Questão de Geografia — Agropecuária — UPENET/IAUPE 2026
GeografiaAgropecuária
- Código
- qg766273
- Banca
- UPENET/IAUPE
- Órgão
- Prefeitura de Petrolina - PE
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Anos Finais do Ensino Fundamental - Geografia
Leia os textos de apoio.Texto 1Contudo, mais destrutiva do que essa ação direta da cana sobre o solo é a sua ação indireta, através do sistema de exploração da terra que a economia açucareira impõe: exploração monocultora e latifundiária. [...] Hoje se sabe que a perda da fertilidade é um fator importante no mecanismo de erosão, e a cana esgota rapidamente a fertilidade dos solos, alterando sua estrutura.CASTRO, Josué. Geografia da Fome – o dilema brasileiro: pão ou aço. Rio de Janeiro: 1984. (Adaptado)Texto 2De acordo com o Atlas do Espaço Rural Brasileiro (IBGE), os estabelecimentos com menos de 50 hectares representam 81,4% do total de propriedades, mas ocupam apenas 12,8% da área total. Em contrapartida, grandes latifúndios (acima de 2.500 hectares) representam apenas 0,3% do total de propriedades, mas açambarcam 32,8% da área produtiva do país, sendo a pequena e média propriedade (até 500 ha) a principal responsável pelo abastecimento do mercado interno com produtos de subsistência (arroz, feijão e mandioca).IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Atlas do espaço rural brasileiro. Rio de Janeiro: 2020.A análise comparativa entre a denúncia histórica de Josué de Castro e os dados estatísticos recentes do IBGE permite identificar uma permanência estrutural na organização do espaço agrário brasileiro.Sob a perspectiva da análise multiescalar e socioespacial, é CORRETO afirmar que a manutenção da "Geografia da Fome" no Brasil contemporâneo se explica porque
- Aa contradição entre a hegemonia territorial do latifúndio e a eficácia social da pequena propriedade revela que a fome permanece como um subproduto da especialização regional voltada ao mercado externo, a qual submete o uso da terra à lógica do valor de troca em detrimento do valor de uso alimentar.
- Ba modernização conservadora do campo eliminou os impactos ambientais da monocultura citados por Castro, transformando o latifúndio na base da segurança alimentar nacional através da produção tecnológica de commodities que barateiam a cesta básica.
- Ca concentração fundiária, embora elevada, é compensada pelo fato de que a maioria absoluta dos estabelecimentos (81,4%) detém a maior parte das terras produtivas (32,8%), garantindo que a escala de produção de subsistência supere a escala de exportação.
- Do esgotamento dos solos e a erosão previstos por Josué de Castro foram revertidos pela Revolução Verde, o que desarticulou a relação entre estrutura agrária e fome, tornando esta última um problema puramente logístico e de transporte urbano.
- Ea estrutura social do campo brasileiro foi pacificada pela função social da propriedade, de modo que o domínio dos grandes estabelecimentos sobre um terço do território nacional (32,8%) visa, primordialmente, à proteção das matas ciliares e ao equilíbrio ecológico do entorno das pequenas propriedades.