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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
qg729782
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UNIRIO
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Contabilidade

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1



Bons motivos para não se levar tão a sério e fazer sua criança interior aflorar



   Jogos de mesa, mímica, queimada, palavras-cruzadas: brincar pode ser qualquer atividade de lazer sem compromisso com a performance, só pela diversão. Na infância, a gente se sente livre para explorar esse lado lúdico sem medo do julgamento.


    À medida que a vida adulta se aproxima, cresce a pressão para abandonar esse tipo de prazer e adotar uma postura mais séria. Além disso, em meio a rotinas aceleradas, reservar um tempo para a brincadeira não só é difícil, como muitas vezes parece uma perda de tempo.


   Estudos recentes indicam que esse hábito pode trazer vários benefícios para a saúde, além de tornar a vida mais leve e plena.


Raiz do problema


   Segundo o psiquiatra norte-americano Stuart Brown, autor de “Play: How it Shapes the Brain, Opens the Imagination, and Invigorates the Soul” (Como brincar molda o cérebro, abre a imaginação e revigora a alma), os altos índices de melancolia de hoje — refletidos no aumento de transtornos como depressão e ansiedade — estão ligados à supressão do instinto natural de brincar.


    “O oposto de brincar não é o trabalho, é a depressão. O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública”, disse em entrevista à revista National Geographic.


     De acordo com um relatório publicado pela Lego em 2022, 93% dos adultos afirmam se sentir estressados regularmente. Entre eles, 86% dizem que brincar ou interagir com brinquedos ajuda a aliviar a tensão. Durante esses momentos, as preocupações do trabalho e da rotina ficam em segundo plano, e exercitamos algo cada vez mais raro: a atenção plena. Ao nos conectarmos com o presente, também conseguimos escutar melhor nós mesmos — com mais calma, leveza e presença.


    Quando feito em grupo, o ato de brincar pode ser um antídoto contra a solidão. E mais: fortalece os laços sociais. Afinal, muitas vezes, durante essas atividades lúdicas, aprendemos a compartilhar, negociar, lidar com regras, respeitar o espaço do outro e mediar conflitos — habilidades sociais essenciais para a convivência.


  Segundo Brown, brincar ainda é uma forma eficiente de desenvolver a adaptabilidade, a inteligência, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas. Para ele, em tempos difíceis, precisamos disso mais do que nunca, pois reforça nossa aptidão de lidar com o inesperado.


Os ‘kidults’


    Junção das palavras “kid” (criança) e “adult” (adulto), o termo “kidult” é usado hoje para definir os adultos que compram, colecionam e se envolvem com brinquedos, personagens e itens que normalmente seriam voltados para o público infantil.


    Esse universo está cada vez mais longe de ser um nicho pequeno. De acordo com dados da empresa de pesquisa WGSN, o mercado dos brinquedos colecionáveis foi estimado em US$ 12,5 bilhões em 2021 (R$ 6,6 bilhões, sem correção da inflação) e pode chegar a US$ 35,3 bilhões até 2032 (R$ 18,8 bilhões).


   Só nos Estados Unidos, pessoas entre 19 e 99 anos representaram 17,3% das vendas de brinquedos em 2023, segundo a Business Insider.


    Mais do que passatempo, os brinquedos oferecem refúgio. Em tempos de burnout e sobrecarga emocional, funcionam como uma ponte de volta aos momentos leves da infância — e, por isso, têm ganhado espaço em um mercado cada vez mais guiado pela nostalgia. Filmes como Barbie e Lilo & Stitch são apenas alguns exemplos dessa tendência.


    Entre os favoritos dos kidults, estão clássicos como os bonecos Funko, as peças de Lego e as famosas action figures. E também os hypados monstrinhos Labubu e os bebês reborn.


