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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg728659
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Como reumatologista pediátrico, você é solicitado a opinar sobre o caso de uma menina de 8 anos que vinha sendo acompanhada na unidade de saúde por dor nas pernas. A mãe comenta que, há cerca de dois meses, a criança passou a evitar brincadeiras que envolvessem corrida e, mais recentemente, tem preferido ser carregada para percorrer curtas distâncias. Episódios ocasionais de febre baixa ocorreram nesse intervalo, mas sem padrão definido. Nos últimos dias, chamou atenção a palidez percebida pela família e a dificuldade da paciente de levantar-se pela manhã. O exame físico revela desconforto à manipulação das articulações dos joelhos, porém sem sinais claros de sinovite.Não há aumento de temperatura local, nem derrame evidente. A investigação laboratorial inicial demonstrou anemia, leucopenia e trombocitopenia. Diante desse cenário, qual é a conduta mais apropriada?
  1. AIniciar naproxeno e acompanhar ambulatorialmente.
  2. BSolicitar mielograma.
  3. CIniciar metotrexato.
  4. DRealizar infiltração articular com triancinolona.
  5. EIniciar prednisolona.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Solicitar mielograma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pancitopenia em criança: quando a dor musculoesquelética não é reumatológica

Gabarito: letra B. O quadro de dor óssea/articular inespecífica, febre baixa, palidez e pancitopenia (anemia + leucopenia + trombocitopenia) em criança de 8 anos levanta forte suspeita de leucemia aguda, e a conduta imediata é a solicitação de mielograma para confirmação diagnóstica — antes de qualquer tratamento empírico com anti-inflamatórios, corticoides ou imunossupressores.

O caso é um clássico desafio diagnóstico na pediatria: sintomas musculoesqueléticos (dor nas pernas, claudicação, dificuldade para levantar) são extremamente comuns e, na maioria das vezes, benignos — mas quando vêm acompanhados de sinais sistêmicos e alterações hematológicas, o raciocínio muda completamente. A criança não tem sinais claros de sinovite (sem calor local, sem derrame, sem rubor), o que já afasta a artrite idiopática juvenil como primeira hipótese. A presença de pancitopenia é o dado que redireciona o diagnóstico: leucemia aguda, anemia aplástica e outras doenças da medula óssea cursam com essa tríade hematológica, e a dor óssea ocorre pela infiltração neoplásica da medula e do periósteo.

A febre baixa e a palidez reforçam a suspeita de doença infiltrativa da medula. Na leucemia linfoblástica aguda (o tipo mais comum na infância), a proliferação de blastos na medula óssea causa: (1) insuficiência medular — anemia (palidez, fadiga), neutropenia (infecções, febre) e trombocitopenia (petéquias, sangramentos); (2) infiltração de tecidos — dor óssea, hepatoesplenomegalia, linfonodomegalia; (3) sintomas constitucionais — febre, perda de peso, sudorese noturna. A dor nas pernas pode ser o sintoma inicial e, por vezes, o único por semanas, simulando doenças reumatológicas ou ortopédicas.

O mielograma (aspirado de medula óssea) é o exame que confirma o diagnóstico ao demonstrar a presença de blastos. É um procedimento rápido, realizado com sedação ou anestesia local, e essencial para não atrasar o início do tratamento oncológico. A conduta correta diante da suspeita é investigar antes de tratar: iniciar corticoide ou metotrexato sem diagnóstico firmado pode mascarar a leucemia (o corticoide, inclusive, é parte do tratamento da LLA e pode induzir remissão temporária, atrasando o diagnóstico e piorando o prognóstico).

A distinção crucial que a questão explora é entre doença reumatológica (artrite idiopática juvenil, lúpus, febre reumática) e doença onco-hematológica (leucemia). Ambas podem causar dor musculoesquelética e febre, mas a pancitopenia é um sinal de alerta que praticamente exclui as doenças reumáticas como causa primária — elas cursam mais com anemia inflamatória leve e leucocitose, não com a supressão global das três séries. A artrite idiopática juvenil, por exemplo, apresenta sinovite (derrame, calor, limitação funcional) e geralmente leucocitose com neutrofilia; a pancitopenia é incomum e, quando presente, sugere outra etiologia (como lúpus com mielossupressão ou síndrome de ativação macrofágica).

