Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg728578
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Paciente de 63 anos, com metástase hepática única de adenocarcinoma colorretal, apresenta lesão de 2,8 cm no segmento VII, sem doença extrahepática, após boa resposta ao tratamento sistêmico. Diante desse cenário, a equipe avalia tratamento local por método minimamente invasivo.Considerando critérios anatômicos e técnicos para terapias ablativas hepáticas, qual é a conduta mais adequada?
AContraindicar ablação, pois lesões >2 cm exigem ressecção cirúrgica obrigatoriamente.
BRealizar ablação por radiofrequência (RFA), desde que a lesão esteja a >3 mm de grandes vasos e seja possível obter margem ablativa de ≥5 mm.
COptar por ablação por micro-ondas (MWA) apenas em lesões centrais próximas ao hilo hepático.
DRealizar TARE (radioembolização), pois é o método de escolha para lesões únicas <3 cm.
EAdiar decisão até realização de nova TC em 3 meses, já que ablação só é recomendada após progressão.
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GabaritoB — Realizar ablação por radiofrequência (RFA), desde que a lesão esteja a >3 mm de grandes vasos e seja possível obter margem ablativa de ≥5 mm.
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Ablação térmica de metástases hepáticas colorretais
Gabarito: letra B. A ablação por radiofrequência (RFA) é uma opção válida e minimamente invasiva para metástase hepática única de adenocarcinoma colorretal, desde que respeitados critérios técnicos: lesão a mais de 3 mm de grandes vasos e possibilidade de margem ablativa de pelo menos 5 mm. A conduta se baseia nas diretrizes de tratamento do câncer colorretal metastático, que recomendam a ablação térmica para metástases hepáticas irressecáveis ou ressecáveis com alto risco cirúrgico, como é o caso do paciente em questão.
A ablação térmica é um método que utiliza calor ou frio para destruir células cancerígenas, sendo uma alternativa à ressecção cirúrgica em casos selecionados. No contexto de metástases hepáticas de câncer colorretal, a ablação por radiofrequência (RFA) e a ablação por micro-ondas (MWA) são as técnicas mais utilizadas. A escolha entre elas e a decisão de realizar o procedimento dependem de uma avaliação criteriosa da equipe multidisciplinar, considerando o tamanho, a localização e a relação da lesão com estruturas vasculares importantes.
A RFA é uma técnica consolidada, que consiste na aplicação de corrente alternada de alta frequência através de eletrodos posicionados no tumor, causando necrose de coagulação. Para que o procedimento seja eficaz e seguro, é fundamental que a lesão esteja a uma distância segura de grandes vasos (geralmente >3 mm), pois o efeito de "dissipação de calor" (heat sink) dos vasos adjacentes pode comprometer a ablação completa do tumor. Além disso, é necessário obter uma margem ablativa de pelo menos 5 mm ao redor da lesão, garantindo a destruição de células tumorais microscópicas e reduzindo o risco de recidiva local.
A ablação por micro-ondas (MWA) é uma tecnologia mais recente, que utiliza ondas eletromagnéticas para gerar altas temperaturas e destruir tumores de até 3 cm. Ela tem vantagens sobre a RFA, como ablações maiores, mais homogêneas e menos susceptíveis ao efeito heat sink. No entanto, a evidência para seu uso em metástases irressecáveis ainda é escassa, e a escolha entre RFA e MWA deve ser individualizada.
A TARE (radioembolização) é uma técnica de radioterapia interna seletiva, indicada principalmente para tumores hepáticos múltiplos ou irressecáveis, não sendo o método de escolha para lesões únicas <3 cm, onde a ablação térmica é mais adequada. A conduta de adiar a decisão até nova TC em 3 meses não se justifica, pois a ablação é recomendada após boa resposta ao tratamento sistêmico, como no caso apresentado.
A ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha para metástases hepáticas ressecáveis, mas não é obrigatória para lesões >2 cm, especialmente em pacientes com alto risco cirúrgico. A ablação térmica é uma alternativa válida, desde que respeitados os critérios técnicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os critérios de indicação da ablação térmica e da ressecção cirúrgica. O candidato pode pensar que lesões >2 cm exigem cirurgia, mas a ablação é uma opção válida para lesões de até 3 cm, desde que respeitados os critérios de segurança. Fique atento aos detalhes técnicos: distância de grandes vasos e margem ablativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que lesões >2 cm exigem ressecção cirúrgica obrigatoriamente. Isso é incorreto, pois a ablação térmica é uma opção válida para lesões de até 3 cm, especialmente em pacientes com alto risco cirúrgico. A ressecção é o tratamento de escolha, mas não é obrigatória, e a ablação pode ser utilizada em casos selecionados.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A RFA é uma opção válida para metástase hepática única de adenocarcinoma colorretal, desde que a lesão esteja a >3 mm de grandes vasos e seja possível obter margem ablativa de ≥5 mm. Esses critérios garantem a eficácia e segurança do procedimento, minimizando o risco de recidiva local e complicações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a MWA é indicada apenas para lesões centrais próximas ao hilo hepático. Isso é incorreto, pois a MWA pode ser utilizada em diversas localizações, e a escolha entre RFA e MWA depende de fatores como tamanho, localização e relação com estruturas vasculares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a TARE é o método de escolha para lesões únicas <3 cm. Isso é incorreto, pois a TARE é indicada principalmente para tumores hepáticos múltiplos ou irressecáveis, enquanto a ablação térmica é mais adequada para lesões únicas de pequeno tamanho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a ablação só é recomendada após progressão da doença. Isso é incorreto, pois a ablação térmica é recomendada após boa resposta ao tratamento sistêmico, como no caso apresentado, e não deve ser adiada.