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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg758644
Banca
Quadrix
Órgão
CRF-PR
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista de Sistemas

    O conhecimento geral sobre medicamentos é importante para a saúde pública, a prática clínica e a promoção da segurança do paciente. Frequentemente referido na literatura da área como alfabetização medicamentosa (medication literacy), esse conhecimento transcende a simples identificação de nomes farmacêuticos: envolve a capacidade de entender, interpretar, avaliar e aplicar corretamente informações referentes a medicamentos em contextos reais de uso, incluindo habilidades funcionais (como ler rótulos e bulas), comunicativas e críticas (como avaliar fontes de informação) e competências numéricas (para calcular dosagens ou horários).        
     Evidências científicas mostram que baixos níveis de literacia em medicamentos estão associados a resultados de saúde piores e a desfechos clínicos negativos, já que grande parte de pacientes desconhece os nomes genéricos ou a finalidade de seus medicamentos. Indivíduos com pouco conhecimento sobre seus tratamentos tendem a apresentar adesão terapêutica reduzida, maior risco de eventos adversos e menor controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e outras comorbidades comuns em populações envelhecidas. Esses efeitos negativos se dão porque o entendimento inadequado do regime medicamentoso compromete a capacidade de seguir orientações terapêuticas corretamente e de reconhecer sinais de alerta de complicações.     
 
    Quando os pacientes compreendem por que um medicamento foi prescrito, qual sua função e quais são os possíveis efeitos colaterais, eles adquirem maior autonomia e podem participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento.        
     A formação de médicos, farmacêuticos, enfermeiros e demais profissionais inclui, cada vez mais, competências relacionadas à adesão medicamentosa e comunicação efetiva acerca de tratamentos, uma vez que esses conhecimentos impactam diretamente a prática clínica e a promoção do uso racional de medicamentos. Nesse sentido, a presença de farmacêuticos e programas educativos nas unidades de saúde é uma estratégia comprovada para elevar o conhecimento medicamentoso da população, proporcionando não apenas informações precisas sobre medicamentos genéricos e prescritos, mas também orientações relativas ao uso racional e à prevenção de problemas como resistência antimicrobiana e interações medicamentosas.
    Em suma, o conhecimento sobre medicamentos é um componente essencial da saúde contemporânea, sustentado por evidências científicas que demonstram sua relação com melhores desfechos clínicos, maior segurança terapêutica e maior participação dos pacientes na gestão de sua própria saúde.


Internet: <rsdjournal.org> (com adaptações).

A respeito das ideias do texto, julgue os itens a seguir.Deduz‑se do texto que a automedicação é considerada uma prática segura quando o indivíduo apresenta elevada alfabetização medicamentosa.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência textual: automedicação como prática de risco

Gabarito: E (Errado). O item afirma que a automedicação é considerada uma prática segura quando o indivíduo apresenta elevada alfabetização medicamentosa, mas o texto a classifica como prática de risco a ser evitada. A passagem que sustenta essa conclusão está no terceiro parágrafo, quando o autor afirma que a compreensão do tratamento permite aos pacientes "evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento". Ou seja, o texto não diz que a automedicação se torna segura com conhecimento; pelo contrário, ela é sempre uma prática de risco, independentemente do nível de alfabetização medicamentosa.

O comando: inferência com pista no texto

O enunciado pede que se deduza do texto uma ideia. Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas deve ser uma conclusão obrigatória a partir das pistas deixadas pelo autor. A banca não quer que você "ache" algo por bom senso; quer que você verifique se a dedução proposta é autorizada pelo texto. No caso, a dedução proposta é exatamente o oposto do que o texto afirma.

O texto: a automedicação é sempre um risco

O texto trata da importância do conhecimento sobre medicamentos (alfabetização medicamentosa) para a saúde pública. No terceiro parágrafo, o autor explica que, quando os pacientes compreendem seus tratamentos, eles ganham autonomia e podem "evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento". A palavra "evitar" é decisiva: a automedicação é colocada no mesmo grupo de práticas que devem ser evitadas, não incentivadas. O texto não estabelece nenhuma condição em que a automedicação se torne segura — nem mesmo para quem tem alto conhecimento. Pelo contrário, a lógica é: quanto mais conhecimento, mais o paciente evita a automedicação.

A técnica: teste da contradição

Para resolver itens de certo/errado, pergunte: o texto autoriza essa afirmação? Se o texto diz o contrário, o item está errado. Aqui, o item afirma que a automedicação é segura quando há alta alfabetização medicamentosa. O texto diz que a automedicação é uma prática de risco a ser evitada. Não há nenhuma passagem que relativize isso. Portanto, o item contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o sentido. Ela pega um termo do texto (automedicação) e o associa a uma condição (alta alfabetização) que, no texto, serve para evitar essa prática, não para torná-la segura. O candidato pode ser tentado a pensar: "se a pessoa entende de remédios, pode se automedicar com segurança". Mas isso é uma extrapolação — o texto não diz isso em lugar nenhum.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de itens que apresentam uma relação de causa e consequência que o texto não estabelece. O texto diz que conhecimento leva a evitar automedicação; o item diz que conhecimento torna a automedicação segura. São relações opostas.

Análise do item

Automedicação no texto
  • 1Prática de risco
    • Deve ser evitada
    • Mesmo com alta alfabetização medicamentosa
  • 2Conhecimento do tratamento
    • Autonomia do paciente
    • Diálogo com profissionais
    • Evita práticas de risco
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ❌ Errado

O item afirma: "Deduz-se do texto que a automedicação é considerada uma prática segura quando o indivíduo apresenta elevada alfabetização medicamentosa."

Isso é falso frente ao texto. Veja a passagem:

"Quando os pacientes compreendem por que um medicamento foi prescrito, qual sua função e quais são os possíveis efeitos colaterais, eles adquirem maior autonomia e podem participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento."

Aqui, a automedicação é citada como exemplo de prática de risco que o paciente bem informado evita. Não há nenhuma menção a "automedicação segura" ou a qualquer condição que a torne aceitável. O item contradiz o texto ao inverter o sentido: o texto diz "evitar", o item diz "segura".

Conclusão: o item está errado porque o texto trata a automedicação como prática de risco a ser evitada, e não como prática segura em nenhuma circunstância. A dedução proposta não é autorizada pelo texto — é uma extrapolação que inverte o sentido original.

Gabarito: E (Errado).

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