A pegadinha da banca está em oferecer opções de tratamento reumatológico (naproxeno, metotrexato, prednisolona, infiltração) que seriam adequadas se o diagnóstico fosse artrite — mas que são contraindicadas diante da suspeita de leucemia, pois mascaram os sintomas e atrasam o diagnóstico. O princípio é: nunca tratar empiricamente uma suspeita de malignidade sem confirmação diagnóstica. A solicitação do mielograma é o passo obrigatório e inadiável.

Dor musculoesquelética + febre + palidez em criança
  • 1Hemograma
    • Pancitopenia → suspeita de leucemia
    • Sem pancitopenia → considerar causas reumáticas
  • 2Suspeita de leucemia
    • Iniciar corticoide (mascara o quadro)
    • Iniciar AINE/imunossupressor (atrasa diagnóstico)
    • Solicitar mielograma (confirma blastos)
  • 3Sinais de alerta
    • Anemia + leucopenia + trombocitopenia
    • Dor óssea (infiltração medular)
    • Ausência de sinovite clara
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar naproxeno (AINE) seria adequado para uma artrite inflamatória, mas aqui não há sinovite clara e há pancitopenia — um sinal de alarme para doença medular. Tratar com anti-inflamatório sem investigar a pancitopenia atrasa o diagnóstico de uma possível leucemia e não resolve a causa de base. O naproxeno pode até aliviar a dor, mas mascara o quadro e adia o mielograma.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pancitopenia + dor óssea + febre + palidez em criança é a apresentação clássica de leucemia aguda. O mielograma é o exame que confirma o diagnóstico ao identificar blastos na medula óssea. É a conduta mais apropriada porque investiga a causa antes de qualquer tratamento, evitando mascarar a doença. A rapidez é essencial: o atraso diagnóstico piora o prognóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Metotrexato é um imunossupressor usado na artrite idiopática juvenil e em outras doenças reumáticas. Iniciá-lo sem diagnóstico firmado é um erro grave: além de não tratar a leucemia, pode mascarar os sintomas e causar mielossupressão adicional, confundindo ainda mais o quadro. Só deve ser iniciado após confirmação diagnóstica de doença reumática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Infiltração articular com triancinolona (corticoide intra-articular) é um procedimento para artrite com sinovite localizada. A paciente não tem derrame articular nem sinais claros de sinovite — a dor é difusa e provavelmente óssea, não articular. Além disso, o uso de corticoide (mesmo local) pode mascarar sintomas sistêmicos e atrasar o diagnóstico de leucemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Prednisolona (corticoide sistêmico) é usada em várias doenças reumáticas e também faz parte do tratamento da leucemia linfoblástica aguda. Porém, iniciá-la antes do diagnóstico é perigoso: ela induz rápida melhora clínica (reduz a dor, a febre e até os blastos circulantes), mascarando a doença e dificultando o diagnóstico precoce. O mielograma deve vir antes de qualquer corticoide.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece opções de tratamento reumatológico (A, C, D, E) para induzir o candidato a pensar em artrite idiopática juvenil. O gatilho para não cair é a pancitopenia: doença reumática raramente causa supressão das três séries. Quando anemia + leucopenia + trombocitopenia aparecem junto com dor óssea, o diagnóstico é onco-hematológico até prova em contrário — e o mielograma é o caminho.

PEGA ESSA DICA!

Na pediatria, diante de dor musculoesquelética + febre + palidez, sempre peça um hemograma completo. Se houver pancitopenia ou blastos no sangue periférico, a hipótese de leucemia é a principal e o mielograma é obrigatório. Guarde a tríade: dor óssea + febre + pancitopenia = leucemia até que se prove o contrário.

Gabarito: letra B — solicitar mielograma é a conduta correta diante da suspeita de leucemia aguda.

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