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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg728580
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Paciente de 67 anos, no pós-operatório de colectomia, evolui com febre persistente e leucocitose. A tomografia contrastada evidencia coleção intra-abdominal profunda, com septações finas, pequeno nível gasoso e acesso seguro apenas por trajeto lateral, devido à interposição de alças intestinais.Considerando os princípios técnicos da drenagem percutânea guiada por imagem, qual é a conduta mais adequada?
  1. AOptar apenas por aspiração da coleção, pois o conteúdo gasoso contraindica a colocação de dreno.
  2. BRealizar drenagem por US, já que este método permite visualizar qualquer coleção profunda, mesmo com alças.
  3. CRealizar drenagem percutânea guiada por TC, utilizando técnica de Seldinger, para acesso seguro em coleção profunda com interposição de alças.
  4. DAdiar o procedimento e repetir a TC em 48 h, pois coleções com septações não se beneficiam de drenagem precoce.
  5. EContraindicar drenagem por risco absoluto de atravessar alças intestinais, devendo o caso ser tratado apenas com antibiótico.
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GabaritoC — Realizar drenagem percutânea guiada por TC, utilizando técnica de Seldinger, para acesso seguro em coleção profunda com interposição de alças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Drenagem percutânea guiada por imagem: técnica de Seldinger

Gabarito: letra C. Em coleções abdominais profundas com interposição de alças intestinais, a drenagem percutânea guiada por TC com técnica de Seldinger é a conduta mais adequada, pois permite planejar um trajeto seguro, evitando estruturas nobres e alças, e a troca progressiva de guias e dilatadores minimiza o risco de lesão. A TC é superior ao US para visualizar coleções profundas e planejar o acesso, e a presença de gás ou septações não contraindica a drenagem — pelo contrário, são indicações para ela.

A drenagem percutânea de abscessos intra-abdominais é um pilar do tratamento minimamente invasivo, especialmente em pacientes no pós-operatório, como o do caso. O objetivo é controlar o foco infeccioso (fonte da sepse) sem a morbidade de uma reabordagem cirúrgica. A escolha do método de imagem e da técnica de punção é determinada pela anatomia da coleção e pelas estruturas interpostas no trajeto.

A tomografia computadorizada (TC) é o método de escolha para guiar a drenagem de coleções profundas, pois oferece excelente resolução anatômica, permitindo identificar com precisão a coleção, suas relações com as alças intestinais, vasos e outros órgãos, e planejar um trajeto seguro. A ultrassonografia (US), embora útil para coleções superficiais e acessíveis, tem limitações importantes em coleções profundas, especialmente quando há interposição de alças intestinais com gás, que bloqueiam a passagem do feixe de ultrassom e dificultam a visualização.

A técnica de Seldinger é o método padrão para a drenagem percutânea. Ela consiste em: (1) punção da coleção com agulha fina sob guia de imagem; (2) passagem de um fio-guia através da agulha; (3) retirada da agulha, mantendo o fio no lugar; (4) dilatação progressiva do trajeto com dilatadores; e (5) introdução do cateter de drenagem sobre o fio-guia. Essa abordagem progressiva é fundamental para minimizar o trauma tecidual e o risco de lesão de estruturas interpostas, como alças intestinais, pois permite um acesso controlado e seguro.

A presença de septações na coleção não contraindica a drenagem. Embora septações possam dificultar a drenagem completa, o uso de cateteres de maior calibre, a irrigação e, em alguns casos, a instilação de fibrinolíticos podem ajudar a romper as septações e melhorar a drenagem. A presença de nível gasoso indica a presença de gás na coleção, o que é comum em abscessos causados por bactérias produtoras de gás ou por comunicação com o trato gastrointestinal, e também não contraindica a drenagem.

A conduta de adiar o procedimento ou tratar apenas com antibiótico é inadequada em um paciente com sepse de origem abdominal (febre persistente e leucocitose). O controle da fonte é essencial, e a drenagem percutânea é a opção menos invasiva para alcançá-lo. A aspiração simples sem colocação de dreno também é inadequada, pois não proporciona drenagem contínua e o abscesso tende a se reacumular.

A contraindicação absoluta à drenagem percutânea é rara. O risco de atravessar alças intestinais pode ser minimizado com um planejamento cuidadoso do trajeto, usando a TC para escolher uma janela segura. Em casos de trajeto impossível, a alternativa seria a drenagem cirúrgica, mas isso não é uma contraindicação absoluta à drenagem percutânea.

Guarde a fronteira entre TC e US e entre técnica de Seldinger e punção direta: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

  1. 1Punção com agulha fina
  2. 2Passagem do fio-guia
  3. 3Retirada da agulha
  4. 4Dilatação progressiva
  5. 5Introdução do cateter
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença de conteúdo gasoso na coleção não contraindica a colocação de dreno. Pelo contrário, o gás é um achado comum em abscessos e a drenagem é o tratamento de escolha. A aspiração simples, sem deixar um dreno, não proporciona drenagem contínua e o abscesso tende a se reacumular, sendo uma conduta inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ultrassonografia (US) não é o método ideal para visualizar coleções profundas com interposição de alças intestinais. O gás dentro das alças bloqueia a passagem do feixe de ultrassom, criando artefatos e dificultando a visualização da coleção. A TC é superior nesses casos, pois não é limitada pelo gás e oferece melhor resolução anatômica para planejar o trajeto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A drenagem percutânea guiada por TC com técnica de Seldinger é a conduta mais adequada. A TC permite identificar com precisão a coleção e as estruturas interpostas, planejando um trajeto seguro. A técnica de Seldinger, com punção por agulha fina e dilatação progressiva, minimiza o risco de lesão de alças intestinais e outras estruturas, sendo o método padrão para drenagem percutânea.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Adiar o procedimento e repetir a TC em 48 horas é inadequado em um paciente com sepse de origem abdominal (febre persistente e leucocitose). O controle da fonte é essencial, e a drenagem precoce é o tratamento de escolha. A presença de septações não contraindica a drenagem; pelo contrário, é uma indicação para ela, e o atraso pode levar à piora do quadro séptico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A drenagem percutânea não é contraindicada por risco absoluto de atravessar alças intestinais. Com o planejamento cuidadoso do trajeto, usando a TC, é possível escolher uma janela segura e minimizar o risco. O tratamento apenas com antibiótico, sem controle da fonte, é inadequado em um paciente com abscesso e sepse.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os métodos de imagem e as contraindicações da drenagem. O candidato pode achar que a presença de gás ou septações contraindica a drenagem, ou que o US é suficiente para qualquer coleção. Na verdade, a TC é superior para coleções profundas, e a presença de gás ou septações é uma indicação para drenagem, não uma contraindicação.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de drenagem percutânea, lembre-se: TC é o padrão-ouro para guiar drenagem de coleções profundas; técnica de Seldinger é o método padrão de acesso; gás e septações não contraindica a drenagem; e o controle da fonte é essencial no paciente séptico.

Gabarito: letra C

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