Questão de Medicina — Traumas — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Traumas
Código
qg728582
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Um paciente de 32 anos é admitido após colisão automobilística de alta energia. Após reposição inicial, encontra-se hemodinamicamente estável, porém apresenta dor abdominal difusa. Exame FAST positivo, e a tomografia computadorizada contrastada evidencia lesão hepática com extravasamento arterial ativo, sem indicação imediata de laparotomia.Considerando os princípios atuais do manejo endovascular no trauma abdominal, qual é a conduta mais apropriada nesse caso?
ANão realizar angiografia, pois todo paciente com FAST positivo deve ir diretamente para laparotomia.
BRealizar angiografia diagnóstica apenas se houver instabilidade hemodinâmica persistente.
CProceder com angiografia diagnóstica e possível embolização, uma vez que há blush arterial na TC (tomografia computadorizada).
DRepetir TC em 6 horas para confirmar extravasamento antes de angiografia.
EEvitar angiografia, pois presença de lesão hepática é contraindicação absoluta à intervenção endovascular.
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GabaritoC — Proceder com angiografia diagnóstica e possível embolização, uma vez que há blush arterial na TC (tomografia computadorizada).
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Manejo endovascular no trauma hepático contuso
Gabarito: letra C. Em paciente hemodinamicamente estável com lesão hepática contusa e extravasamento arterial ativo (blush) na tomografia, a conduta mais apropriada é a angiografia diagnóstica com possível embolização, pois essa abordagem aumenta a taxa de sucesso do tratamento não operatório — que é o padrão-ouro nesse cenário. A alternativa C espelha exatamente o que a literatura de trauma preconiza: o blush arterial na TC é indicação de arteriografia e embolização por radiologia intervencionista.
O trauma hepático contuso é uma das lesões mais comuns no trauma abdominal fechado, frequentemente associado a acidentes automobilísticos de alta energia. O fígado é o segundo órgão mais acometido no trauma abdominal contuso, atrás apenas do baço. A avaliação inicial segue o protocolo do ATLS, com exame físico, FAST e, no paciente estável, tomografia computadorizada com contraste — que é o padrão-ouro para confirmar e graduar a lesão hepática.
A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) gradua as lesões hepáticas de I a V, considerando também a presença ou ausência de extravasamento de contraste na fase arterial (blush). O tratamento não cirúrgico é atualmente o padrão-ouro para traumas hepáticos contusos em pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da AAST, embora as taxas de sucesso sejam maiores nos graus I a III e sem blush.
O ponto central desta questão é o manejo do blush arterial. Quando a TC evidencia extravasamento ativo de contraste (blush) em paciente estável, há indicação de arteriografia e embolização por radiologia intervencionista, pois isso aumenta a taxa de sucesso do tratamento não operatório. A decisão deve ser multidisciplinar, envolvendo cirurgião do trauma, emergencista, intensivista e radiologista intervencionista. Em pacientes instáveis, a laparotomia é mandatória, pois o tempo para exames aumenta a mortalidade.
A pegadinha da banca está em associar FAST positivo automaticamente à laparotomia. O FAST positivo indica líquido livre na cavidade abdominal, mas não define a conduta isoladamente — o que decide é o status hemodinâmico e os achados da TC. No paciente estável com blush, a embolização é a conduta preferencial, e não a cirurgia imediata.
Guarde a fronteira decisiva: estabilidade hemodinâmica + blush arterial na TC → angiografia com embolização; instabilidade hemodinâmica → laparotomia imediata. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Trauma hepático contuso
1Paciente estável
TC com blush arterial
Angiografia + embolização
Sem blush
Tratamento não operatório
2Paciente instável
Laparotomia imediata
3FAST positivo
Indica líquido livre
Não define conduta isoladamente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que todo paciente com FAST positivo deve ir diretamente para laparotomia. Isso é falso: o FAST positivo indica líquido livre, mas a conduta depende da estabilidade hemodinâmica. No paciente estável, a TC é realizada e, se houver blush, a embolização é a conduta preferencial. A laparotomia é reservada para instabilidade ou falha do tratamento não operatório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Condiciona a angiografia à instabilidade hemodinâmica persistente. Na verdade, a angiografia é indicada justamente no paciente estável com blush arterial na TC. Em paciente instável, a conduta é laparotomia imediata, não angiografia. A alternativa inverte a lógica do manejo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reflete exatamente a conduta preconizada: paciente estável com blush arterial na TC deve ser submetido a angiografia diagnóstica e possível embolização, aumentando a taxa de sucesso do tratamento não operatório. É a conduta mais apropriada no cenário descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Repetir a TC em 6 horas para confirmar o extravasamento é desnecessário e atrasa a conduta. O blush já está evidente na TC inicial, e a angiografia com embolização deve ser realizada prontamente. A repetição do exame não agrega informação e pode permitir progressão do sangramento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que lesão hepática é contraindicação absoluta à intervenção endovascular. Isso é falso: a embolização é justamente uma das principais indicações no trauma hepático com blush. Não há contraindicação absoluta; pelo contrário, é a conduta preferencial no paciente estável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre FAST positivo e laparotomia. O FAST positivo apenas indica líquido livre; a conduta é definida pela estabilidade hemodinâmica e pelos achados da TC. No paciente estável com blush, a embolização é a conduta correta — não a cirurgia imediata. Fique atento a essa inversão clássica.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, identifique o cenário: paciente estável + blush na TC → angiografia/embolização. Paciente instável → laparotomia. Essa dicotomia resolve a maioria das questões de trauma abdominal contuso.