Questão de Conhecimentos Gerais — Conhecimentos Gerais de Educação nas Questões Sociais — COMPERVE - UFRN 2002
Conhecimentos GeraisConhecimentos Gerais de Educação nas Questões Sociais
- Código
- qg772253
- Banca
- COMPERVE - UFRN
- Órgão
- Prefeitura de Natal - RN
- Ano
- 2002
- Nível
- Superior
Policarpo Potiguar: professor de HistóriaO professor Policarpo Potiguar é licenciado em História. Durante a Licenciatura, Policarpo pôde compreender que o exercício da docência requer uma aliança entre o conhecimento historiográfico e o conhecimento sobre a educação. Nesse sentido, seus professores procuraram mostrar-lhe que, para ser professor de História na escola básica, seria necessário não apenas conhecer fatos históricos, mas pensar o modo como esses fatos são produzidos, como as interpretações da história são construídas e como o ato de transmitir a história não pode ser isolado do ato de produzir o conhecimento, levando em conta as dimensões intelectuais, sociais e políticas do saber.Policarpo é conhecedor das diferentes correntes historiográficas e das novas propostas curriculares para o ensino de História. Atualmente trabalha na Escola Municipal Sol da Vida, que atende a 620 alunos dos quatro ciclos do Ensino Fundamental. A disciplina História, de 5ª a 8ª séries, é ministrada por três professores: o próprio Policarpo, Maria e Antônio.O professor Policarpo apóia sua prática docente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). É a partir desse documento curricular que ele estabelece os objetivos, seleciona os conteúdos e pensa nos procedimentos de ensino que deve adotar na disciplina.Mesmo se empenhando para realizar uma prática coerente com as novas tendências historiográficas e com as novas diretrizes curriculares, o professor Policarpo descobriu que ensinar é um desafio permanente. Ele freqüentemente põe em dúvida suas ações e, muitas vezes, depois de refletir e avaliar seu trabalho, percebe incoerências entre a maneira como concebeu ou conduziu suas atividades e os princípios teóricos que o orientaram.A questão a seguir gira em torno do universo de atuação dos professores Policarpo, Maria e Antônio.O professor Policarpo, pesquisando material para produzir um texto sobre a Independência do Brasil, procurou diferentes interpretações para esse acontecimento a partir de duas fontes básicas: um livro didático e um livro dedicado à ascensão do patriarcado urbano e à decadência do rural.No livro didático, ele percebeu que a Independência marcava a passagem da Colônia para o Império. Já no livro sobre o patriarcado urbano, ele detectou que o autor analisou a vida cotidiana e a mentalidade no Brasil na transição do século XVIII para o século XIX, sem enfatizar o acontecimento de 7 de setembro de 1822.A partir dessas duas interpretações a respeito da Independência e tomando por base a discussão apresentada na obra Domínios da História (Cardoso, 1997), Policarpo formulou a seguinte reflexão:
- Ao livro didático estabelece uma periodização que pressupõe a Independência como um divisor da história, e o livro sobre o patriarcado procura apresentar particularidades dos homens comuns, sem preocupação com os marcos divisores.
- Bno livro didático, a Independência é apresentada como um recurso para estabelecer delimitações; e, no livro sobre o patriarcado, as marcações cronológicas são abandonadas, uma vez que as mudanças nas mentalidades são muito difusas.
- Cno livro didático, é apresentada uma periodização decorrente da influência dos autores ligados à História Nova, que se ocupam com as estruturas de longa duração; e, no livro sobre o patriarcado, está expressa uma historiografia que desvaloriza as datas.
- Do livro didático expressa a Independência como o determinante cronológico das mudanças do país, e o livro sobre o patriarcado, por dedicar-se a temas de difícil acesso ao historiador, evitou enquadrar o acontecimento em fases ou períodos.