Questão de Português — Interpretação de Textos — FADESP 2012
PortuguêsInterpretação de Textos
- Código
- qg868708
- Banca
- FADESP
- Órgão
- Prefeitura de Novo Progresso - PA
- Ano
- 2012
- Nível
- Superior
Crer que há um modo prestigioso de falar a própria língua implica, quando alguém pensa não possuir esse modo de falar, tentar adquiri-lo. Bom exemplo disso é a peça de teatro de Bernard Shaw, Pigmalião (filmada com o título de My Fair Lady). Vemos ali uma jovem florista, Eliza Doolittle, procurar um professor de fonética, Henri Higgins para adquirir o modo prestigioso de falar inglês. Mas suas motivações não são linguísticas, são sociais. “Quero ser uma lady numa loja de flores, e não vender na esquina de Tottenham Court Road”. A história tem, como se sabe, um final feliz, mas Shaw transcreveu perfeitamente os sentimentos linguísticos dos britânicos em relação a uma pronúncia fortemente desvalorizada, a dos cockneys (variedade linguística característica das classes sociais da periferia de Londres) [...] Ora, esse movimento com tendência à norma pode gerar uma restituição exagerada das formas prestigiosas: a hipercorreção. [...] Essa hipercorreção é testemunho de insegurança linguística. É por considerar o próprio modo de falar pouco prestigioso que a pessoa tenta imitar, de modo exagerado, as formas prestigiosas. E esse comportamento pode gerar outros que vêm se acrescentar a ele: a hipercorreção pode ser percebida como ridícula por aqueles que dominam a forma “legítima” e que, em contrapartida, vão julgar de modo desvalorizador os que tentam imitar uma pronúncia valorizada. CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística: uma introdução crítica. São Paulo: Parábola, 2002, p. 77-79.Com base nas ideias de Louis-Jean Calvet e na teoria da variação linguística, pode-se afirmar que o(a)
- Aprestígio atribuído à norma culta fundamenta-se em motivações de ordem puramente linguística.
- Bhipercorreção, testemunho de insegurança linguística, é uma atitude importante e necessária para que os falantes adquiram a pronúncia valorizada.
- Ctensão entre “pronúncia valorizada” e “pronúncia fortemente desvalorizada” é aparentemente linguística; na verdade, trata-se de uma oposição que tem uma motivação social.
- Dvariedade da língua que deve ser socialmente aceita é a padrão; por seguir os princípios da gramática normativa, é a variedade mais adequada aos propósitos comunicativos dos falantes.