedades farmacológicas: DOACs que "podem ser monitorados" (não podem), varfarina com "início imediato" (é lento), fibrinólise que "forma fibrina" (degrada), HNF com "meia-vida prolongada" (é curta). O candidato que decora meias-verdades cai em pelo menos uma delas. A chave é associar cada classe ao seu mecanismo e à sua monitorização correta — e lembrar que antiplaquetários P2Y12 realmente exigem suspensão de dias antes de cirurgias de risco.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental com as três classes e seus pontos-chave: anticoagulantes (varfarina = TP/INR, suspensão 5 dias; DOACs = sem monitorização de rotina, suspensão 48-96h; HNF = TTPa, suspensão 6h; enoxaparina = 12-24h), antiplaquetários (AAS = COX-1; P2Y12 = ADP, suspensão 3-7 dias) e fibrinolíticos (plasmina, degradam fibrina). Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra D

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