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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728658
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Um menino de 5 anos é levado para avaliação devido a dores em membros inferiores e dificuldade para acompanhar colegas em atividades físicas. A mãe relata que ele tem crescido menos que os irmãos, além de apresentar arqueamento progressivo das pernas. Ao exame, observa-se geno varo e aumento de volume em punhos e tornozelos. Exames laboratoriais revelam: cálcio sérico normal, fósforo baixo, fosfatase alcalina aumentada, PTH normal e vitamina D (25‐OH) normal. Radiografia de joelhos mostra alargamento das metáfises. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
  1. Araquitismo por deficiência de vitamina D.
  2. Bosteogênese imperfeita.
  3. Costeomalácia nutricional.
  4. Draquitismo hipofosfatêmico.
  5. Ehipoparatireoidismo.
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GabaritoD — raquitismo hipofosfatêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Raquitismo hipofosfatêmico: diagnóstico diferencial na criança

Gabarito: letra D. O quadro clínico-laboratorial — geno varo progressivo, alargamento de punhos e tornozelos, fósforo baixo, fosfatase alcalina aumentada, com cálcio, PTH e vitamina D normais — é a assinatura clássica do raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X (HLX), a forma mais comum de raquitismo fosfopênico. A chave do diagnóstico está na combinação: hipofosfatemia com PTH normal e vitamina D normal aponta para uma perda renal de fosfato (tubulopatia), não para deficiência nutricional de vitamina D.

O raquitismo é uma doença da placa de crescimento (crianças e adolescentes), caracterizada por deficiência de mineralização da cartilagem de crescimento, enquanto a osteomalácia é a deficiência de mineralização da matriz osteoide, que pode ocorrer em qualquer idade. Ambos compartilham mecanismos: carência nutricional de cálcio ou fósforo, deficiência ou distúrbios do metabolismo da vitamina D, tubulopatias renais perdedoras de fosfato, acidoses tubulares e doenças que comprometem a absorção intestinal.

No raquitismo carencial por deficiência de vitamina D (o mais comum), espera-se vitamina D (25-OH) baixa, com PTH elevado (hiperparatireoidismo secundário) e cálcio baixo ou limítrofe — o oposto do que o enunciado mostra. Já no raquitismo hipofosfatêmico, a mutação no gene PHEX (ligado ao X) leva ao excesso de FGF23, que inibe a reabsorção tubular de fosfato e a síntese de calcitriol. O resultado é: fósforo baixo, fosfatúria inapropriada, fosfatase alcalina elevada (marcador de turnover ósseo), mas com cálcio, PTH e vitamina D normais — exatamente o perfil laboratorial do caso.

Clinicamente, o HLX manifesta-se com baixa estatura, dores em membros inferiores, geno varo progressivo (arqueamento das pernas), alargamento de punhos e tornozelos (metáfises alargadas) e, frequentemente, abscessos dentários. A radiografia mostra alargamento metafisário, como descrito. O tratamento de escolha na criança é o burosumabe (anticorpo anti-FGF23), que normaliza a fosfatemia e melhora a mineralização óssea, superando o tratamento convencional com fosfato e calcitriol.

A pegadinha central desta questão é a inversão do perfil laboratorial: a banca descreve um quadro de raquitismo, mas com exames que excluem a deficiência de vitamina D (a causa mais comum e a primeira que vem à mente). O aluno que não correlaciona os exames com a fisiopatologia cai na alternativa A. O critério decisivo é o par cálcio/PTH/vitamina D normais + fósforo baixo: isso só ocorre nas formas fosfopênicas (perda renal de fosfato), não nas calciopênicas.

