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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qg728575
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Mulher de 45 anos, vítima de trauma de alta energia, chega ao pronto atendimento com fraturas pélvicas instáveis, hipotensão persistente e necessidade contínua de transfusão. O exame FAST não evidencia líquido livre intra-abdominal. Após estabilização inicial, a tomografia computadorizada com contraste demonstra extravasamento de contraste em território arterial pélvico, sem outras fontes de sangramento identificáveis.Considerando o manejo atual do choque hemorrágico de origem pélvica, o próximo passo mais adequado é
  1. Arepetir a TC com contraste em 6 horas para confirmar se o extravasamento persiste antes de qualquer intervenção.
  2. Brealizar laparotomia exploradora imediata, mesmo com FAST negativo, pois toda instabilidade deve ser tratada cirurgicamente.
  3. Cencaminhar imediatamente para angiografia e embolização arterial pélvica seletiva ou bilateral, conforme achados.
  4. Dindicar apenas fixação externa da pelve e observação em UTI, pois a estabilização óssea controla a maioria dos sangramentos.
  5. Einserir filtro de veia cava inferior profilático para reduzir sangramento venoso e risco tromboembólico agudo.
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GabaritoC — encaminhar imediatamente para angiografia e embolização arterial pélvica seletiva ou bilateral, conforme achados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma pélvico com choque hemorrágico: manejo da hemorragia pélvica

Gabarito: letra C. Em paciente com fratura pélvica instável, hipotensão persistente e extravasamento de contraste em território arterial pélvico na TC, sem outra fonte de sangramento identificável, o próximo passo é a angiografia com embolização arterial seletiva ou bilateral — a conduta padrão para controle do sangramento arterial pélvico, conforme os princípios do damage control e do ATLS. As demais alternativas propõem condutas inadequadas: repetir a TC, laparotomia sem indicação, apenas estabilização óssea ou filtro de veia cava, nenhuma das quais trata diretamente a hemorragia arterial ativa.

O choque hemorrágico no trauma pélvico é uma das situações mais desafiadoras da emergência. A pelve, por sua anatomia, pode abrigar sangramentos volumosos no espaço retroperitoneal — exatamente onde o FAST tem baixa sensibilidade, como aponta o material de apoio: o FAST "não identifica adequadamente sangramentos retroperitoneais". Por isso, um FAST negativo não exclui hemorragia pélvica, e a TC com contraste, em paciente estável ou estabilizado, é o método que identifica o sítio do sangramento, sendo o "método não invasivo padrão-ouro para avaliação de lesões traumáticas de vísceras abdominais" e complementando o FAST na avaliação do retroperitônio.

O manejo inicial segue o ABCDE do trauma. Na letra C (circulação), além da reposição volêmica com hemoderivados e do uso de ácido tranexâmico (1 g EV em 10 min, seguido de 1 g em 8 h, se dentro de 3 h do trauma), o controle mecânico da pelve é fundamental: "Pelves instáveis... devem ser imediatamente estabilizadas" com cinta pélvica ou lençol ao nível dos trocânteres maiores. Essa estabilização, porém, é provisória e "não controla a maioria dos sangramentos" de origem arterial — ela reduz o volume pélvico e auxilia na formação do coágulo, mas o sangramento arterial ativo, evidenciado pelo extravasamento de contraste na TC, exige intervenção definitiva.

A estratégia atual é o damage control resuscitation: "Administração precoce de hemoderivados, uso restritivo de cristaloides, uso de antifibrinolíticos, hipotensão permissiva e cirurgia para controle de danos". Dentro desse contexto, quando a TC mostra extravasamento arterial pélvico e o paciente permanece instável ou com necessidade transfusional, a angiografia com embolização é o procedimento de escolha. O material de apoio é explícito: "Em casos nos quais a hemorragia persistir, é necessária a embolização através de angiografia". A embolização pode ser seletiva (do vaso sangrante identificado) ou bilateral (das artérias ilíacas internas) quando o sangramento é difuso ou não se localiza com precisão.

A distinção crucial que separa as alternativas é: fonte de sangramento identificada na TC (arterial pélvica) + instabilidade → embolização. Não há indicação de laparotomia exploradora com FAST negativo e TC sem outra fonte — a cavidade abdominal não é o sítio do sangramento. A estabilização óssea isolada é insuficiente para sangramento arterial ativo. E o filtro de veia cava é medida de profilaxia tromboembólica, não de controle hemorrágico. Guarde esse fluxo: estabilização mecânica inicial → TC para identificar a fonte → se arterial pélvica, angiografia com embolização.

