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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg759491
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO - 1ª Região
Ano
2026
Nível
Superior
Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem é desafio para famílias

        O Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL) é uma condição que interfere no neurodesenvolvimento e afeta diretamente a capacidade de comunicação, gerando dificuldades na fala, compreensão, interação social e aprendizagem escolar. Os impactos podem ser semelhantes aos observados no autismo, mas a prevalência é maior. Segundo a médica otorrinolaringologista e foniatra Fernanda Correia Bahia, enquanto o Transtorno do Espectro Autista acomete 1% da população, o TDL atinge 7,5%. A falta de conhecimento sobre o transtorno tem levado a erros de diagnóstico e atrasos na intervenção adequada.

        De acordo com a especialista, são fundamentais o diagnóstico e o tratamento conduzidos por médicos foniatras e fonoaudiólogos. Com intervenções adequadas, há uma melhora significativa na comunicação.

        A fonoaudióloga Ecila Paula Mesquita, do Movimento Passo a Passo pelo TDL, afirmou que o transtorno já configura um problema de saúde pública. “O Reino Unido tem muitas pesquisas sobre TDL que mostram alto índice de uso de drogas, depressão e tentativas de suicídio entre adolescentes com o transtorno. Por que não temos estudos no Brasil? Porque o TDL nem é reconhecido”, afirmou a profissional.

        A médica Fernanda Correia Bahia explicou que crianças com TDL têm 12 vezes mais chance de desenvolver transtornos de aprendizagem. Ela lembrou que, em 1980, a condição era chamada de Distúrbio Específico de Linguagem e que, a partir de 2016, passou a ser denominada Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, a partir de um estudo britânico.

        Entre os sinais de alerta, estão: pouco ou nenhum balbucio até os oito meses; ausência de combinação de duas palavras aos 24 meses; linguagem não verbal deficiente; histórico familiar de problemas de alfabetização; dificuldade em compreender comandos simples entre três e quatro anos; e frases curtas e interação social precária entre quatro e cinco anos. Após os cinco anos, costumam ocorrer problemas para contar ou recontar histórias, dificuldades de leitura, vocabulário pobre e pouca compreensão de metáforas.

        A fonoaudióloga Laura Nequini, da Secretaria Municipal de Saúde, reforçou que atrasos na aquisição e no desenvolvimento da linguagem têm sido frequentemente classificados como TEA. “Trazer essa temática à tona é de grande importância. Temos muito a avançar nesse campo”, concluiu.

Internet:<cmbh.mg.gov.br>  (com adaptações).
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.No trecho “condição que interfere no neurodesenvolvimento e afeta diretamente a capacidade de comunicação”, a reescrita condição que interfere no neurodesenvolvimento, afetando diretamente a capacidade de comunicação preserva a correção gramatical e o sentido original do período.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com oração reduzida de gerúndio: “afetando” preserva sentido e gramática

Gabarito: ✅ CERTO. A reescrita “condição que interfere no neurodesenvolvimento, afetando diretamente a capacidade de comunicação” preserva a correção gramatical e o sentido original do trecho. A troca da oração coordenada sindética aditiva (“e afeta”) pela oração reduzida de gerúndio (“afetando”) mantém a mesma relação semântica de adição/concomitância entre as duas ações, sem alterar o conteúdo informativo. A passagem original do texto é:

“condição que interfere no neurodesenvolvimento e afeta diretamente a capacidade de comunicação”

A transformação é um caso clássico de reescritura com equivalência semântica e sintática, em que o gerúndio assume o valor de uma oração coordenada, mantendo o mesmo sujeito (“condição”) e a mesma predicação.

O comando: reescrita que preserva sentido e gramática

A questão pede que se julgue se a reescrita proposta preserva a correção gramatical e o sentido original. Isso exige dois testes simultâneos:

  1. Correção gramatical: a nova estrutura obedece à norma culta? Há problemas de regência, concordância, pontuação ou paralelismo?

  2. Preservação do sentido: a reescrita mantém as mesmas relações semânticas e o mesmo conteúdo proposicional do original?

A banca não pede uma paráfrase “melhor” ou “mais bonita” — pede equivalência. Qualquer mudança de sentido, por mínima que seja, tornaria o item errado.

A técnica: oração coordenada × oração reduzida de gerúndio

No trecho original, temos duas orações ligadas pela conjunção coordenativa aditiva “e”:

  • Oração 1: “condição que interfere no neurodesenvolvimento”

  • Oração 2: “(que) afeta diretamente a capacidade de comunicação”

A conjunção “e” estabelece uma relação de adição entre as duas ações: a condição interfere E afeta. Não há hierarquia, causa, consequência ou oposição — apenas soma de informações.

Na reescrita, a segunda oração é transformada em oração reduzida de gerúndio: “afetando diretamente a capacidade de comunicação”. O gerúndio, nesse contexto, mantém o valor aditivo/concomitante: a ação de “afetar” ocorre simultaneamente à de “interferir”, sem introduzir nenhuma relação nova (como causa, condição ou tempo). O sujeito continua o mesmo (“condição”), e o objeto direto (“a capacidade de comunicação”) permanece intacto.

Essa é uma transformação sintática legítima e muito comum em provas: a oração coordenada sindética aditiva pode ser reduzida a gerúndio sem prejuízo de sentido. Veja o paralelo:

Original

Reescrita

Relação

“interfere e afeta”

“interfere, afetando

Adição / concomitância

“estuda e passa”

“estuda, passando

Adição / concomitância

“chora e grita”

“chora, gritando

Adição / concomitância

Em todos os casos, o gerúndio apenas “empacota” a segunda ação, mantendo a soma de informações. Não há inversão de causa e efeito, não há restrição de alcance, não há opinião nova.

Por que as alternativas erradas falham

Como a questão é de Certo/Errado, não há alternativas A–E para analisar individualmente. O único julgamento é sobre a reescrita. Vamos testar os dois critérios:

  • Correção gramatical: a reescrita está perfeita. O gerúndio “afetando” concorda com o sujeito “condição” (singular), o objeto direto “a capacidade de comunicação” está corretamente regido, e a vírgula antes do gerúndio é facultativa (mas correta, pois separa a oração reduzida). Não há erro de concordância, regência ou pontuação.

  • Preservação do sentido: a reescrita mantém exatamente as mesmas informações: a condição interfere no neurodesenvolvimento E afeta a capacidade de comunicação. Nada foi acrescentado, suprimido ou invertido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir o candidato sugerindo que o gerúndio introduz uma relação de causa (“interfere, afetando” = interfere porque afeta) ou de consequência (“interfere, afetando” = interfere e, por isso, afeta). Mas não é isso que ocorre: o gerúndio aqui é meramente aditivo, mantendo a simultaneidade das ações. A pegadinha seria exatamente essa — atribuir ao gerúndio um valor semântico que ele não tem no contexto.

Conclusão

A reescrita é gramaticalmente correta e semanticamente equivalente ao original. A transformação de oração coordenada aditiva em oração reduzida de gerúndio é um recurso legítimo de paráfrase, amplamente aceito na norma culta. O item está CERTO.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, faça sempre o teste do “o quê”: pergunte-se “o que o texto original afirma?” e “o que a reescrita afirma?”. Se as respostas forem idênticas, o sentido está preservado. Desconfie de reescritas que trocam conectivos (e→mas, e→porque) ou que mudam o tempo verbal — essas quase sempre alteram o sentido.

Gabarito: ✅ CERTO

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