Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg759211
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Enfermagem
Texto para a questão.
Leandro Karnal – Não importa o que o profissional
de enfermagem (se é técnico, auxiliar ou enfermeiro) faça,
ele vai sofrer. Vai sofrer porque pode adoecer, porque pode
perder alguém querido, porque a profissão é extremamente
desafiadora e o ambiente hospitalar é muito estressante.
Vai sofrer porque lida com a dor dos outros o dia inteiro - é
inevitável.
Mas tanto os budistas quanto os filósofos estoicos
afirmavam o seguinte: “Eu não controlo o mundo, eu
controlo como o mundo me influencia”. Ou seja, trata‑se de
um processo interno que a Monja Coen destaca em uma
frase do budismo zen: “A dor é inevitável, o sofrimento
não”. Se eu bater o pé na quina da cama, eu vou sentir dor.
No entanto, se eu aumentar essa dor com xingamentos,
revolta e sentimentos negativos, eu transformo a dor em
sofrimento.
Internet: (com adaptações).
Considerando o contraste estabelecido no texto entre a inevitabilidade da dor na profissão de enfermagem e a perspectiva filosófica da gestão do sofrimento, assinale a opção correta, em relação ao que é inferido acerca da mensagem central do texto.
AA separação entre dor e sofrimento serve como uma ferramenta de resiliência psicológica que, embora não anule a natureza estressante da profissão, permite a gestão interna da reação a essa realidade.
BA postura adotada pelo profissional de enfermagem diante dos desafios inevitáveis é o único fator que determinará a sua permanência ou desistência da profissão.
CO texto advoga que a dor física e emocional na enfermagem pode ser totalmente eliminada, contanto que o profissional adote os princípios do Estoicismo e do Budismo Zen.
DA visão apresentada pelos budistas e pelos estoicos aplica‑se exclusivamente a traumas físicos, não oferecendo soluções válidas para o esgotamento emocional e a sobrecarga mental dos enfermeiros.
EKarnal e a monja Coen defendem que o sofrimento é um estado exclusivamente subjetivo e que, portanto, não está ligado às causas externas, como o ambiente de trabalho hospitalar.
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GabaritoA — A separação entre dor e sofrimento serve como uma ferramenta de resiliência psicológica que, embora não anule a natureza estressante da profissão, permite a gestão interna da reação a essa realidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Inferência sobre a mensagem central: dor inevitável, sofrimento gerenciável
Gabarito: letra A. A alternativa correta sintetiza a tese do texto: a separação entre dor e sofrimento funciona como ferramenta de resiliência psicológica — não elimina o estresse da profissão, mas permite gerir internamente a reação a ele. Essa leitura está ancorada na passagem em que o autor cita a frase do budismo zen e a explica com o exemplo do pé batido na quina da cama.
O comando pede uma inferência sobre a mensagem central — ou seja, não basta localizar uma frase solta; é preciso depreender a ideia que organiza o texto. O texto parte de um fato (o profissional de enfermagem vai sofrer) e apresenta uma perspectiva filosófica (budismo e estoicismo) que distingue o que é inevitável (a dor) do que é gerenciável (o sofrimento). A alternativa A capta exatamente esse movimento: reconhece a realidade estressante e propõe a gestão interna como resposta.
A técnica decisiva aqui é testar cada alternativa contra o alcance do texto: o que ele afirma, o que ele nega e o que ele simplesmente não diz. Palavras absolutas como "único", "totalmente", "exclusivamente" e "não está ligado" são alertas imediatos — quase sempre restringem ou ampliam indevidamente o sentido. Vejamos cada uma.
Dor × Sofrimento: Dor (Inevitável, Causa externa); Sofrimento (Reação interna, Gerenciável); Ferramenta (Resiliência psicológica, Não anula o estresse, Gestão da reação)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela afirma que a separação entre dor e sofrimento é uma ferramenta de resiliência psicológica que não anula a natureza estressante da profissão, mas permite gerir internamente a reação a essa realidade. Isso é exatamente o que o texto diz:
"A dor é inevitável, o sofrimento não"
E explica com o exemplo do pé batido na quina da cama: a dor é inevitável, mas o sofrimento é aumentado por xingamentos, revolta e sentimentos negativos — ou seja, é uma reação interna que pode ser controlada. A alternativa A não extrapola: ela reconhece que a profissão continua estressante ("não anula a natureza estressante") e propõe apenas a gestão da reação, que é o que o texto defende. É uma paráfrase fiel da tese.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que a postura do profissional é o único fator que determinará sua permanência ou desistência da profissão. O texto não diz isso — ele fala em sofrimento inevitável e em gestão da reação, mas não afirma que a postura é o único fator de permanência ou desistência. Isso é uma extrapolação: o texto não aborda os fatores de permanência ou desistência, e a palavra "único" é um absoluto que restringe indevidamente o alcance. O texto apenas sugere que a gestão interna pode ajudar a lidar com o sofrimento, não que ela determina tudo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o texto advoga que a dor física e emocional pode ser totalmente eliminada com os princípios do Estoicismo e do Budismo Zen. Isso contradiz o texto, que diz explicitamente:
"A dor é inevitável, o sofrimento não"
Ou seja, a dor é inevitável — não pode ser eliminada. O que pode ser eliminado (ou melhor, gerenciado) é o sofrimento. A alternativa C troca o objeto: diz que a dor pode ser eliminada, quando o texto diz que a dor é inevitável. Além disso, o texto não diz que os princípios eliminam a dor, mas que ajudam a gerir a reação a ela. É uma troca de conceito (dor × sofrimento) e uma contradição com o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a visão budista/estoica se aplica exclusivamente a traumas físicos, não oferecendo soluções para o esgotamento emocional. O texto não diz isso — pelo contrário, ele aplica a visão ao sofrimento emocional do profissional de enfermagem, que lida com a dor dos outros o dia inteiro. A palavra "exclusivamente" é um absoluto que restringe indevidamente o alcance. O texto usa o exemplo do pé batido na quina (físico), mas a discussão é sobre o sofrimento emocional da profissão. A alternativa D restringe o texto a um caso físico, ignorando o contexto emocional que é o foco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que Karnal e a monja Coen defendem que o sofrimento é exclusivamente subjetivo e que não está ligado às causas externas, como o ambiente de trabalho. O texto não diz isso — ele diz que a dor é inevitável (causa externa), mas o sofrimento é a reação a essa dor. O sofrimento está ligado às causas externas (a dor), mas a gestão dele é interna. A alternativa E contradiz o texto ao afirmar que o sofrimento não está ligado às causas externas — o texto diz que a dor é inevitável e que o sofrimento é a amplificação dessa dor por sentimentos negativos. A palavra "exclusivamente" e a negação "não está ligado" são absolutos que distorcem o sentido.
Conclusão: A alternativa A é a única que não extrapola, não restringe e não contradiz o texto. Ela capta a tese central: a dor é inevitável, mas o sofrimento pode ser gerenciado internamente. As demais alternativas caem em armadilhas clássicas: absolutos (B, D, E), troca de conceito (C) e contradição (C, E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora usar absolutos ("único", "totalmente", "exclusivamente", "não está ligado") para fazer você marcar uma alternativa que parece plausível, mas que restringe ou amplia o que o texto diz. Desconfie sempre dessas palavras.
PEGA ESSA DICA!
Ao ler o comando "infere-se", procure a tese do texto (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Se a alternativa usar um absoluto, confronte com o alcance real do texto.