Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg728585
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia
Durante a avaliação pré-procedimental de um paciente com indicação de angiografia diagnóstica, o radiologista intervencionista realiza anamnese dirigida, exame físico e revisão de exames prévios. Ao exame, identifica diminuição bilateral dos pulsos femorais e presença de área de hematoma inguinal antigo à direita, relacionada à punção vascular prévia.Considerando os princípios da propedêutica clínica em procedimentos vasculares, qual é a conduta mais adequada antes da definição do acesso arterial?
AProsseguir com acesso femoral direito, pois o hematoma antigo não contraindica nova punção.
BProsseguir com acesso femoral esquerdo sem necessidade de revisar exames prévios, pois pulsos diminuídos não influenciam a escolha do acesso.
CCancelar o procedimento, pois a presença de hematoma prévio contraindica angiografia.
DRevisar exames prévios e selecionar alternativa de acesso, considerando pulsos diminuídos e condições locais que aumentam risco de complicações.
ESolicitar correção laboratorial imediata, pois pulsos diminuídos indicam risco iminente de sangramento arterial.
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GabaritoD — Revisar exames prévios e selecionar alternativa de acesso, considerando pulsos diminuídos e condições locais que aumentam risco de complicações.
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Propedêutica clínica em procedimentos vasculares: escolha do acesso arterial
Gabarito: letra D. Antes de definir o acesso arterial para uma angiografia, o princípio fundamental é revisar exames prévios e selecionar uma alternativa de acesso, considerando que pulsos diminuídos e condições locais (como hematoma antigo) aumentam o risco de complicações. A conduta correta não é prosseguir cegamente com um acesso comprometido, nem cancelar o procedimento, mas sim planejar o acesso com base na avaliação clínica e nos exames disponíveis.
A avaliação pré-procedimental em angiografia é a etapa que determina a segurança e o sucesso do exame. O radiologista intervencionista deve realizar anamnese dirigida, exame físico e revisão de exames prévios para identificar fatores que aumentam o risco de complicações no acesso vascular. Pulsos femorais diminuídos bilateralmente sugerem doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), o que pode dificultar a punção e aumentar o risco de complicações como dissecção, trombose ou pseudoaneurisma. A presença de hematoma inguinal antigo à direita indica que houve complicação prévia naquele sítio, o que contraindica, ou ao menos desaconselha fortemente, nova punção no mesmo local.
A escolha do acesso arterial deve ser individualizada. O acesso femoral é o mais comum, mas quando há sinais de doença arterial ou complicações locais prévias, o intervencionista deve considerar acessos alternativos, como o radial, o braquial ou o pedioso. A revisão de exames prévios (como ultrassonografia com Doppler, angiotomografia ou angiografia anterior) é essencial para mapear a anatomia vascular e identificar o melhor ponto de punção. Essa conduta está alinhada com o princípio de que a punção arterial é sempre realizada em local onde há pulso palpável e boa perfusão distal, e que complicações prévias no sítio de punção são contraindicações relativas que devem ser ponderadas.
A alternativa D é a única que reflete integralmente essa lógica: revisar exames prévios e selecionar alternativa de acesso, considerando pulsos diminuídos e condições locais que aumentam risco de complicações. As demais alternativas ou ignoram os sinais de alerta, ou propõem condutas extremas e desnecessárias. A banca explora a tendência do candidato de escolher uma conduta simplista (prosseguir com o acesso habitual) ou uma conduta exagerada (cancelar o procedimento), quando a resposta correta é o planejamento cuidadoso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher entre "prosseguir" (A e B) ou "cancelar" (C), quando a conduta correta é intermediária: planejar o acesso. O hematoma antigo não contraindica a angiografia em si, mas contraindica a reutilização daquele sítio de punção. Pulsos diminuídos não são indicação de correção laboratorial imediata (E), mas sim um sinal de que o acesso femoral pode ser tecnicamente difícil e arriscado. A pegadinha está em não reconhecer que a revisão de exames e a busca por acesso alternativo são parte essencial da propedêutica.
Avaliação pré-procedimental (angiografia): Anamnese dirigida; Exame físico (Pulsos diminuídos → DAOP, Hematoma antigo → complicação prévia); Revisão de exames prévios (Mapear anatomia vascular, Identificar melhor sítio de punção); Escolha do acesso (Evitar sítio com complicação prévia, Evitar pulso diminuído, Acessos alternativos (radial, braquial))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Prosseguir com acesso femoral direito, pois o hematoma antigo não contraindica nova punção. Erro: o hematoma antigo é um sinal de complicação prévia no local, o que aumenta o risco de nova punção (sangramento, pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa). A presença de hematoma é uma contraindicação relativa à punção no mesmo sítio, e a conduta correta é evitar o local e buscar alternativa. A alternativa ignora o princípio de que complicações prévias no sítio de punção devem ser consideradas na escolha do acesso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Prosseguir com acesso femoral esquerdo sem necessidade de revisar exames prévios, pois pulsos diminuídos não influenciam a escolha do acesso. Erro: pulsos femorais diminuídos bilateralmente são um forte indicativo de doença arterial obstrutiva periférica, o que influencia diretamente a escolha do acesso. A punção em artéria com pulso diminuído é tecnicamente mais difícil e apresenta maior risco de complicações. Além disso, a revisão de exames prévios é sempre necessária para planejar o procedimento, independentemente do sítio escolhido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Cancelar o procedimento, pois a presença de hematoma prévio contraindica angiografia. Erro: o hematoma prévio contraindica a punção no mesmo local, mas não contraindica a angiografia em si. O procedimento pode ser realizado com segurança utilizando um acesso alternativo (radial, braquial, femoral contralateral). Cancelar o exame seria uma conduta excessiva e privaria o paciente de um diagnóstico necessário. A angiografia diagnóstica é um exame valioso e não deve ser cancelada apenas por uma complicação local prévia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Revisar exames prévios e selecionar alternativa de acesso, considerando pulsos diminuídos e condições locais que aumentam risco de complicações. Correta: esta é a conduta mais adequada, pois integra todos os elementos da avaliação pré-procedimental. A revisão de exames prévios permite mapear a anatomia vascular e identificar o melhor sítio de punção. Pulsos diminuídos e hematoma prévio são fatores que aumentam o risco de complicações e devem ser considerados na escolha do acesso. A alternativa reflete o princípio de que a punção arterial deve ser realizada em local com pulso palpável e boa perfusão, evitando áreas com complicações prévias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar correção laboratorial imediata, pois pulsos diminuídos indicam risco iminente de sangramento arterial. Erro: pulsos diminuídos indicam doença arterial obstrutiva, não risco iminente de sangramento. A correção laboratorial (como transfusão ou correção de coagulopatia) não é indicada nesse contexto. O risco de sangramento está relacionado a coagulopatias, uso de anticoagulantes ou plaquetopenia, não à diminuição de pulsos. A conduta correta é planejar o acesso, não solicitar correção laboratorial.