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Questão de Português — Uso dos conectivos — Quadrix 2026

PortuguêsUso dos conectivos
Código
qg759276
Banca
Quadrix
Órgão
CRBM 6º Região
Ano
2026
Nível
Superior
Dados genéticos e proteção da privacidade: biobancos e a aplicação da LGPD

        A informação genética ocupa um lugar peculiar no sistema jurídico por seu caráter híbrido. É, ao mesmo tempo, um dado individual, profundamente identitário, e um dado relacional, com implicações para familiares, grupos étnicos e até populações inteiras.

        A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classificou os dados genéticos como sensíveis, sujeitando‑os a um regime mais rigoroso de tratamento. Entretanto, os dispositivos legais revelam‑se insuficientes diante da complexidade das novas práticas envolvendo bancos de dados genômicos, especialmente os biobancos. Esses repositórios, públicos ou privados, armazenam material biológico humano e informações genéticas com fins de pesquisa, diagnóstico ou desenvolvimento tecnológico, e vêm sendo utilizados cada vez mais por empresas farmacêuticas, instituições acadêmicas e corporações internacionais.

        A LGPD exige que o consentimento para o tratamento de dados sensíveis seja livre, informado, inequívoco e vinculado a finalidades específicas. No entanto, a prática da pesquisa científica, especialmente em genética, frequentemente demanda o uso futuro e não previsto dos dados. Isso gera impasses jurídicos quanto à validade do consentimento amplo.

        Ademais, a promessa de anonimização como instrumento de proteção de dados genéticos revela‑se, em muitos casos, ilusória. Devido à singularidade do genoma, à possibilidade de cruzamento com bancos públicos e ao avanço de ferramentas de reidentificação, a suposta anonimização pode ser revertida, colocando em risco a confidencialidade e a segurança do titular.

        O risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado, também deve ser enfrentado com seriedade. O crescimento de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor ilustra uma nova forma de economia de dados, em que a genômica se converte em produto de mercado.

        Portanto, mais do que adequar a prática científica aos limites da LGPD, é necessário repensar os próprios fundamentos da regulação da genética humana. O direito à privacidade, a proteção contra a discriminação genética e a defesa do bem comum devem ser os pilares de uma nova abordagem jurídica – mais protetiva, preventiva e participativa. Sem isso, o risco é transformar o avanço biotecnológico em um vetor de exclusão, vigilância e exploração.

Internet:<www.conjur.com.br>  (com adaptações).
Acerca do texto e dos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.Em “Ademais, a promessa de anonimização como instrumento de proteção de dados genéticos revela‑se, em muitos casos, ilusória”, o conectivo “ademais” poderia ser substituído por portanto, sem prejuízo para o sentido original do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivo "ademais" × "portanto": adição e conclusão não se confundem

Gabarito: E (Errado). O conectivo "ademais" tem valor aditivo (acrescenta um argumento novo), enquanto "portanto" é conclusivo (encerra uma ideia já apresentada). A substituição alteraria o sentido original, pois o trecho em questão não conclui nada — ele soma mais um problema à lista de insuficiências da LGPD. A passagem que ancora o veredito é o próprio período citado no enunciado, que se inicia com "Ademais" e introduz uma nova crítica (a anonimização ilusória), e não um fechamento do raciocínio.

O comando pede um julgamento de substituição sem prejuízo de sentido — tarefa típica de reescritura. Aqui, o foco não é interpretar o texto, mas reconhecer a relação lógica que o conectivo estabelece entre o parágrafo anterior e o novo. Para acertar, é preciso saber que:

  • Ademais = "além disso", "além do mais" → adição (soma argumentos).

  • Portanto = "logo", "por conseguinte" → conclusão (fecha um raciocínio).

No texto, o autor já apresentou dois problemas da LGPD: (1) o consentimento amplo gera impasses; (2) a anonimização é ilusória. O "Ademais" acrescenta o segundo problema ao primeiro — não o conclui. Se trocássemos por "portanto", o leitor entenderia que a anonimização ilusória é uma consequência do impasse do consentimento, o que não está dito. A relação é de soma, não de causa-consequência.

"Ademais, a promessa de anonimização como instrumento de proteção de dados genéticos revela‑se, em muitos casos, ilusória."

O conectivo "ademais" não pode ser substituído por "portanto" porque muda a natureza da relação entre os parágrafos: de aditiva para conclusiva. A banca explora exatamente essa confusão clássica entre conectivos de valores semânticos distintos.

1Ademais
Valor aditivo
Soma argumentos
"além disso"
2Portanto
Valor conclusivo
Fecha raciocínio
"logo"
3Substituição
Muda a relação (adição → conclusão)
Prejudica o sentido
Conectivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos: Ademais (Valor aditivo, Soma argumentos, "além disso"); Portanto (Valor conclusivo, Fecha raciocínio, "logo"); Substituição (Muda a relação (adição → conclusão), Prejudica o sentido)

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação do item é falsa. O conectivo "ademais" é aditivo e "portanto" é conclusivo; a troca alteraria o sentido original, pois o trecho não conclui, mas acrescenta um argumento. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir uma substituição que não preserva a relação lógica estabelecida no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre conectivos de adição e conclusão. "Ademais" soma; "portanto" conclui. No texto, o autor acrescenta o problema da anonimização ilusória aos já citados — não o apresenta como consequência deles.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituição de conectivo, pergunte: "a relação entre as ideias é de soma, oposição, causa, conclusão?" Se o conectivo trocado muda a relação, o sentido muda — e o item é errado.

Conclusão: a substituição de "ademais" por "portanto" não é possível sem prejuízo de sentido, pois altera a relação de adição para conclusão. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E (Errado).

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