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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg728676
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Reumatologia Pediátrica
Criança de 3 anos com história de dor e aumento de volume no joelho direito e tornozelo esquerdo há cerca de dois meses é levada para atendimento médico. Os pais relatam rigidez matinal, claudicação e piora à movimentação. No exame, observa-se edema, calor local e limitação da amplitude de movimento das articulações acometidas. Não há febre ou outras queixas sistêmicas relevantes. Considerando o manejo recomendado em protocolos nacionais para suspeita de AIJ oligoarticular, qual é a conduta terapêutica inicial mais indicada?
  1. ANaproxeno.
  2. BPrednisona.
  3. CMetotrexato.
  4. DSulfassalazina.
  5. EAdalimumabe.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Naproxeno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) oligoarticular: conduta inicial

Gabarito: letra A. Na suspeita de AIJ oligoarticular, a conduta terapêutica inicial mais indicada é o uso de anti-inflamatório não esteroidal (AINE), como o naproxeno, conforme recomendam os protocolos nacionais de reumatologia pediátrica. O objetivo é controlar a dor e a inflamação articular enquanto se completa a investigação diagnóstica e se avalia a necessidade de drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs).

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância, caracterizada por artrite persistente por mais de seis semanas em crianças menores de 16 anos, após exclusão de outras causas. A forma oligoarticular é a mais frequente, acometendo até quatro articulações nos primeiros seis meses de doença, com predomínio em meninas e pico de incidência entre 2 e 4 anos de idade. O quadro clássico apresentado pela criança — dor e aumento de volume articular, rigidez matinal, claudicação e piora à movimentação, com edema e calor local — é típico de artrite inflamatória. A rigidez matinal prolongada (mais de uma hora) é um dado semiológico importante que ajuda a diferenciar a dor inflamatória da dor mecânica ou degenerativa: na inflamação, o repouso piora e a movimentação melhora, enquanto na osteoartrose ocorre o inverso.

O manejo da AIJ é escalonado e multidisciplinar, envolvendo medicações, fisioterapia, terapia ocupacional e suporte psicossocial. A base do tratamento inicial, especialmente nas formas oligoarticulares de baixa atividade, é o uso de AINEs, que agem reduzindo a dor e a inflamação, mas não alteram a progressão da doença. O naproxeno é um dos AINEs mais utilizados em pediatria, com boa eficácia e perfil de segurança aceitável, sendo uma escolha adequada para o início do tratamento. A prednisona (corticosteroide) é reservada para casos de maior gravidade, como formas sistêmicas com febre, ou como ponte enquanto se aguarda o efeito das DMCDs, devido aos seus efeitos adversos em crianças (supressão do crescimento, ganho de peso, osteoporose). O metotrexato é a DMCD de primeira escolha, mas é indicado quando há falha do AINE ou doença mais agressiva, não sendo a conduta inicial. A sulfassalazina é uma opção em casos específicos, como artrite relacionada à entesite, e o adalimumabe é um agente biológico anti-TNF, reservado para doença refratária às terapias convencionais.

A decisão de iniciar o tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade, o número de articulações acometidas, a presença de uveíte (complicação frequente na forma oligoarticular) e a resposta terapêutica. O acompanhamento por reumatologista pediátrico é fundamental para o diagnóstico preciso e a definição da melhor estratégia. O diagnóstico de AIJ é clínico, baseado na história e no exame físico, e exames complementares (fator antinúcleo, fator reumatoide, provas de atividade inflamatória) auxiliam na classificação e no prognóstico, mas não são necessários para iniciar o tratamento sintomático com AINE.

A banca explora a confusão entre o tratamento sintomático inicial e as terapias de segunda linha. O candidato que conhece o arsenal terapêutico da AIJ pode ser tentado a escolher o metotrexato, por ser a DMCD mais importante, ou o corticosteroide, por sua ação anti-inflamatória potente. No entanto, a pergunta é objetiva: qual a conduta inicial mais indicada? A resposta é o AINE, que controla os sintomas enquanto se avalia a evolução e a necessidade de escalonamento. Guarde a lógica do tratamento escalonado: AINE → DMCD (metotrexato) → biológicos. É essa hierarquia que separa as alternativas.

  1. 1AINE (naproxeno)
  2. 2DMCD (metotrexato)
  3. 3Biológico (anti-TNF)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O naproxeno é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) e representa a primeira linha de tratamento para AIJ oligoarticular, conforme protocolos nacionais e internacionais. Seu papel é controlar a dor e a inflamação articular, melhorando a função e a qualidade de vida, sem modificar o curso da doença. É a opção mais adequada para o início do manejo, especialmente em casos de baixa atividade inflamatória, como o descrito no enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A prednisona é um corticosteroide, com potente ação anti-inflamatória, mas não é a primeira escolha na AIJ oligoarticular. Seu uso é reservado para situações de maior gravidade, como formas sistêmicas com febre alta, ou como terapia de ponte enquanto as DMCDs não fazem efeito. O uso prolongado em crianças causa efeitos adversos significativos, como supressão do crescimento, ganho de peso, hipertensão e osteoporose, o que justifica sua reserva para casos selecionados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O metotrexato é a droga modificadora do curso da doença (DMCD) de primeira escolha na AIJ, mas não é a conduta inicial. Ele é indicado quando há falha do AINE, doença poliarticular ou presença de fatores de mau prognóstico. Seu início precoce pode ser considerado em casos mais agressivos, mas não é a primeira opção para uma criança com oligoartrite de início recente e sem sinais de gravidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sulfassalazina é uma DMCD utilizada em subtipos específicos de AIJ, como a artrite relacionada à entesite (ERA), mas não é a primeira escolha para a forma oligoarticular. Seu uso é limitado e não substitui o AINE como terapia inicial. A escolha da DMCD depende do subtipo de AIJ e da resposta ao tratamento inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O adalimumabe é um agente biológico anti-TNF, indicado para AIJ refratária às terapias convencionais (AINE e DMCDs). É uma opção de segunda ou terceira linha, reservada para casos de doença grave, poliarticular ou com uveíte refratária. Não é a conduta inicial, pois seu custo elevado e perfil de efeitos adversos (maior risco de infecções) exigem indicação criteriosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você conhece a hierarquia do tratamento escalonado da AIJ. O candidato que sabe que o metotrexato é a DMCD mais importante pode marcá-lo, mas a pergunta pede a conduta inicial. Lembre-se: AINE → DMCD → biológicos. O naproxeno é o primeiro degrau, e o metotrexato só entra se houver falha ou doença mais agressiva. Com esse raciocínio, você elimina as alternativas C, D e E e fica entre A e B — e a prednisona, por seus efeitos adversos, fica para os casos graves. 💪

Gabarito: letra A

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