Hora de brincar


   Em entrevista ao The New York Times, a professora Meredith Sinclair, autora do livro “Well Played: The Ultimate Guide to Awakening Your Family’s Playful Spirit” (Bem jogado: o guia para acordar o espírito brincalhão da sua família), sugere um jeito simples de reencontrar o prazer de brincar: lembrar do que fazia você feliz na infância. Pode ser algo tão simples quanto massinha de modelar, jogar stop com amigos ou correr atrás de uma bola no parque. O importante é deixar de lado a preocupação com o olhar alheio.


    Brincar também passa por fazer algo sem a intenção de postar ou de gerar engajamento — algo que, convenhamos, anda cada vez mais raro. Embora compartilhar nas redes o que tem feito você se divertir seja legal, inclusive para inspirar outras pessoas, viver uma experiência só para si pode ser um exercício bem poderoso.


   Na vida adulta, brincar raramente acontece por acaso. Por isso, vale reservar um tempo na agenda. Dedicar alguns minutos do dia a algo leve, só por prazer, pode ser justamente o que falta para sua rotina ficar um pouco mais solar.



Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/bons-motivospara-nao-se-levar-tao-a-serio-e-fazer-sua-crianca-interioraflorar.shtml. Acesso em: 23 dez. 2025.

Tendo em vista as regras de colocação pronominal da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão.
  1. A“‘[...] O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública’ [...]”.
    Reescrita: O déficit de brincadeiras entre adultos está tornando-se uma crise de saúde pública.
  2. B“Bons motivos para não se levar tão a sério e fazer sua criança interior aflorar”.
    Reescrita: Bons motivos para não levar-se tão a sério e fazer sua criança interior aflorar.
  3. C“[...] 93% dos adultos afirmam se sentir estressados regularmente.”.
    Reescrita: 93% dos adultos se afirmam sentir estressados regularmente.
  4. D“[...] adultos que compram, colecionam e se envolvem com brinquedos [...]”.
    Reescrita: [...] adultos que compram, colecionam e envolvem-se com brinquedos [...].”
  5. E“Embora compartilhar nas redes o que tem feito você se divertir seja legal [...].
    Reescrita: Embora compartilhar nas redes o que tem feito você divertir-se seja legal [...].
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “‘[...] O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública’ [...]”. Reescrita: O déficit de brincadeiras entre adultos está tornando-se uma crise de saúde pública.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a reescrita que preserva a norma-padrão

Gabarito: letra A. A reescrita proposta em A é a única que se mantém condizente com a norma-padrão de colocação pronominal, pois converte a próclise ("está se tornando") em ênclise ("está tornando-se") de forma gramaticalmente correta, sem alterar o sentido. A regra que decide a questão é a da próclise obrigatória após certos atratores (como advérbios e pronomes relativos) e a ênclise como posição padrão quando não há atrator. A alternativa A é a única em que a reescrita respeita essa regra, pois "está" é um verbo auxiliar que admite o pronome após o verbo principal no particípio ou no infinitivo, e não há palavra atrativa antes.

O Comando: Reescrita com Correção Gramatical

O enunciado pede que se identifique a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão. Isso significa que devemos verificar se a nova redação, com o pronome "se" em posição diferente da original, continua gramaticalmente correta. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação das regras de colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise). A tarefa é testar cada reescrita contra as regras da norma culta.

O Texto: Onde a Resposta Mora

O texto-base serve apenas como fonte das frases originais. A resposta não depende do conteúdo do texto, mas da estrutura sintática de cada trecho. Precisamos analisar cada frase isoladamente, identificando se há palavras que atraem o pronome para antes do verbo (próclise) ou se a posição após o verbo (ênclise) é a correta.

A Técnica: As Regras de Colocação Pronominal

A colocação pronominal no português segue três posições principais:

  • Próclise: pronome antes do verbo. É obrigatória quando há palavras atrativas, como: advérbios (não, nunca, sempre), pronomes relativos (que, quem, o qual), pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém), pronomes demonstrativos (isto, isso, aquilo), conjunções subordinativas (que, se, embora, quando) e em frases optativas (Deus te abençoe).

