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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg728574
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
No contexto do diagnóstico e da abordagem intervencionista da insuficiência arterial crônica dos membros inferiores, assinale a alternativa correta considerando evidências atuais e prática clínica.
  1. AA revascularização endovascular é indicada para todos os pacientes com doença arterial periférica, independentemente da presença de sintomas.
  2. BEm pacientes com claudicação funcionalmente limitante, a revascularização pode ser considerada após tratamento clínico otimizado e programas de exercício, sendo eficaz em lesões aortoilíacas ou femoropoplíteas selecionadas.
  3. CNa isquemia crônica ameaçadora de membro, a abordagem inicial deve ser exclusivamente clínica, reservando procedimentos para falha tardia.
  4. DUm índice tornozelo-braquial dentro da normalidade exclui doença arterial periférica significativa em todos os pacientes.
  5. EA cirurgia aberta deve ser priorizada em relação às técnicas endovasculares, independentemente da anatomia e do risco cirúrgico.
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GabaritoB — Em pacientes com claudicação funcionalmente limitante, a revascularização pode ser considerada após tratamento clínico otimizado e programas de exercício, sendo eficaz em lesões aortoilíacas ou femoropoplíteas selecionadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência arterial crônica dos membros inferiores: abordagem e revascularização

Gabarito: letra B. Na doença arterial periférica (DAP), a revascularização não é indicada para todos os pacientes, mas sim para casos selecionados — como claudicação funcionalmente limitante refratária ao tratamento clínico otimizado e à reabilitação com exercícios — sendo eficaz em lesões aortoilíacas ou femoropoplíteas específicas. Essa conduta está alinhada às diretrizes atuais de cardiologia e cirurgia vascular, que priorizam o tratamento clínico e a modificação de fatores de risco como primeira linha, reservando a revascularização para situações em que há limitação funcional significativa ou ameaça ao membro.

A doença arterial periférica é uma manifestação da aterosclerose que acomete principalmente os membros inferiores, com prevalência crescente com a idade — de 2 a 6% em adultos com menos de 60 anos até 20 a 30% em maiores de 70 anos. O diagnóstico é clínico, com anamnese e exame físico cuidadosos, e confirmado por exames não invasivos, sendo o índice tornozelo-braquial (ITB) o principal teste de triagem. A apresentação clássica é a claudicação intermitente — dor ou fraqueza muscular isquêmica provocada pelo esforço e aliviada pelo repouso —, mas apenas 10 a 15% dos pacientes apresentam essa síndrome clássica; cerca de 50% têm sintomas atípicos e 30 a 50% são assintomáticos. Essa variabilidade de apresentação é um dos motivos pelos quais o ITB é tão importante: um valor normal não exclui a doença em todos os pacientes, especialmente naqueles com calcificação arterial (como diabéticos e renais crônicos), em que o ITB pode ser falsamente elevado.

O tratamento da DAP tem dois objetivos fundamentais: reduzir o risco cardiovascular global e aliviar os sintomas. A base do manejo é a modificação agressiva dos fatores de risco — cessação do tabagismo (obrigatória), controle da hipertensão, dislipidemia e diabetes — associada ao uso de antiagregantes plaquetários e estatinas. Para a claudicação, o tratamento de primeira linha inclui programa de exercícios supervisionados (caminhada por pelo menos 30 a 45 minutos, 3 vezes por semana, por 12 semanas) e farmacoterapia com cilostazol, que melhora a capacidade de marcha, mas não previne eventos cardiovasculares. A pentoxifilina não é mais recomendada por não ser superior ao placebo. A revascularização — endovascular ou cirúrgica — é indicada quando há claudicação grave que limita as atividades diárias e é refratária ao tratamento conservador por cerca de 6 meses, ou quando há isquemia crônica ameaçadora de membro (dor em repouso, úlcera arterial, gangrena).

A escolha entre técnica endovascular e cirurgia aberta é complexa e individualizada, dependendo da anatomia da lesão, da extensão da doença, da expectativa de vida e das comorbidades do paciente. Em geral, lesões aortoilíacas e femoropoplíteas selecionadas são tratáveis por via endovascular com bons resultados, enquanto a cirurgia aberta (bypass) é preferida para lesões mais extensas ou difusas, especialmente quando há boa veia autóloga disponível. A decisão deve ser tomada por equipe interdisciplinar, considerando que ambas as abordagens têm taxas similares de mortalidade, amputação e recorrência em muitos cenários. Não existe uma regra absoluta de priorizar uma técnica sobre a outra — a individualização é a chave.

A isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI, do inglês chronic limb-threatening ischemia) é o estágio mais grave da DAP, caracterizada por dor em repouso, úlceras ou gangrena. Nesses casos, a abordagem inicial NÃO é exclusivamente clínica — a revascularização urgente é frequentemente necessária para salvar o membro, e o tratamento clínico otimizado é complementar, não substituto. A demora na revascularização aumenta o risco de amputação maior. Portanto, a alternativa C está incorreta ao afirmar que a abordagem inicial deve ser exclusivamente clínica.

A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a revascularização é universal (alternativa A) ou que a cirurgia aberta é sempre superior (alternativa E), quando na verdade a prática clínica é baseada em seleção criteriosa de pacientes e individualização da técnica. Guarde o princípio: tratamento clínico otimizado + exercícios primeiro; revascularização para casos selecionados com limitação funcional ou ameaça ao membro; escolha da técnica baseada em anatomia, risco e expectativa de vida.

Critério

Revascularização endovascular

Cirurgia aberta (bypass)

Indicação principal

Lesões aortoilíacas e femoropoplíteas selecionadas; claudicação limitante refratária ao tratamento clínico

Lesões extensas/difusas; boa veia autóloga disponível

Invasividade

Menos invasiva

Mais invasiva

Preferência em alto risco cirúrgico

Sim (frequentemente preferida)

Não (risco aumentado)

Regra de escolha

Individualizada (anatomia, risco, expectativa de vida)

Individualizada (anatomia, risco, expectativa de vida)

DAP: revascularização
  • 1Indicação
    • Claudicação limitante refratária
    • Isquemia ameaçadora de membro
  • 2Técnica
    • Endovascular (lesões selecionadas)
    • Cirurgia aberta (lesões extensas)
  • 3Primeira linha
    • Tratamento clínico otimizado
    • Exercícios supervisionados
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A revascularização endovascular não é indicada para todos os pacientes com DAP, independentemente de sintomas. A grande maioria dos pacientes assintomáticos ou com claudicação leve é tratada clinicamente, com modificação de fatores de risco, exercícios e farmacoterapia. A revascularização é reservada para casos selecionados: claudicação grave limitante refratária ao tratamento clínico, isquemia ameaçadora de membro ou impotência induzida por isquemia. A alternativa erra ao generalizar a indicação para todos os pacientes, ignorando a necessidade de sintomas e a falha do tratamento conservador.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete exatamente a prática clínica baseada em evidências. Em pacientes com claudicação funcionalmente limitante, a revascularização pode ser considerada após tratamento clínico otimizado e programas de exercício — ou seja, quando o tratamento conservador falhou em melhorar a capacidade de marcha e a qualidade de vida. Além disso, a eficácia é reconhecida em lesões aortoilíacas ou femoropoplíteas selecionadas, que são os territórios mais comumente tratados por via endovascular com bons resultados. A alternativa acerta ao condicionar a indicação à falha do tratamento clínico e à seleção anatômica adequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Na isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI), a abordagem inicial não é exclusivamente clínica. Pelo contrário, a revascularização urgente é frequentemente necessária para salvar o membro, e o tratamento clínico é complementar, não substituto. A demora na revascularização aumenta o risco de amputação maior. A alternativa inverte a lógica: em vez de reservar procedimentos para falha tardia, a revascularização deve ser considerada precocemente nos casos de ameaça ao membro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Um índice tornozelo-braquial (ITB) dentro da normalidade não exclui doença arterial periférica significativa em todos os pacientes. Em pacientes com calcificação arterial — como diabéticos, renais crônicos e idosos —, as artérias podem ser incompressíveis, resultando em ITB falsamente elevado (acima de 1,4), mesmo na presença de doença obstrutiva significativa. Nesses casos, exames complementares como o índice dedo-braquial (IDB) ou a ultrassonografia Doppler são necessários. A alternativa erra ao afirmar que o ITB normal exclui a doença em todos os pacientes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cirurgia aberta não deve ser priorizada em relação às técnicas endovasculares independentemente da anatomia e do risco cirúrgico. A escolha entre as duas abordagens é individualizada, considerando a anatomia da lesão (extensão, localização, calcificação), a disponibilidade de veia autóloga, a expectativa de vida e as comorbidades do paciente. Em muitos casos, a via endovascular é preferível por ser menos invasiva, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico. A alternativa erra ao ignorar a necessidade de individualização e ao afirmar uma superioridade absoluta da cirurgia aberta.

Gabarito: letra B

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