  1. 1Estabilização mecânica (cinta/lençol)
  2. 2Reposição + ácido tranexâmico
  3. 3FAST (exclui líquido intra-abdominal)
  4. 4TC com contraste (identifica fonte)
  5. 5Extravasamento arterial pélvico
  6. 6[+] Angiografia + embolização
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Repetir a TC em 6 horas para confirmar o extravasamento é conduta que atrasa o controle do sangramento em paciente instável. O extravasamento de contraste na TC já é indicação formal de intervenção — não se aguarda nova imagem. A repetição da TC poderia ser considerada em paciente estável para reavaliação, mas não diante de hipotensão persistente e necessidade transfusional contínua. A demora aumenta a morbimortalidade por choque hemorrágico prolongado e coagulopatia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A laparotomia exploradora imediata não está indicada com FAST negativo e TC demonstrando sangramento exclusivamente pélvico. O FAST negativo, neste contexto, aponta que a cavidade peritoneal não é a fonte do choque — o sangramento está no retroperitônio, acessível pela angiografia, não pela laparotomia. A laparotomia "para todo instável" é dogma superado: a cirurgia é indicada quando há fonte intra-abdominal ou quando o paciente está em extremis, mas a abordagem moderna prioriza a fonte identificada. Abrir o abdome sem indicação expõe o paciente a morbidade adicional e não controla o sangramento retroperitoneal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A angiografia com embolização arterial pélvica seletiva ou bilateral é a conduta correta. O extravasamento de contraste em território arterial pélvico na TC, em paciente com fratura pélvica instável e choque hemorrágico, é a indicação clássica de embolização. A embolização seletiva é preferida quando há um vaso específico sangrando; a bilateral (das artérias ilíacas internas) é opção quando o sangramento é difuso ou não localizável. O material de apoio confirma: "Em casos nos quais a hemorragia persistir, é necessária a embolização através de angiografia". Essa conduta é parte do tratamento definitivo, que envolve equipe multidisciplinar: cirurgião de trauma, ortopedista, radiologista intervencionista e cirurgião vascular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fixação externa da pelve e observação em UTI são insuficientes para sangramento arterial ativo. A estabilização mecânica (cinta, lençol, fixador externo) reduz o volume pélvico e auxilia na hemostasia por contrapressão, mas "não controla a maioria dos sangramentos" de origem arterial — o extravasamento de contraste na TC indica lesão arterial que não cessa com a estabilização óssea. A conduta seria adequada apenas se não houvesse evidência de sangramento arterial ativo e o paciente respondesse à estabilização e à reposição volêmica. Aqui, a hipotensão persistente e o extravasamento na TC demandam embolização.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O filtro de veia cava inferior profilático não tem papel no controle do sangramento pélvico agudo. Sua indicação é a prevenção de tromboembolismo pulmonar em pacientes com contraindicação à anticoagulação e alto risco de TVP — não é medida hemostática. No trauma pélvico grave, o risco de TVP é real, mas o filtro é considerado em fase posterior, após o controle do sangramento, e nunca como tratamento do choque hemorrágico. Além disso, "reduzir sangramento venoso" não é função do filtro; a hemorragia venosa pélvica é controlada por estabilização mecânica e contrapressão, não por filtro de cava.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as fontes de sangramento pélvico. O candidato pode pensar que "todo instável com fratura de pelve precisa de laparotomia" (alternativa B) ou que "a estabilização óssea resolve" (alternativa D). A chave é o extravasamento de contraste arterial na TC: isso define a fonte como arterial e a conduta como embolização. FAST negativo não exclui sangramento retroperitoneal — e é exatamente aí que a pegadinha mora. Com treino, você associa "extravasamento arterial na TC" diretamente a "angiografia + embolização" 💪.

PEGA ESSA DICA!

Monte o fluxo mental do trauma pélvico com choque: (1) estabilização mecânica imediata (cinta/lençol) + reposição com hemoderivados + ácido tranexâmico; (2) FAST para excluir líquido intra-abdominal; (3) se instável ou estabilizado, TC com contraste para identificar a fonte; (4) extravasamento arterial pélvico → angiografia com embolização seletiva ou bilateral; (5) laparotomia apenas se fonte intra-abdominal ou se instabilidade sem outra explicação. Esse fluxo resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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