Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728572
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Em relação à insuficiência venosa crônica e ao manejo intervencionista das varizes dos membros inferiores, assinale a alternativa correta, considerando fisiopatologia, classificação clínica e opções terapêuticas atuais.
AA classificação clínica da doença venosa baseiase apenas nos sintomas, não incorporando dados anatômicos ou etiológicos.
BA presença de refluxo segmentar da veia safena magna indica tratamento intervencionista imediato, independentemente da correlação clínica.
CA ablação endovenosa apresenta eficácia semelhante à cirurgia aberta, com menor morbidade e recuperação funcional mais rápida em pacientes selecionados.
DA escleroterapia com espuma apresenta taxas de oclusão superiores às técnicas endovenosas térmicas para varizes tronculares.
EO estudo venográfico invasivo é obrigatório antes de qualquer decisão terapêutica em varizes primárias.
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GabaritoC — A ablação endovenosa apresenta eficácia semelhante à cirurgia aberta, com menor morbidade e recuperação funcional mais rápida em pacientes selecionados.
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Insuficiência venosa crônica e manejo intervencionista das varizes
Gabarito: letra C. A ablação endovenosa (laser ou radiofrequência) apresenta eficácia semelhante à cirurgia aberta convencional, porém com menor morbidade, menos dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades em pacientes selecionados — é o que sustenta a alternativa correta. As demais opções distorcem a classificação CEAP, a indicação terapêutica, a eficácia da escleroterapia e o papel da venografia.
A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma síndrome decorrente da incompetência valvular e/ou obstrução do sistema venoso superficial ou profundo dos membros inferiores, levando à hipertensão venosa ambulatorial. As varizes — veias dilatadas, tortuosas e superficiais — são sua manifestação mais comum, acometendo mais da metade dos homens e dois terços das mulheres, com predileção pelo sistema da safena magna (5 a 6 vezes mais acometido que a safena parva). A fisiopatologia envolve a degeneração da parede venosa com dilatação e incompetência valvular, comprometendo o retorno sanguíneo que depende das válvulas e da bomba muscular da panturrilha.
A classificação clínica mais utilizada é a CEAP, que avalia quatro dimensões: Clínica, Etiológica, Anatômica e Patofisiológica. A dimensão clínica (C0 a C6) gradua desde ausência de sinais até úlcera venosa aberta, conforme a tabela abaixo:
Classe
Achado clínico
C0
Ausência de sinais de doença venosa
C1
Teleangiectasias e veias reticulares
C2
Veias varicosas
C3
Edema
C4a
Pigmentação, eczema
C4b
Dermatoesclerose ou atrofia branca
C5
Úlcera venosa cicatrizada
C6
Úlcera venosa aberta
O tratamento das varizes primárias é cirúrgico quando há indicação, mas a decisão terapêutica não se baseia apenas na presença de refluxo — exige correlação clínica. As opções incluem cirurgia aberta (ligadura e ressecção da safena), ablação endovenosa térmica (laser ou radiofrequência) e escleroterapia com espuma. A ablação endovenosa ganhou espaço por ser menos invasiva, com menor morbidade e recuperação mais rápida, mantendo eficácia comparável à cirurgia aberta em pacientes selecionados. A escleroterapia com espuma, por sua vez, é mais indicada para varizes reticulares, teleangiectasias e recidivas, não superando as técnicas térmicas em varizes tronculares. A venografia invasiva é reservada para casos complexos, como suspeita de malformações ou obstruções profundas, não sendo obrigatória na avaliação inicial de varizes primárias.
A pegadinha central desta questão está na inversão de conceitos: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a classificação clínica ignora dados anatômicos (quando a CEAP os incorpora), que refluxo isolado indica intervenção imediata (quando a correlação clínica é indispensável) e que a escleroterapia supera as técnicas térmicas em tronculares (quando ocorre o oposto). Guarde a fronteira entre o que é indicação baseada em evidência e o que é exagero ou inversão — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Afirma que a classificação clínica da doença venosa se baseia apenas nos sintomas, sem incorporar dados anatômicos ou etiológicos. Isso contraria a classificação CEAP, que é justamente um sistema Clínico-Etiológico-Anatômico-Patofisiológico. A dimensão clínica (C0–C6) é apenas uma das quatro; a classificação completa integra etiologia (primária, secundária, congênita), anatomia (superficial, profunda, perfurante) e fisiopatologia (refluxo, obstrução). A alternativa erra ao reduzir a classificação a um único eixo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que refluxo segmentar da safena magna indica tratamento intervencionista imediato, independentemente da correlação clínica. Isso é falso: a presença de refluxo ao Doppler é um achado anatômico que só ganha significado terapêutico quando correlacionado com sintomas e exame físico. Muitos pacientes com refluxo são assintomáticos ou têm queixas leves, sendo tratados conservadoramente com meias elásticas, elevação dos membros e mudanças de hábito. A indicação cirúrgica ou endovenosa exige sintomatologia relevante, varizes volumosas ou complicações (dermatite ocre, lipodermatoesclerose, úlcera). A alternativa ignora a hierarquia clínica sobre o achado de imagem.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ablação endovenosa (laser ou radiofrequência) apresenta eficácia semelhante à cirurgia aberta convencional em pacientes selecionados, com a vantagem de menor morbidade — menos dor, menos hematomas, menor risco de infecção — e recuperação funcional mais rápida, permitindo retorno precoce ao trabalho e às atividades habituais. Essa é a evidência consolidada na literatura vascular e o motivo pelo qual as técnicas endovenosas se tornaram primeira linha no tratamento das varizes tronculares com refluxo de safena. A alternativa espelha corretamente o estado da arte.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a escleroterapia com espuma apresenta taxas de oclusão superiores às técnicas endovenosas térmicas para varizes tronculares. É o inverso: para varizes tronculares (safena magna e parva), a ablação térmica (laser e radiofrequência) demonstra taxas de oclusão e recidiva superiores ou equivalentes à escleroterapia com espuma, que é mais eficaz para varizes reticulares, teleangiectasias e recidivas pós-cirúrgicas. A escleroterapia com espuma tem papel importante, mas não supera as técnicas térmicas no tratamento das veias tronculares.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o estudo venográfico invasivo é obrigatório antes de qualquer decisão terapêutica em varizes primárias. Isso é falso: a venografia é um exame invasivo, reservado para casos selecionados — suspeita de malformações venosas, obstrução venosa profunda, recidivas complexas ou planejamento de procedimentos específicos. Na avaliação inicial de varizes primárias, o exame de escolha é a ultrassonografia com Doppler colorido, que avalia refluxo, anatomia e diâmetros de forma não invasiva. A alternativa superestima o papel da venografia, que não é obrigatória na rotina.