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Questão de Português — Crase — FAUEL 2015

PortuguêsCrase
Código
qq117257
Banca
FAUEL
Órgão
Prefeitura de Tijucas - SC
Ano
2015
Nível
Superior
CEMITÉRIO DE ELEFANTESÀ margem do rio, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. A população considera-os animais sagrados, ________ às suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentam-se com as sobras do mercado.Quando ronca a barriga, ao ponto de perturbar a sesta, saem do abrigo e, arrastando os pesados pés, atiram-se à luta pela vida. Enterram-se no mangue até os joelhos na caça ao caranguejo ou, tromba vermelha no ar, espiam a queda dos ingás maduros.Elefantes malferidos coçam as perebas, sem nenhuma queixa, escarrapachados .............. raízes que servem de cama e cadeira. Bebem e beliscam pedacinho de peixe. Cada um tem o seu lugar, gentilmente avisam:– Não use a raiz do Pedro.– Foi embora, sentiu que ia se apagar e caiu fora. Eu gritei: Vai na frente, Pedro, deixa a porta aberta.à flor do lodo borbulha o mangue – os passos de um gigante perdido? João dispõe no braseiro o peixe embrulhado em folha de bananeira.– O Cai N’água trouxe as minhocas?– Sabia não?– Agora mesmo ele...– Entregou a lata e disse: Jonas, vai dar pescadinha da boa.Chega de outras margens um elefante moribundo.– Amigo, venha com a gente.Uma raiz no ingazeiro, o rabo de peixe, a caneca de pinga.No silêncio o bzzz dos pernilongos ________ o posto de cada um, assombrados com o mistério da noite, o farol piscando ..... alto do morro.Distrai-se um deles a enterrar o dedo no tornozelo inchado. Puxando os pés de paquiderme, afasta-se entre adeuses em voz baixa – ninguém perturbe os dorminhocos. Esses, quando acordam, não perguntam aonde foi o ausente. E, se indagassem, para levar-lhe margaridas do banhado, quem saberia responder? A você o caminho se revela na hora da morte.A viração da tarde assanha as varejeiras grudadas ..... seus pés disformes. Nas folhas do ingazeiro reluzem lambaris prateados – ao eco da queda dos frutos os bêbados erguem-se com dificuldade e os disputam rolando no pó. O vencedor descasca o ingá, chupa de olho guloso a fava adocicada. Jamais correu sangue no cemitério, a faquinha na cinta é para _________ peixe. E, os brigões, incapazes de se moverem, basta xingarem-se à distância.Eles que suportam o delírio, a peste, o fel na língua, o mormaço, as câimbras de sangue, berram de ódio contra os pardais, que se aninham entre as folhas e, antes de dormir, lhes cospem na cabeça – o seu pipiar irrequieto envenena a modorra.Da margem contemplam os pescadores mergulhando os remos.– Um peixinho aí, compadre?O pescador atira o peixe desprezado no fundo da canoa.– Por que você bebe, Papa-Isca?– Maldição de mãe, uai.– O Chico não quer peixe?– Tadinho, a barriga-d’água.Sem pressa, aparta-se dos companheiros cochilando à margem, esquecidos de enfiar a minhoca no anzol.Cuspindo na água o caroço preto do ingá, os outros não o interrogam: as presas de marfim que indicam o caminho são garrafas vazias. Chico perde-se no cemitério sagrado, as carcaças de pés grotescos surgindo ao luar.TREVISAN, Dalton. Cemitério de elefantes. In: Primeiro livro de contos. 1. ed. Rio de Janeiro, Record, s. d., p. 28-31.Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas de linhas pontilhadas no texto:
  1. Aem - do - sobre.
  2. Bsobre as - no - nos.
  3. Cnas - ao - em.
  4. Dàs - do - a.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sobre as - no - nos.

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