Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026
- Código
- qg759554
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRF-DF
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A reescrita proposta não preserva o sentido do trecho original, pois elimina a ideia de que o domínio da língua portuguesa não se limita a uma exigência formal, mas vai além, configurando instrumento essencial de trabalho. A passagem que decide é o trecho do 2º parágrafo: "o domínio da língua portuguesa não se restringe a uma exigência formal, mas configura instrumento essencial de trabalho do servidor público". A reescrita "O domínio da língua portuguesa configura-se como instrumento essencial de trabalho do servidor público" suprime a negação e a oposição** presentes no original, restringindo o alcance da afirmação.
A questão pede que você julgue se a reescrita "preserva sentido e correção". Isso envolve duas análises: (1) correção gramatical — a nova frase está bem formada? (2) preservação de sentido — a nova frase diz exatamente o mesmo que a original? A banca mistura as duas coisas, mas a pegadinha está na segunda: a reescrita é gramaticalmente correta, mas muda o sentido.
No 2º parágrafo, o autor defende que a clareza, a correção e a precisão são indispensáveis para a segurança jurídica e a transparência. A frase em questão é a conclusão desse raciocínio: o domínio da língua portuguesa não é apenas uma formalidade — ele é ferramenta essencial de trabalho. A estrutura "não se restringe a X, mas configura Y" estabelece uma oposição (mas) entre duas ideias: (1) não é só X; (2) é também Y. A reescrita elimina essa oposição e afirma apenas Y.
Compare as duas estruturas:
Original | Reescrita |
|---|---|
"não se restringe a uma exigência formal, mas configura instrumento essencial" | "configura-se como instrumento essencial" |
Negação + oposição (não só... mas também) | Afirmação simples (é) |
A reescrita perde a negação ("não se restringe") e perde a oposição ("mas"). No original, o autor diz que o domínio da língua não é apenas uma exigência formal — ele é também instrumento essencial. Na reescrita, diz-se apenas que ele é instrumento essencial. Isso restringe o sentido: a ideia de que ele vai além da formalidade desaparece.
Além disso, a reescrita usa a voz reflexiva "configura-se como", que é gramaticalmente correta, mas não equivale à construção original. O verbo "configurar" na voz reflexiva significa "apresentar-se como", o que é diferente de "configurar" na voz ativa com objeto direto ("configura instrumento"). A mudança de voz altera sutilmente o sentido.
A alternativa C afirma que a reescrita preserva sentido e correção. Isso é falso porque, embora a reescrita seja gramaticalmente correta, ela não preserva o sentido do original. A reescrita elimina a negação e a oposição, restringindo o alcance da afirmação. Portanto, a alternativa C está incorreta.
A alternativa E afirma que a reescrita não preserva sentido e correção. Isso é verdadeiro porque a reescrita altera o sentido ao suprimir a ideia de que o domínio da língua portuguesa não se restringe a uma exigência formal. A reescrita é gramaticalmente correta, mas não é uma paráfrase fiel do original. Portanto, a alternativa E está correta.
A banca tenta fazer você acreditar que a reescrita é equivalente, mas a troca de "não se restringe a X, mas configura Y" por "configura-se como Y" elimina a negação e a oposição, restringindo o sentido. Desconfie de reescritas que simplificam a estrutura original.
Ao julgar reescritas, pergunte: "o que foi suprimido?" Se a reescrita remove uma negação, uma oposição ou uma ressalva, o sentido mudou. A correção gramatical não basta — é preciso preservar o sentido.
Conclusão: a reescrita é gramaticalmente correta, mas não preserva o sentido do original, pois elimina a ideia de que o domínio da língua portuguesa não se limita a uma exigência formal. Portanto, o item está errado.
Gabarito: letra E
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