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Questão de Português — Interpretação de Textos — CETRO 2012

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg860627
Banca
CETRO
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2012
Nível
Superior
Leia o texto abaixo responder à questãoVi um anúncio de emprego. A vaga era de Gestor de Atendimento Interno, nome que agora se dá à Seção de Serviços Gerais. E a empresa exigia que os interessados possuíssem – sem contar a formação superior – liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e não bastasse tudo isso, ainda fossem hands on. Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possuía essa variada gama de habilidades, o salário era um assombro: 800 reais. Ou seja, um pitico.Não que esse fosse algum exemplo fora da realidade. Ao contrário, é quase o paradigma dos anúncios de emprego. A abundância de candidatos permite que as empresas levantem cada vez mais a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da superqualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico…Vamos supor que, após uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno… E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, Gerente da Contabilidade.Seu Borges: – Fabiana, eu quero três cópias deste relatório.Fabiana: – In a hurry!Seu Borges: – Saúde.Fabiana: – Não, Seu Borges, isso quer dizer “bem rapidinho”. É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português?Seu Borges: – E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?Fabiana: – O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática.Seu Borges: – Não, não... Cópias normais mesmo.Fabiana: – Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando a eliminar 30% das cópias que tiramos.Seu Borges: – Fabiana, desse jeito não vai dar!Fabiana: – E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.Seu Borges: – Como assim?Fabiana: – É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E considero isso um desperdício do meu potencial energético.Seu Borges: – Olha, neste momento, eu só preciso das três cópias.Fabiana: – Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro…Seu Borges: – Futuro? Que futuro?Fabiana: – É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada.Seu Borges: – Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada!Fabiana: – Sei. Mas o senhor é hands on?Seu Borges: – Hã?Fabiana: – Hands on… Mão na massa.Seu Borges: – Claro que sou!Fabiana: – Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções:Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas. E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas.Alguém ponderará – com justa razão – que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente superqualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado confundiria nossa salinha do café com a Fundação Alfred Nobel.Pessoas superqualificadas não resolvem simples problemas! Um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas e no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha informática e energia e criatividade e estava fazendo pós-graduação… só que não sabia nem abrir o capô. Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava “nóis vai” e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida.Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz: o que é capaz de resolver, mas não de impressionar.Max Gehringer – Revista Exame.De acordo com o texto, é correto afirmar que o motorista da van representa o profissional
  1. Anão valorizado pelas empresas e que é excluído de seleções devido à incompatibilidade de perfis.
  2. Bque, devido à inferioridade de qualificação, não pode ser admitido.
  3. Cdefasado, que não poderá agregar valor à empresa.
  4. Dque poderá trazer prejuízos à empresa, já que será necessário investimento em treinamento para capacitá-lo ao trabalho.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — não valorizado pelas empresas e que é excluído de seleções devido à incompatibilidade de perfis.

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