Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026
- Código
- qg759487
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREFONO - 1ª Região
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). O texto não se enquadra predominantemente no gênero dissertativo-argumentativo, pois não apresenta tese explícita nem busca convencer o leitor; ao contrário, tem caráter expositivo-informativo, explicando as causas das mudanças na voz e oferecendo orientações de cuidado. A afirmação de que há "argumentos avaliativos acerca do envelhecimento da voz" é uma extrapolação: o texto apenas descreve o processo, sem emitir juízo de valor sobre ele.
A questão pede que você julgue se o texto é predominantemente dissertativo-argumentativo. Isso exige conhecer a diferença entre os tipos textuais e, principalmente, identificar a intenção do autor — não a forma isolada. Como ensina a teoria: para decifrar a tipologia, olha-se para a intenção (conteúdo), não para a aparência. O texto dissertativo-argumentativo visa convencer o leitor por meio de uma tese e argumentos; o dissertativo-expositivo apenas informa, explica de forma imparcial.
O texto responde à pergunta "Por que a voz muda ao longo do tempo?" e, ao longo dos parágrafos, explica as causas: crescimento da laringe na adolescência, influência hormonal, envelhecimento das cordas vocais, fatores ambientais como cigarro e anabolizantes. Veja o trecho inicial:
"Se você ligar para alguém por telefone, em poucos segundos, será capaz de identificar se quem está do outro lado da linha é uma criança, um adolescente, um adulto ou um idoso."
Esse trecho é uma introdução expositiva, que apresenta o tema, mas não defende uma opinião. O autor não diz "a voz deveria ser cuidada porque..." nem "é lamentável que..."; ele apenas informa como a voz muda e, no final, dá recomendações (evitar cigarro, hidratar-se etc.), o que é típico de texto injuntivo em parte, mas não configura argumentação.
A pegadinha central é confundir tema com tese. O texto tem um tema (as mudanças da voz) e até uma estrutura que lembra introdução-desenvolvimento-conclusão, mas não há tese — ou seja, não há uma opinião defensável que o autor queira provar. O autor não toma partido; ele apenas expõe informações. Por isso, não há "argumentos avaliativos": não há avaliação (juízo de valor) sobre o envelhecimento da voz, apenas descrição de causas e consequências.
Além disso, o texto não busca convencer o leitor de nada. Ele não tenta persuadir a adotar uma opinião; apenas informa e, no último parágrafo, dá conselhos de saúde — o que é função injuntiva (orientar), não argumentativa.
A assertiva afirma que o texto é "predominantemente dissertativo-argumentativo, pois apresenta tese explícita e busca convencer o leitor por meio de argumentos avaliativos". Isso é falso por três motivos:
Não há tese explícita: o texto não apresenta uma opinião a ser defendida. Ele apenas responde a uma pergunta objetiva.
Não há argumentos avaliativos: o autor não emite juízos de valor (ex.: "é preocupante", "é bom"). Ele descreve fatos e processos.
Não busca convencer: a intenção é informar e, no máximo, orientar (no último parágrafo), não persuadir.
O texto é, na verdade, predominantemente dissertativo-expositivo (ou informativo), pois explica um assunto de maneira clara e imparcial. A presença de verbos na terceira pessoa é uma característica comum a vários tipos textuais, não prova de argumentação.
Para classificar a tipologia, pergunte: qual é a intenção do autor? Se ele quer informar/explicar → expositivo; se quer convencer/defender uma opinião → argumentativo. Aqui, a intenção é claramente informativa.
Conclusão: a assertiva está errada, pois classifica erroneamente o texto como dissertativo-argumentativo. O texto é expositivo-informativo, sem tese nem argumentação persuasiva.
Gabarito: E (Errado).
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