  • Ênclise: pronome depois do verbo. É a posição padrão quando não há atrator. Ocorre com verbos no infinitivo, no imperativo afirmativo e no início de orações.

  • Mesóclise: pronome no meio do verbo, usada com futuro do presente e futuro do pretérito (dar-lhe-ei, falar-lhe-ia).

Locuções verbais: quando há um verbo auxiliar + verbo principal no infinitivo ou gerúndio, o pronome pode ficar:

  • Após o verbo auxiliar ("está se tornando") — forma mais comum.

  • Após o verbo principal ("está tornando-se") — também correta, desde que não haja atrator.

  • Antes do verbo auxiliar ("se está tornando") — correta se houver atrator.

Análise das Alternativas

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Obrigatória com atrator
      • Advérbios (não, nunca)
      • Pronomes relativos (que, quem)
      • Conjunções subordinativas
  • 2Ênclise (após o verbo)
    • Posição padrão sem atrator
    • Locução verbal: após o principal
  • 3Mesóclise
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública" → "O déficit de brincadeiras entre adultos está tornando-se uma crise de saúde pública."

A reescrita é correta. Na locução verbal "está se tornando", o pronome "se" está entre o auxiliar e o principal. A reescrita o desloca para depois do verbo principal no gerúndio: "está tornando-se". Como não há palavra atrativa antes do verbo, a ênclise é perfeitamente aceitável. A norma-padrão permite tanto "está se tornando" quanto "está tornando-se". A reescrita mantém o sentido e a correção gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Bons motivos para não se levar tão a sério" → "Bons motivos para não levar-se tão a sério"

A reescrita é incorreta. Na frase original, o advérbio "não" é uma palavra atrativa que obriga a próclise: "não se levar". A reescrita "não levar-se" quebra essa regra, pois coloca o pronome depois do verbo mesmo havendo o atrator "não". Erro: contradiz a regra da próclise obrigatória após advérbio de negação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"93% dos adultos afirmam se sentir estressados" → "93% dos adultos se afirmam sentir estressados"

A reescrita é incorreta. Na original, "afirmam se sentir" é uma locução verbal em que o pronome está entre o auxiliar e o principal. A reescrita "se afirmam sentir" desloca o pronome para antes do verbo auxiliar, mas sem a presença de palavra atrativa. A posição padrão seria "afirmam-se sentir" (ênclise no auxiliar) ou "afirmam sentir-se" (ênclise no principal). A forma "se afirmam" só seria correta se houvesse um atrator, o que não ocorre. Erro: posição do pronome sem atrator, gerando construção não padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"adultos que compram, colecionam e se envolvem com brinquedos" → "adultos que compram, colecionam e envolvem-se com brinquedos"

A reescrita é incorreta. Na original, o pronome relativo "que" é uma palavra atrativa que obriga a próclise: "que se envolvem". A reescrita "envolvem-se" ignora o atrator "que", colocando o pronome após o verbo. Erro: contradiz a regra da próclise obrigatória após pronome relativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"o que tem feito você se divertir" → "o que tem feito você divertir-se"

A reescrita é incorreta. Na original, o pronome relativo "que" (em "o que") é um atrator que obriga a próclise: "que tem feito você se divertir". A reescrita "divertir-se" desloca o pronome para depois do verbo, ignorando o atrator. Erro: contradiz a regra da próclise obrigatória após pronome relativo.

Conclusão

A questão testa a habilidade de reconhecer a próclise obrigatória após palavras atrativas (advérbios como "não" e pronomes relativos como "que"). A única alternativa que não viola essa regra é a A, que converte uma próclise facultativa em ênclise igualmente correta. As demais alternativas (B, D e E) quebram a próclise obrigatória, e a C usa uma posição não padrão sem atrator.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases com pronomes oblíquos, identifique primeiro se há palavra atrativa (não, nunca, que, quem, etc.). Se houver, a próclise é obrigatória e a ênclise é erro. Se não houver, a ênclise é a posição padrão.

Gabarito: letra A

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