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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg758529
Banca
Quadrix
Órgão
CRF-DF
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente I
        No âmbito dos conselhos profissionais, a linguagem utilizada nos atos administrativos ultrapassa a mera função informativa, assumindo papel estratégico na consolidação da legitimidade institucional. A escolha lexical, a organização sintática e o encadeamento lógico das ideias revelam não apenas domínio da norma‑padrão, mas também compromisso com a clareza, a impessoalidade e a precisão exigidas na administração pública.

        Nesse contexto, desvios gramaticais, ambiguidades sintáticas ou inadequações semânticas não se restringem ao plano formal do texto: afetam diretamente sua interpretação, comprometem a segurança jurídica dos atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a sociedade. Assim, a competência leitora e escritora do servidor público envolve reconhecer sutilezas linguísticas, interpretar implícitos discursivos e avaliar criticamente os efeitos de sentido produzidos pelo texto.

        Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa, à transparência e ao fortalecimento da credibilidade dos conselhos profissionais.

BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. Brasília: Presidência da República, 2018 (com adaptações).
Quanto aos sentidos explícitos e implícitos do texto, bem como à organização argumentativa, à tese defendida e à tipologia textual predominante, julgue o item a seguir.O trecho “ultrapassa a mera função informativa” pressupõe que a linguagem administrativa se limita, em regra, à informação objetiva.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pressuposto e sentido de "ultrapassa a mera função informativa"

Gabarito: letra E (Errado). O trecho "ultrapassa a mera função informativa" não pressupõe que a linguagem administrativa se limita, em regra, à informação objetiva; ao contrário, ele nega essa limitação ao afirmar que a linguagem vai além dela. A banca inverteu a direção do pressuposto: o que o texto diz é que a linguagem administrativa não se limita à função informativa, e não que ela se limita.

O comando pede que se julgue uma afirmação sobre os sentidos explícitos e implícitos do texto. Isso significa que precisamos distinguir o que está dito (explícito) do que está apenas sugerido (implícito), e, dentro do implícito, separar pressuposto (marcado linguisticamente, decorrência necessária das palavras) de subentendido (insinuação, dedução subjetiva). A questão testa exatamente essa distinção: o candidato precisa perceber que "ultrapassa a mera função informativa" pressupõe que existe uma função informativa, mas não que ela seja o limite da linguagem administrativa.

"a linguagem utilizada nos atos administrativos ultrapassa a mera função informativa, assumindo papel estratégico na consolidação da legitimidade institucional"

O verbo "ultrapassar" carrega um pressuposto claro: para ultrapassar algo, esse algo precisa existir. Logo, o texto pressupõe que a linguagem administrativa tem uma função informativa. Porém, o predicado "ultrapassa" indica que ela vai além desse papel — ou seja, a função informativa é apenas um ponto de partida, não o limite. A afirmação do item diz exatamente o oposto: que a linguagem "se limita, em regra, à informação objetiva". Isso contradiz o texto, que afirma que ela não se limita.

A pegadinha da banca é dupla. Primeiro, ela explora a confusão entre "pressupor a existência de" e "pressupor a limitação a". Segundo, ela troca o sentido do verbo: "ultrapassar" (ir além) foi lido como "limitar-se a" (ficar restrito). É uma troca de vocábulo que inverte completamente a direção do sentido. O texto diz que a linguagem é mais que informativa; o item afirma que ela é apenas informativa. São posições antagônicas.

Para resolver questões de pressuposto, o método é: identifique a pista linguística (o verbo, o advérbio, a conjunção) e pergunte o que ela obriga a concluir. "Ultrapassa" obriga a concluir que há algo a ser ultrapassado (a função informativa existe), mas não obriga a concluir que esse algo é o limite. Na verdade, obriga a concluir o contrário: que há mais além dele. O item, ao afirmar que a linguagem "se limita", extrapola e contradiz o texto — é uma inferência ilegítima, pois não há pista alguma que a sustente.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de itens que trocam o verbo central por um antônimo. "Ultrapassar" ≠ "limitar-se". Se o texto diz que algo vai além, a afirmação de que ele se restringe é sempre falsa.

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação "O trecho 'ultrapassa a mera função informativa' pressupõe que a linguagem administrativa se limita, em regra, à informação objetiva" está errada por dois motivos:

  1. Contradiz o texto: o trecho diz que a linguagem "ultrapassa" a função informativa, ou seja, vai além dela. Afirmar que ela "se limita" a essa função é o oposto do que está escrito.

  2. Confunde pressuposto com subentendido: o pressuposto de "ultrapassa" é apenas que a função informativa existe (é o ponto de partida), não que ela seja o limite. A ideia de "limitação" é uma dedução subjetiva, um subentendido que o texto não autoriza — na verdade, o texto a nega.

O erro é do tipo contradiz_texto: a banca parafraseou o trecho, mas inverteu o sentido do verbo "ultrapassar" por "limitar-se", criando uma afirmação incompatível com o texto.

Conclusão: o item está errado porque inverte a direção do pressuposto. O texto afirma que a linguagem administrativa não se limita à função informativa — ela a ultrapassa. A banca tentou fazer o candidato confundir "pressupor a existência de" com "pressupor a limitação a", mas a pista linguística ("ultrapassa") aponta exatamente no sentido contrário ao da afirmação.

Gabarito: letra E (Errado).

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