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Questão de Medicina — Epidemiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg728638
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
No ambulatório de reumatologia de um hospital universitário, o preceptor discute com seus médicos residentes o caso de uma adolescente com dermatomiosite juvenil, cuja resposta ao tratamento convencional tem sido limitada. Considera-se a introdução de um novo imunobiológico, e dois estudos recentes são apresentados para embasar a decisão terapêutica. O primeiro é um ensaio clínico comparando o novo medicamento ao esquema padrão; o segundo é uma coorte observacional realizada em um centro especializado, avaliando a evolução clínica de pacientes em uso do mesmo fármaco. Com base nos princípios da Medicina Baseada em Evidências, assinale a alternativa que apresenta o tipo de estudo que oferece maior nível de evidência para orientar a escolha terapêutica na situação descrita.
  1. ARelato de caso.
  2. BSérie de casos.
  3. CEnsaio clínico randomizado.
  4. DEstudo de coorte.
  5. EEstudo transversal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Ensaio clínico randomizado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Medicina Baseada em Evidências: hierarquia dos delineamentos de pesquisa

Gabarito: letra C. O ensaio clínico randomizado (ECR) é o delineamento que oferece o maior nível de evidência para orientar decisões terapêuticas, pois, ao randomizar os participantes entre os grupos de intervenção e controle, minimiza vieses de seleção e de confusão, permitindo estabelecer relação causal entre o tratamento e o desfecho. Esse é o padrão-ouro para avaliação de eficácia de intervenções, conforme os princípios da Medicina Baseada em Evidências (MBE).

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é um paradigma da prática médica que integra a melhor evidência científica disponível à experiência clínica e aos valores e preferências do paciente. No centro desse paradigma está a hierarquia dos delineamentos de pesquisa, que classifica os estudos conforme sua capacidade de responder a perguntas específicas com menor risco de viés. Para questões terapêuticas — como a escolha entre um novo imunobiológico e o esquema padrão —, o ensaio clínico randomizado (ECR) ocupa o topo da hierarquia, pois a randomização distribui de forma equilibrada os fatores prognósticos conhecidos e desconhecidos entre os grupos, isolando o efeito da intervenção. Estudos observacionais, como coortes e transversais, embora úteis para identificar associações e gerar hipóteses, estão sujeitos a vieses de seleção, de aferição e de confusão, o que reduz a confiabilidade de suas estimativas de efeito terapêutico.

A hierarquia de evidências para questões de tratamento, da maior para a menor força, é: revisões sistemáticas e metanálises de ECRs; ensaio clínico randomizado; estudo de coorte; estudo de caso-controle; série de casos; e relato de caso. O estudo transversal, por sua vez, avalia exposição e desfecho simultaneamente, sendo inadequado para estabelecer causalidade ou avaliar eficácia terapêutica. No caso apresentado, o primeiro estudo é um ensaio clínico comparando o novo medicamento ao esquema padrão — exatamente o delineamento que fornece a evidência mais forte para a decisão terapêutica. O segundo, uma coorte observacional, embora possa complementar a informação sobre segurança e efetividade no mundo real, não supera o ECR em nível de evidência.

A pegadinha desta questão está em confundir o nível de evidência com a aplicabilidade prática. O estudo de coorte, por ser observacional e realizado em centro especializado, pode parecer mais "próximo da realidade", mas a MBE prioriza a validade interna — a capacidade de atribuir o desfecho à intervenção —, que é máxima no ECR. A randomização é o elemento-chave que distingue o ECR dos demais delineamentos: ela controla fatores de confusão não medidos, o que nenhum estudo observacional consegue fazer plenamente. Portanto, para a pergunta "qual tratamento é mais eficaz?", o ECR é a resposta metodológica mais robusta.

Guarde a fronteira entre os delineamentos: o que decide o nível de evidência é a presença de randomização e de grupo controle. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem — o ECR é o único que combina ambos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O relato de caso descreve a experiência clínica de um único paciente. Embora possa gerar hipóteses e alertar para eventos raros, não possui grupo de comparação nem controle de vieses, ocupando o nível mais baixo na hierarquia de evidência para decisões terapêuticas. Não é o delineamento que oferece maior nível de evidência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A série de casos agrega a experiência de vários pacientes com a mesma condição, mas também carece de grupo controle e de randomização. Pode sugerir eficácia, mas não a demonstra de forma robusta, sendo insuficiente para orientar com segurança a escolha terapêutica em comparação ao ECR.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O ensaio clínico randomizado é o padrão-ouro para avaliação de intervenções terapêuticas. A randomização distribui equitativamente os fatores de confusão entre os grupos, e o grupo controle permite comparar o desfecho com a ausência da intervenção ou com o tratamento padrão. Isso confere ao ECR o maior nível de evidência para responder à pergunta sobre eficácia do novo imunobiológico, conforme os princípios da MBE.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O estudo de coorte é observacional e acompanha grupos expostos e não expostos ao longo do tempo. Embora possa avaliar associações entre exposição e desfecho, está sujeito a vieses de seleção e de confusão, não sendo capaz de estabelecer causalidade com a mesma força do ECR. Para decisões terapêuticas, seu nível de evidência é inferior.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O estudo transversal avalia exposição e desfecho em um único momento, sendo útil para estimar prevalências e gerar hipóteses, mas inadequado para avaliar eficácia terapêutica ou estabelecer relação causal. Não oferece o maior nível de evidência para a escolha do tratamento.

Gabarito: letra C — o ensaio clínico randomizado é o delineamento com maior nível de evidência para orientar a decisão terapêutica na situação descrita.

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