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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728662
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Adolescente de 12 anos apresenta febre intermitente e dor articular há vários dias. A dor começou nos joelhos, migrando para tornozelos e cotovelos, acompanhada de limitação funcional. Os pais descrevem episódios recentes de movimentos involuntários em face e membros superiores, que pioram quando o paciente está nervoso e desaparecem durante o sono. Há antecedente de dor de garganta há três semanas, tratado com ibuprofeno. O exame laboratorial evidencia velocidade de hemossedimentação de 70 mm/h. Diante desse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
  1. AA presença de coreia e artrite, na ausência de cardite, torna o diagnóstico improvável.
  2. BA evolução neurológica costuma ser definitiva e progressiva.
  3. CO tratamento de escolha para os movimentos involuntários é prednisona em altas doses.
  4. DO diagnóstico depende da elevação de antiestreptolisina O ou de cultura positiva de orofaringe.
  5. EA profilaxia secundária com penicilina benzatina é indicada mesmo na ausência de cardite.
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GabaritoE — A profilaxia secundária com penicilina benzatina é indicada mesmo na ausência de cardite.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Febre reumática: diagnóstico e profilaxia secundária

Gabarito: letra E. O quadro descrito — artrite migratória de grandes articulações, coreia de Sydenham e febre, com antecedente de faringite estreptocócica — é clássico de febre reumática (FR). A profilaxia secundária com penicilina benzatina é indicada para todos os pacientes com FR, mesmo na ausência de cardite, pois previne novas infecções estreptocócicas e a progressão da doença cardíaca reumática. Essa conduta é consagrada nas diretrizes de cardiologia e reumatologia pediátrica.

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica, de natureza autoimune, que ocorre como sequela tardia de uma infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), geralmente uma faringoamigdalite. A infecção desencadeia uma resposta imunológica cruzada: anticorpos produzidos contra o estreptococo passam a atacar tecidos do próprio organismo, principalmente coração, articulações, sistema nervoso central e pele. O pico de incidência ocorre entre 5 e 15 anos, e o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos Critérios de Jones (revisados), que exigem a presença de dois critérios maiores, ou um maior e dois menores, além de evidência de infecção estreptocócica recente.

Os critérios maiores são: cardite, poliartrite, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os critérios menores incluem febre, artralgia, elevação de provas de fase aguda (VHS e PCR) e intervalo PR prolongado no eletrocardiograma. No caso apresentado, temos poliartrite (critério maior) e coreia (critério maior), além de febre e VHS elevado (critérios menores) — o que fecha o diagnóstico mesmo sem a evidência laboratorial de infecção estreptocócica, que é exigida apenas para confirmar a infecção prévia, não para o diagnóstico em si quando há dois critérios maiores.

A coreia de Sydenham (ou coreia menor) é uma manifestação neurológica da FR caracterizada por movimentos involuntários, rápidos e irregulares, que pioram com estresse e desaparecem durante o sono — exatamente o descrito no enunciado. Ela pode aparecer de forma isolada, semanas ou meses após a infecção, e tem caráter autolimitado, com resolução espontânea em semanas a meses, embora possa recorrer. O tratamento é sintomático, com agentes como haloperidol ou ácido valproico nos casos mais graves; corticoides não são a primeira escolha para a coreia isolada.

A profilaxia secundária é a pedra angular do manejo da FR. Consiste na administração regular de antibiótico para prevenir novas infecções estreptocócicas, que poderiam reativar a doença e causar dano cardíaco progressivo. A penicilina benzatina (1.200.000 UI intramuscular a cada 3-4 semanas) é o esquema de escolha. A duração da profilaxia varia conforme a presença de cardite: pacientes sem cardite devem mantê-la por 5 anos ou até os 21 anos (o que for mais longo); pacientes com cardite devem mantê-la por 10 anos ou até os 40 anos (ou por toda a vida, se houver lesão valvar grave). Portanto, a profilaxia é indicada mesmo na ausência de cardite — é exatamente o que afirma a alternativa E.

A grande pegadinha desta questão está na alternativa D: ela afirma que o diagnóstico depende da elevação de ASO ou cultura positiva. Isso é incorreto porque, embora a evidência de infecção estreptocócica seja um dos componentes dos Critérios de Jones, o diagnóstico pode ser firmado com dois critérios maiores sem essa evidência laboratorial — como no caso da coreia isolada, que pode surgir meses após a infecção, quando os títulos de ASO já caíram. A banca explora a confusão entre "evidência de infecção prévia" (que fortalece o diagnóstico) e "dependência" dessa evidência (que não existe quando há dois critérios maiores).

