Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg728584
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Paciente de 66 anos, diabético e tabagista, apresenta claudicação intermitente típica. O estudo por ultrassonografia Doppler não permite adequada avaliação das artérias tibiais devido a calcificações extensas, mas é possível observar padrão sugestivo de não compressibilidade arterial.Nessa situação, qual exame fisiológico não invasivo é mais apropriado para confirmar a presença de doença arterial periférica?
AÍndice tornozelo-braquial, medido apenas em repouso.
BRepetição do índice tornozelo-braquial utilizando o menor valor pressórico obtido.
CÍndice tornozelo-braquial associado à análise dos padrões de onda ao Doppler.
DAngiotomografia computadorizada dos membros inferiores como exame inicial.
EAvaliação isolada do registro do volume de pulso, sem medidas pressóricas.
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GabaritoC — Índice tornozelo-braquial associado à análise dos padrões de onda ao Doppler.
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Doença arterial periférica: diagnóstico em vasos calcificados
Gabarito: letra C. Em paciente com artérias tibiais não compressíveis por calcificação extensa (padrão sugestivo de não compressibilidade ao Doppler), o ITB isolado fica falsamente elevado ou normal; a conduta mais apropriada é associar o ITB à análise dos padrões de onda ao Doppler, pois a forma de onda permanece anormal mesmo com ITB espúrio. Essa é a recomendação para confirmar doença arterial periférica (DAP) nesse cenário.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma manifestação da aterosclerose sistêmica, e o índice tornozelo-braquial (ITB) é o teste não invasivo mais utilizado para seu diagnóstico. O ITB compara a pressão sistólica no tornozelo (artéria tibial posterior ou pediosa) com a do braço, usando Doppler portátil. Valores de ITB ≤ 0,9 indicam DAP, com sensibilidade de 68–84% e especificidade de 84–99%. Porém, em pacientes com diabetes de longa data, insuficiência renal crônica ou idosos, as artérias podem se tornar tão calcificadas que resistem à compressão pelo manguito, gerando pressão falsamente elevada e ITB artificialmente normal ou supernormal (> 1,4).
Nesses casos de vasos incompressíveis, o ITB isolado perde acurácia. A ultrassonografia duplex (Doppler) é um importante coadjuvante: mesmo com ITB espúrio, a forma de onda da velocidade Doppler permanece anormal, permitindo o diagnóstico. Alternativas incluem o índice hálux-braquial (IHB) ou índice dedo-braquial (≤ 0,70 indica DAP hemodinamicamente significativa) e as pressões segmentares. A angiotomografia (ATC) e a angiorressonância (ARM) são excelentes para visualizar estenoses e planejar revascularização, mas não são o exame fisiológico inicial — são métodos anatômicos, com contraste e maior custo.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre o ITB como teste fisiológico e a necessidade de adaptá-lo quando há calcificação. O candidato que decora apenas o valor de corte do ITB pode marcar a alternativa A, ignorando que, em vasos incompressíveis, o ITB isolado é enganoso. A banca explora exatamente essa limitação do método.
Guarde o critério decisivo: em vasos não compressíveis, o que confirma DAP é a associação do ITB com a análise da onda Doppler (ou o uso de IHB/pressões segmentares). É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1ITB isolado
2Falsamente elevado/normal
3Associar ITB + onda Doppler
4Confirma DAP
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O ITB medido apenas em repouso é o teste inicial padrão, mas, no paciente com artérias não compressíveis, ele resulta em valor falsamente elevado ou normal, não confirmando a DAP. A alternativa ignora a limitação imposta pela calcificação, que é justamente o ponto central do enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repetir o ITB usando o menor valor pressórico obtido não resolve o problema da não compressibilidade. A técnica correta do ITB já utiliza a maior pressão do tornozelo e a maior do braço; usar o menor valor não contorna a calcificação e pode até subestimar ou distorcer ainda mais o resultado. A alternativa não aborda a causa do erro diagnóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A associação do ITB com a análise dos padrões de onda ao Doppler é a conduta recomendada. Mesmo com ITB espúrio (normal ou elevado) por vasos incompressíveis, a forma de onda da velocidade Doppler permanece anormal, permitindo confirmar a DAP. Essa é a alternativa que reconhece a limitação do ITB isolado e propõe o método fisiológico complementar adequado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A angiotomografia computadorizada (ATC) é um excelente método anatômico para visualizar estenoses e planejar revascularização, mas não é o exame fisiológico inicial para confirmar DAP. Além de usar contraste iodado (nefrotóxico, relevante em diabéticos), é mais cara e não avalia a hemodinâmica funcional. O enunciado pede explicitamente um exame fisiológico não invasivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A avaliação isolada do registro do volume de pulso (pletismografia) sem medidas pressóricas não é suficiente para confirmar DAP. Embora a pletismografia seja um exame fisiológico não invasivo, a análise isolada do volume de pulso não substitui a combinação de ITB com Doppler, que é o padrão recomendado para vasos incompressíveis. A alternativa carece da associação com a pressão ou com a onda Doppler.