Questão de Português — Interpretação de Textos — Instituto Consulplan 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg740418
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Câmara de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Interno
Ao final do texto, o narrador sintetiza sua repulsa ao descrever a rotina noturna do seu interlocutor como o “retrato perfeito do cretino nacional” (2º§). De acordo com a progressão argumentativa do autor, essa “cretinice” é atribuída ao personagem por ele:
ANegligenciar a formação intelectual dos filhos ao priorizar o entretenimento passivo da televisão em detrimento da leitura.
BApresentar a conformidade a padrões sociais e domésticos banais como se fossem virtudes excepcionais ou conquistas admiráveis.
CDemonstrar uma inclinação hipócrita para a vida familiar, visando esconder uma conduta moral duvidosa fora do ambiente doméstico.
DIgnorar a importância do convívio social na esfera pública, refugiando-se no isolamento do lar para evitar o confronto com a realidade política.
ERevelar uma falta de autenticidade ao mimetizar hábitos da elite intelectual, como a leitura de jornais de prestígio, sem de fato compreendê-los.
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GabaritoB — Apresentar a conformidade a padrões sociais e domésticos banais como se fossem virtudes excepcionais ou conquistas admiráveis.
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"Retrato perfeito do cretino nacional"
Gabarito: letra B. A "cretinice" atribuída ao personagem consiste em apresentar hábitos domésticos e sociais absolutamente banais como se fossem virtudes excepcionais ou conquistas admiráveis. O autor, com ironia cortante, enumera esses hábitos – "bom chuveiro", "café reforçado", "Macedo Soares e histórias em quadrinhos", "mudo camisa e cueca todo dia" – e conclui que essa rotina é "o retrato perfeito do cretino nacional". A repulsa do narrador não é pelos atos em si, mas pela autossatisfação vazia com que o interlocutor os relata.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto menciona as crianças "em cima" enquanto vê TV, mas a crítica não é sobre negligência com a formação intelectual dos filhos; é sobre a banalidade do quadro familiar. A alternativa acrescenta um juízo (priorizar entretenimento em detrimento da leitura) que não está no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Prova textual: Todo o primeiro parágrafo e o segundo mostram o homem se vangloriando de coisas comezinhas: "Acordo às sete... tomo o meu bom chuveiro", "peço os jornais... tomo meu café reforçado", "mudo camisa e cueca todo dia". O autor zomba da pretensão de transformar o ordinário em extraordinário. A descrição final (pijama, sofá, TV, crianças) é a síntese desse conformismo banal apresentado como virtude.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação (opinião embutida). O texto não sugere que o personagem esconde conduta moral duvidosa. A crítica é à superficialidade e à falta de autocrítica, não à hipocrisia. Não há pistas de que a vida familiar seja uma fachada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: fuga ao tema (tangenciamento). O texto não aborda a importância do convívio social na esfera pública nem acusa o personagem de se refugiar no lar para evitar a realidade política. A banalidade criticada é justamente o oposto do engajamento, mas a alternativa inventa um motivo para o isolamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: restrição (afirmação incompleta). A leitura restrita a "Macedo Soares e histórias em quadrinhos" é apenas um dos itens da rotina que o autor ridiculariza. A alternativa reduz a "cretinice" a mimetizar a elite intelectual, quando o alvo principal é a autossatisfação com a mediocridade em todos os aspectos da vida. O autor não diz que o personagem não compreende o que lê; critica a seletividade pretensiosa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta seduzir com extrapolações (A e C) que parecem plausíveis, mas o texto não as autoriza. A correta (B) é a que melhor sintetiza a ironia do autor: a banalidade elevada a feito.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de crônica com ironia, pergunte-se: "de que exatamente o autor está rindo?" – a resposta costuma ser a opção que capta a contradição entre o valor que o personagem se atribui e o real valor de seus atos.