Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728646
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Paciente do sexo feminino, 15 anos, com diagnóstico de artrite idiopática juvenil desde os 2 anos, em transição de terapias devido à falha secundária, apresenta agudização da dor crônica, limitação funcional e absenteísmo escolar nos últimos meses. A família relata isolamento social progressivo, piora do humor, crises de choro e declínio no desempenho escolar. Na consulta, a paciente refere perda de interesse em atividades antes prazerosas e dificuldade para dormir, negando ideação suicida. Considerando a organização da atenção à saúde da criança e do adolescente no SUS, a abordagem mais adequada nesse contexto é
Aintensificar o manejo clínico da dor enquanto se mantém vigilância da evolução emocional.
Bpriorizar internação psiquiátrica imediata.
Cencaminhar para acompanhamento psicoterápico especializado, articulando com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e com a equipe multiprofissional.
Diniciar antidepressivo tricíclico como conduta inicial, mantendo acompanhamento exclusivo no ambulatório de reumatologia.
Eorientar busca de psicoterapia particular, pois o SUS não contempla esse tipo de atendimento especializado.
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GabaritoC — encaminhar para acompanhamento psicoterápico especializado, articulando com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e com a equipe multiprofissional.
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Artrite idiopática juvenil e a abordagem psicossocial no SUS
Gabarito: letra C. A conduta mais adequada é encaminhar a paciente para acompanhamento psicoterápico especializado, articulando com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e com a equipe multiprofissional, pois o caso evidencia sofrimento psíquico significativo (isolamento, anedonia, insônia, piora do humor) que exige cuidado integrado — e o SUS contempla esse tipo de atendimento por meio da RAPS, que organiza a atenção psicossocial em rede, com serviços como os CAPS e as equipes de atenção básica. A alternativa C é a única que combina o encaminhamento especializado com a articulação em rede, princípio estruturante do SUS.
A artrite idiopática juvenil (AIJ) é a artropatia inflamatória crônica mais comum na infância, e seu impacto vai muito além das articulações: a dor crônica, a limitação funcional e o absenteísmo escolar frequentemente desencadeiam ou agravam quadros de ansiedade e depressão em adolescentes. No caso descrito, a paciente apresenta sinais clássicos de episódio depressivo — perda de interesse (anedonia), insônia, choro, isolamento social e declínio escolar — sem ideação suicida. A conduta correta não é apenas intensificar o manejo da dor (alternativa A), pois isso negligencia o componente emocional; também não é internação psiquiátrica imediata (alternativa B), que é reservada a situações de risco iminente, como ideação suicida ativa ou psicose; e não é iniciar antidepressivo tricíclico como conduta inicial (alternativa D), pois a primeira linha em adolescentes é a psicoterapia, com os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) como opção farmacológica, e o acompanhamento não deve ser exclusivo do ambulatório de reumatologia. A alternativa E é flagrantemente incorreta, pois o SUS garante atendimento psicoterápico por meio da RAPS.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) foi instituída pela Portaria nº 3.088/2011 do Ministério da Saúde e é o arranjo organizativo do SUS para o cuidado em saúde mental, incluindo a atenção básica, os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), os serviços de urgência e emergência, a atenção hospitalar e as estratégias de desinstitucionalização. Para adolescentes com sofrimento psíquico associado a doença crônica, a RAPS oferece suporte por meio de psicoterapia individual ou em grupo, acompanhamento psiquiátrico quando necessário e articulação com a rede de apoio social. A abordagem deve ser multiprofissional e integrada: o reumatologista, o psicólogo, o assistente social e o médico da atenção básica atuam em conjunto, respeitando o princípio da integralidade do SUS.
A distinção central que a questão explora é entre o manejo exclusivamente biomédico (focado na dor) e a abordagem biopsicossocial (que integra aspectos físicos, emocionais e sociais). A banca quer que o candidato reconheça que, diante de sintomas depressivos em adolescente com doença crônica, a conduta adequada é o encaminhamento para psicoterapia especializada articulada à rede, e não a medicalização precoce ou a internação desnecessária. A alternativa C é a única que contempla essa visão integral e o uso correto da RAPS.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher a alternativa A (intensificar o manejo da dor), que parece razoável, mas ignora o sofrimento psíquico evidente. O erro é confundir "vigilância da evolução emocional" com tratamento ativo do quadro depressivo. A alternativa D também é uma armadilha: inverte a hierarquia terapêutica, pois em adolescentes a psicoterapia é a primeira linha, e o antidepressivo tricíclico não é a escolha inicial (os ISRS são preferidos). Fique atento: a presença de sintomas depressivos sem ideação suicida não indica internação, mas sim acompanhamento especializado em rede.
Abordagem psicossocial na AIJ
1Caso: dor crônica + sintomas depressivos
Anedonia, insônia, isolamento
Sem ideação suicida
2Conduta correta
Encaminhar à psicoterapia especializada
Articular com a RAPS
Equipe multiprofissional
3Condutas inadequadas
Só manejo da dor (negligencia o emocional)
Internação psiquiátrica (sem risco iminente)
Antidepressivo tricíclico de 1ª linha
psicoterapia é 1ª; ISRS preferido
Psicoterapia particular (SUS/RAPS contempla)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Intensificar o manejo clínico da dor mantendo vigilância emocional é insuficiente: a paciente já apresenta sintomas depressivos francos (anedonia, insônia, isolamento), que exigem intervenção terapêutica ativa, não apenas observação. A dor crônica e a depressão são comorbidades que se retroalimentam; tratar apenas a dor sem abordar o componente emocional perpetua o sofrimento e o absenteísmo escolar.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A internação psiquiátrica imediata é desproporcional e contraindicada: a paciente nega ideação suicida e não há risco iminente de auto ou heteroagressão. A internação é reservada a situações de risco grave, como tentativa de suicídio, psicose ou incapacidade de autocuidado. No caso, o tratamento ambulatorial em rede é suficiente e mais adequado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta: encaminhar para acompanhamento psicoterápico especializado, articulando com a RAPS e com a equipe multiprofissional. A RAPS é a rede do SUS que garante atenção psicossocial, incluindo psicoterapia, e a articulação com a equipe multiprofissional (reumatologia, psicologia, serviço social) assegura o cuidado integral, conforme o princípio da integralidade. A alternativa espelha exatamente a organização da atenção à saúde da criança e do adolescente no SUS.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar antidepressivo tricíclico como conduta inicial é inadequado por dois motivos: (1) em adolescentes, a primeira linha para depressão é a psicoterapia, e a farmacoterapia, quando necessária, prefere os ISRS (como fluoxetina ou sertralina), não os tricíclicos, que têm perfil de segurança pior; (2) o acompanhamento não deve ser exclusivo do ambulatório de reumatologia — a abordagem deve ser multiprofissional e integrada à rede de saúde mental.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirmar que o SUS não contempla psicoterapia especializada é falso: a RAPS garante esse atendimento por meio dos CAPS, das equipes de atenção básica e de outros serviços. Orientar busca de psicoterapia particular contraria o princípio da universalidade e da integralidade do SUS e desassiste a paciente, que tem direito ao cuidado público.