Critério

Raquitismo por deficiência de vitamina D (carencial)

Raquitismo hipofosfatêmico (HLX)

Cálcio sérico

Baixo ou limítrofe

Normal

Fósforo sérico

Baixo ou normal

Baixo

PTH

Elevado (hiperparatireoidismo secundário)

Normal

Vitamina D (25-OH)

Baixa

Normal

Mecanismo

Deficiência nutricional de vitamina D (calciopênico)

Perda renal de fosfato por excesso de FGF23 (fosfopênico)

Tratamento de escolha na criança

Reposição de vitamina D

Burosumabe (anti-FGF23)

Raquitismo
  • 1Calciopênico (vitamina D baixa)
    • PTH elevado
    • Cálcio baixo/limítrofe
    • Fósforo baixo/normal
  • 2Fosfopênico (perda renal de fosfato)
    • PTH normal
    • Vitamina D normal
    • Fósforo baixo
    • FGF23 elevado (PHEX)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O raquitismo por deficiência de vitamina D (carencial/nutricional) é a causa mais comum, mas o laboratório do enunciado contradiz esse diagnóstico: a vitamina D (25-OH) está normal, e o PTH também. Na deficiência de vitamina D, espera-se 25-OH baixa, PTH elevado (hiperparatireoidismo secundário) e cálcio baixo ou limítrofe. A presença de vitamina D e PTH normais com fósforo baixo aponta para outra etiologia — a perda renal de fosfato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A osteogênese imperfeita (OI) é uma doença genética do colágeno tipo I, caracterizada por fragilidade óssea e fraturas recorrentes, escleras azuis, dentinogênese imperfeita e perda auditiva. Não cursa com o padrão laboratorial de raquitismo (fósforo baixo, fosfatase alcalina aumentada) nem com alargamento metafisário típico. O quadro descrito — deformidades progressivas com alterações bioquímicas — é de raquitismo, não de OI.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A osteomalácia nutricional é a deficiência de mineralização da matriz osteoide em adultos (ou em crianças, quando associada ao raquitismo). Mas, no caso, o paciente é uma criança de 5 anos com doença da placa de crescimento (alargamento metafisário, geno varo progressivo) — isso é raquitismo, não osteomalácia isolada. Além disso, a osteomalácia nutricional por deficiência de vitamina D teria vitamina D baixa e PTH elevado, o que não ocorre aqui.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O raquitismo hipofosfatêmico (forma mais comum: ligado ao X, por mutação no gene PHEX) é a única alternativa que explica todos os achados: fósforo baixo (perda renal de fosfato por excesso de FGF23), fosfatase alcalina aumentada (alta atividade osteoblástica), com cálcio, PTH e vitamina D normais (não há deficiência de vitamina D nem hiperparatireoidismo secundário). Clinicamente, cursa com baixa estatura, geno varo progressivo, alargamento de punhos/tornozelos e alargamento metafisário à radiografia — exatamente o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hipoparatireoidismo cursa com cálcio baixo e fósforo alto (por redução da excreção renal de fosfato), além de PTH baixo. No caso, o cálcio está normal, o fósforo está baixo e o PTH está normal — o oposto do esperado. O hipoparatireoidismo também não causa o quadro de raquitismo com alargamento metafisário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca descreve um quadro clássico de raquitismo, mas com exames que excluem a causa mais comum (deficiência de vitamina D). O candidato que não correlaciona o laboratório cai na alternativa A. A armadilha é a inversão do perfil bioquímico: vitamina D e PTH normais + fósforo baixo = raquitismo fosfopênico (perda renal de fosfato), não calciopênico. Memorize o par: deficiência de vitamina D → PTH alto, fósforo baixo/normal; raquitismo hipofosfatêmico → PTH normal, fósforo baixo, vitamina D normal.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de raquitismo, monte uma tabela mental com os quatro exames-chave (cálcio, fósforo, PTH, vitamina D). Se a vitamina D e o PTH estão normais e o fósforo está baixo, pense em perda renal de fosfato (raquitismo hipofosfatêmico). Se a vitamina D está baixa e o PTH alto, é deficiência nutricional. Essa correlação fisiopatológica resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra D — raquitismo hipofosfatêmico.

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