Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg728665
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Durante avaliação em ambulatório de reumatologia pediátrica, uma adolescente de 14 anos relata fenômeno de Raynaud há aproximadamente um ano, com episódios de palidez e cianose em dedos das mãos ao frio, seguidos de hiperemia. Menciona ainda endurecimento cutâneo progressivo em mãos e face, associado à dificuldade para realizar movimentos finos. Ao exame, observam-se esclerodactilia e telangiectasias faciais. A capilaroscopia periungueal revela redução de alças capilares e áreas de extravasamento focal.Assinale a alternativa que apresenta o achado laboratorial mais compatível com esse quadro.
AAnticorpo anti-DNA de dupla hélice.
BAnticorpo anticentrômero.
CAnticorpo anti-Mi-2.
DAnticorpo anti-MDA5.
EAnticorpo anti-CCP.
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GabaritoB — Anticorpo anticentrômero.
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Gabarito: letra B. O quadro descrito — fenômeno de Raynaud, esclerodactilia, telangiectasias faciais e capilaroscopia com redução de alças e extravasamento — é clássico de esclerose sistêmica (ES), e o achado laboratorial mais compatível com essa apresentação (forma cutânea limitada, com acometimento distal e face) é o anticorpo anticentrômero. Os demais anticorpos listados pertencem a outras doenças reumáticas: anti-dsDNA ao lúpus eritematoso sistêmico, anti-Mi-2 e anti-MDA5 às miosites, e anti-CCP à artrite reumatoide.
A esclerose sistêmica é uma doença autoimune do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral e vasculopatia obliterante. O fenômeno de Raynaud está presente em quase todos os pacientes e, frequentemente, é a manifestação inicial — como no caso da adolescente, que o apresenta há um ano. O endurecimento cutâneo progressivo em mãos e face, a esclerodactilia (espessamento da pele dos dedos que dificulta os movimentos finos) e as telangiectasias são manifestações típicas. A capilaroscopia periungueal, que revela redução de alças capilares e áreas de extravasamento focal (hemorragias), é um exame fundamental para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário a uma doença do tecido conjuntivo.
A classificação da ES em formas cutânea limitada (EScl) e cutânea difusa (EScd) tem forte correlação com o perfil sorológico. Na forma limitada, o acometimento cutâneo é distal (mãos, antebraços, face) e o anticorpo mais característico é o anticentrômero. Na forma difusa, o espessamento cutâneo é proximal e generalizado, e o anticorpo associado é o anti-Scl-70 (antitopoisomerase I), que confere maior risco de doença pulmonar intersticial. O anticorpo anticentrômero também se associa a maior risco de hipertensão arterial pulmonar e úlceras digitais.
A banca explora a correlação entre o fenótipo clínico e o autoanticorpo específico. O candidato precisa reconhecer que o quadro é de esclerose sistêmica e, dentro dela, identificar a forma clínica (limitada) para chegar ao anticorpo correto. A pegadinha está em confundir os anticorpos das diferentes doenças reumáticas sistêmicas, que são altamente específicos para cada uma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os anticorpos entre as doenças reumáticas. O anti-dsDNA é do lúpus, o anti-Mi-2 e o anti-MDA5 são das miosites, o anti-CCP é da artrite reumatoide — e o anticentrômero é da esclerose sistêmica cutânea limitada. Memorize a tríade: anticentrômero → EScl, anti-Scl-70 → EScd, anti-RNA polimerase III → EScd com crise renal.
Esclerose sistêmica
1Forma cutânea limitada (EScl)
Acometimento distal (mãos, face)
Anticorpo anticentrômero
2Forma cutânea difusa (EScd)
Acometimento proximal e generalizado
Anti-Scl-70 (antitopoisomerase I)
Anti-RNA polimerase III (crise renal)
3Manifestações típicas
Fenômeno de Raynaud
Esclerodactilia
Telangiectasias
Capilaroscopia: redução de alças e extravasamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O anti-DNA de dupla hélice (anti-dsDNA) é altamente específico para lúpus eritematoso sistêmico (LES), especialmente com nefrite lúpica. O quadro descrito não apresenta as manifestações típicas do LES (rash malar, fotossensibilidade, artrite, serosite, nefrite), mas sim esclerodactilia e telangiectasias, que são da esclerose sistêmica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O anticorpo anticentrômero é o marcador sorológico da esclerose sistêmica cutânea limitada (EScl), que se manifesta com fenômeno de Raynaud, esclerodactilia, telangiectasias e acometimento cutâneo distal (mãos e face) — exatamente o quadro da paciente. A capilaroscopia com redução de alças e extravasamento reforça o diagnóstico de ES secundária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O anti-Mi-2 é um anticorpo associado à dermatomiosite, uma miopatia inflamatória. O quadro não apresenta fraqueza muscular proximal, rash heliotrópico ou pápulas de Gottron, mas sim esclerodactilia e telangiectasias, que não são características de miosite.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O anti-MDA5 é um anticorpo associado à dermatomiosite clinicamente amiopática, com alto risco de doença pulmonar intersticial rapidamente progressiva. Não há no caso clínico elementos de miosite ou pneumonite intersticial; o quadro é claramente de esclerose sistêmica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O anti-CCP (anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico) é o marcador sorológico mais específico da artrite reumatoide. A paciente não apresenta artrite simétrica e erosiva, mas sim endurecimento cutâneo e fenômeno de Raynaud, que não são manifestações da artrite reumatoide.