Questão de História e Geografia de Estados e Municípios — História e Geografia do Estado do Ceará — UECE-CEV 2026
História e Geografia de Estados e MunicípiosHistória e Geografia do Estado do Ceará
- Código
- qg763184
- Banca
- UECE-CEV
- Órgão
- Prefeitura de Crato - CE
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de História
A imagem e a noticia publicada em 23 de agosto de 1983, na capa do Jornal do Brasil sobre famílias de Apuiarés que recorreram ao consumo de calangos durante a seca de 1979, 1983 e 1984, faz remeter ao processo histórico de estiagens enfrentado pelo estado entre os anos de 1877-1879, 1915, 1932, e até mesmo a intensa seca de 2012 a 2017, considerada a mais severa desde o principio da década de 1980. Além de denunciarem a fome como consequência da longa estiagem no semiárido cearense, revelam a atuação insuficiente das instituições e dos poderes reunidos no interior profundo do país, onde a ausência de politicas estruturantes de ciência e tecnologia agravou a vulnerabilidade social. A BNCC orienta que docentes de Hist6ria trabalhem criticamente a relação entre natureza e sociedade, problematizando impactos ambientais sobre modos de vida (EFO6GEO5; EFO7HI09), analisando disputas de poder e ações do Estado em contextos regionais (EFO8HI14; EF09HI06), e discutindo desigualdades socioeconômicas e formas de resistência e permanência no território (EM13CHS103; EM13CHS201). Entretanto, experiências históricas do próprio Ceará demonstram que governanças estaduais e locais que articularam programas de inovação agrícola, agudes, tecnologia hídrica e iniciativas de permanência da população no campo conseguiram mitigar efeitos da estiagem e fortalecer a autonomia rural, a exemplo das politicas de infraestrutura hídrica e difusão técnica promovidas posteriormente pelo estado ao longo do século XX. No ensino superior, ao formar professores para atuar na educação básica do Crato, é fundamental superar abordagens meramente descritivas ou vitimistas da seca, enfatizando estratégias históricas de superação, agência camponesa e politicas publicas afirmativas que garantiram a permanência do agricultor na terra.Observe a imagem abaixo extraída da capa da edição do Jornal do Brasil, do dia 23 de agosto de 1983, em que no titulo e no texto é possível ler a seguinte chamada:
Cearenses comem lagarto para não morrer de fomeFamílias de Apuiarés - a 115 quilômetros de Fortaleza - estão comendo calangos (lagartos) para não morrer de fome, constatou, ontem, o correspondente Egídio Serpa. A seca destruiu tudo e não há o que comer. O programa oficial Bolsões da Seca teve de pagar, às pressas, quatro meses de salários atrasados, para impedir que flagelados invadissem mercearias.O Instituto de Planejamento do Ceará, órgão do atestado, advertiu que a população rural está à beira de extinção. Se cada trabalhador gastar com alimentação o que ganha no programa de emergência — Cr$ 15 mil 300 — só conseguirá ingerir 999 calorias por mês, um terço do ideal: de 2 mil 500 a 3 mil 500.Com base nesse enquadramento, marque a alternativa que apresenta a melhor interpretação histórica e o caminho didático mais coerente com a BNCC e com a formação de docentes de História:
Cearenses comem lagarto para não morrer de fomeFamílias de Apuiarés - a 115 quilômetros de Fortaleza - estão comendo calangos (lagartos) para não morrer de fome, constatou, ontem, o correspondente Egídio Serpa. A seca destruiu tudo e não há o que comer. O programa oficial Bolsões da Seca teve de pagar, às pressas, quatro meses de salários atrasados, para impedir que flagelados invadissem mercearias.O Instituto de Planejamento do Ceará, órgão do atestado, advertiu que a população rural está à beira de extinção. Se cada trabalhador gastar com alimentação o que ganha no programa de emergência — Cr$ 15 mil 300 — só conseguirá ingerir 999 calorias por mês, um terço do ideal: de 2 mil 500 a 3 mil 500.Com base nesse enquadramento, marque a alternativa que apresenta a melhor interpretação histórica e o caminho didático mais coerente com a BNCC e com a formação de docentes de História:- AA seca no Ceará deve ser ensinada como fenômeno exclusivamente climático, destacando a incapacidade histórica do Estado em intervir no interior e enfatizando a inevitabilidade da fome como destino regional.
- BA indústria da seca expressa um modelo de gestão eficiente do Estado republicano, no qual programas emergenciais como Bolsões da Seca garantiram segurança alimentar plena e autonomia política aos agricultores.
- CA seca no Ceará precisa ser ensinada a partir do protagonismo de capitalistas estrangeiros que introduziram tecnologia hídrica privada no interior, eliminando as oligarquias rurais e substituindo o Estado em sua totalidade.
- DO coronelismo no interior do Ceará surgiu como resultado do fortalecimento da burocracia estatal e da industrialização urbana, processos que garantiram a distribuição equilibrada de calorias na população rural durante a seca de 1932.
- EO consumo de lagartos em Apuiarés revela a agência adaptativa camponesa diante do colapso produtivo causado pela estiagem, mas a superação histórica da seca no Ceará decorreu sobretudo de governanças que articularam infraestrutura hídrica, ciência, tecnologia agrícola e políticas públicas voltadas à permanência no território, permitindo abordagens didáticas que enfatizem estratégias de enfrentamento, inovação social e ação do Estado em perspectiva crítica e afirmativa.