Guarde a distinção central: profilaxia secundária é para todos (com ou sem cardite), e o diagnóstico não depende obrigatoriamente da confirmação laboratorial da infecção estreptocócica quando há dois critérios maiores. É nesses dois pontos que as alternativas se dividem.

Critério

Alternativa A

Alternativa B

Alternativa C

Alternativa D

Alternativa E

Afirmação central

Coreia + artrite sem cardite tornam diagnóstico improvável

Evolução neurológica é definitiva e progressiva

Tratamento da coreia é prednisona em altas doses

Diagnóstico depende de ASO elevado ou cultura positiva

Profilaxia secundária indicada mesmo sem cardite

Correção

❌ Incorreta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

✅ Correta (gabarito)

Justificativa

Dois critérios maiores (coreia e artrite) são suficientes para o diagnóstico, independentemente de cardite

Coreia de Sydenham é autolimitada, com resolução espontânea, não progressiva

Coreia é tratada com antipsicóticos (ex.: haloperidol) ou anticonvulsivantes (ex.: ácido valproico), não com corticoides

Evidência de infecção estreptocócica é critério de suporte, não obrigatória quando há dois critérios maiores

Todos os pacientes com FR devem receber profilaxia secundária, com ou sem cardite

1Critérios maiores
Cardite
Poliartrite
Coreia de Sydenham
Eritema marginado
Nódulos subcutâneos
2Critérios menores
Febre
Artralgia
VHS/PCR elevados
Intervalo PR prolongado
3Profilaxia secundária
Sem cardite: 5 anos ou até 21 anos
Com cardite: 10 anos ou até 40 anos
Penicilina benzatina para todos
Febre reumática
LEVELsoulevel.com.br
Febre reumática: Critérios maiores (Cardite, Poliartrite, Coreia de Sydenham, Eritema marginado, Nódulos subcutâneos); Critérios menores (Febre, Artralgia, VHS/PCR elevados, Intervalo PR prolongado); Profilaxia secundária (Sem cardite: 5 anos ou até 21 anos, Com cardite: 10 anos ou até 40 anos, Penicilina benzatina para todos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a presença de coreia e artrite, na ausência de cardite, torna o diagnóstico improvável. É exatamente o oposto: coreia e artrite são dois critérios maiores dos Critérios de Jones, e a presença de dois critérios maiores é suficiente para o diagnóstico de febre reumática, independentemente da cardite. A cardite é apenas um dos critérios maiores, não um requisito obrigatório. A banca inverte a lógica: a ausência de cardite não enfraquece o diagnóstico quando há outros dois critérios maiores presentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a evolução neurológica (coreia) costuma ser definitiva e progressiva. É o contrário: a coreia de Sydenham é autolimitada, com resolução espontânea em semanas a meses, e não é progressiva. Embora possa haver recorrência, especialmente em associação com novas infecções estreptocócicas, o curso típico é de melhora gradual sem déficit neurológico permanente. A banca troca o caráter autolimitado por "definitivo e progressivo", o que não corresponde à realidade clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento de escolha para os movimentos involuntários (coreia) é prednisona em altas doses. A coreia de Sydenham é tratada com medidas sintomáticas: repouso, redução de estímulos e, nos casos moderados a graves, fármacos antipsicóticos (como haloperidol) ou anticonvulsivantes (como ácido valproico). Corticoides não são a primeira escolha para a coreia isolada; eles são reservados para cardite grave ou outras manifestações inflamatórias intensas. A banca troca a classe terapêutica correta (antipsicóticos/anticonvulsivantes) por corticoides em altas doses.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico depende da elevação de ASO ou de cultura positiva de orofaringe. Embora a evidência de infecção estreptocócica recente seja um dos componentes dos Critérios de Jones, ela não é obrigatória para o diagnóstico quando há dois critérios maiores — como no caso da coreia e artrite. Além disso, a coreia pode surgir meses após a infecção, quando os títulos de ASO já podem ter caído, e a cultura de orofaringe costuma ser negativa nessa fase tardia. A banca transforma um critério de suporte em requisito indispensável, o que é incorreto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a profilaxia secundária com penicilina benzatina é indicada mesmo na ausência de cardite. É exatamente a conduta recomendada: todos os pacientes com febre reumática, independentemente da presença de cardite, devem receber profilaxia secundária para prevenir novas infecções estreptocócicas e evitar a progressão da doença. A duração varia conforme a cardite (5 anos ou até 21 anos sem cardite; 10 anos ou até 40 anos com cardite), mas a indicação é universal. A alternativa espelha corretamente a diretriz de que a profilaxia não é condicionada à presença de cardite.

Gabarito: letra E

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