Questão de Economia — Desenvolvimento e Crescimento Econômico — FRAMINAS 2015
Economia›Desenvolvimento e Crescimento Econômico
Código
qq118730
Banca
FRAMINAS
Órgão
Prefeitura de Belo Horizonte - MG
Ano
2015
Nível
Superior
Cargo
Analista de Políticas Públicas - Ciências Econômicas
De acordo com a Teoria do Crescimento Endógeno, popularizada por Romer (1986), o conhecimento aparece como um fator de produção, como o capital físico, o capital humano e o trabalho.Assinale a alternativa que confirma elementos dessa teoria.
AMaiores conhecimentos elevam as produtividades do capital e do trabalho. Esse fenômeno pode ser observado mesmo em regiões ou países com desigual nível inicial de renda per capita e conhecimento técnico já que ocorrerá uma mobilidade espacial desses fatores.
BO conhecimento não pode ser perfeitamente patenteado e, por isso, os gastos das empresas em pesquisa e desenvolvimento podem apresentar um produto marginal decrescente.
CA importação de tecnologia deve ser utilizada pelo países não inovadores desde que possam adaptá-la e transformá-la em conhecimento próprio.
DPaíses ou regiões com menor estoque de capital, mas com maior produtividade marginal desse fator, crescem a taxas mais altas do que as regiões e países ricos, devido à hipótese da convergência da renda per capita.
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GabaritoC — A importação de tecnologia deve ser utilizada pelo países não inovadores desde que possam adaptá-la e transformá-la em conhecimento próprio.
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Teoria do Crescimento Endógeno (Romer, 1986)
A questão testa a compreensão dos fundamentos da Teoria do Crescimento Endógeno, que se diferencia da teoria neoclássica (Solow) ao tratar o conhecimento como um fator de produção endógeno, com rendimentos crescentes e possibilidade de não-convergência absoluta. O conhecimento é não rival e parcialmente não excludente, gerando externalidades positivas.
Aspecto
Teoria do Crescimento Endógeno (Romer, 1986)
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C
Alternativa D
Conhecimento como fator de produção
Endógeno, não rival, parcialmente não excludente, rendimentos crescentes
✅ Eleva produtividades
✅ Não perfeitamente patenteável
✅ Pode ser importado e adaptado
❌ Não aborda
Convergência de renda
Condicional ou não ocorre (rendimentos crescentes perpetuam diferenças)
❌ Afirma convergência absoluta automática
—
—
❌ Hipótese neoclássica de convergência
Produto marginal do conhecimento
Crescente (externalidades e não rivalidade)
—
❌ Afirma decrescente
—
—
Mecanismo de crescimento
Inovação, P&D, externalidades do conhecimento
❌ Mistura com mobilidade neoclássica
❌ Contradiz rendimentos crescentes
✅ Adaptação e absorção tecnológica
❌ Convergência neoclássica
Resultado
❌ Incorreta
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que "maiores conhecimentos elevam as produtividades do capital e do trabalho" é verdadeira na teoria endógena. No entanto, a parte final — "mesmo em regiões ou países com desigual nível inicial de renda per capita e conhecimento técnico já que ocorrerá uma mobilidade espacial desses fatores" — remete à hipótese de convergência absoluta da teoria neoclássica, que não é um resultado automático no modelo de Romer. No crescimento endógeno, a convergência pode ser condicional ou até mesmo não ocorrer, pois o conhecimento pode gerar rendimentos crescentes que perpetuam as diferenças. Portanto, a alternativa mistura conceitos de forma incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que "o conhecimento não pode ser perfeitamente patenteado" está correta (conhecimento é parcialmente não excludente). No entanto, a consequência apontada — "gastos em pesquisa e desenvolvimento podem apresentar um produto marginal decrescente" — contraria a essência da teoria endógena. No modelo de Romer, o conhecimento gera rendimentos crescentes (não decrescentes) devido às externalidades e à não rivalidade. O produto marginal do conhecimento é crescente, o que justifica o crescimento endógeno. O erro está em afirmar que o produto marginal é decrescente.
Alternativa C — ✅ Correta
A importação de tecnologia é um mecanismo importante para países não inovadores no contexto do crescimento endógeno. A teoria reconhece que o conhecimento pode ser transferido e adaptado, gerando aumento de produtividade e crescimento. A frase "desde que possam adaptá-la e transformá-la em conhecimento próprio" capta a ideia de que a mera importação não basta; é necessário que o país desenvolva capacidade de absorção e inovação própria para que o conhecimento se torne endógeno. Isso está alinhado com a literatura de catch-up tecnológico e com os modelos de crescimento endógeno que enfatizam o papel do capital humano e da P&D.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa descreve a hipótese de convergência absoluta da teoria neoclássica (Solow): países com menor estoque de capital têm maior produtividade marginal do capital e, portanto, crescem mais rápido, convergindo para o mesmo estado estacionário. Na Teoria do Crescimento Endógeno, não há garantia de convergência, pois os rendimentos crescentes do conhecimento podem fazer com que países ricos continuem crescendo mais. A convergência, quando ocorre, é condicional (depende de características como educação, instituições, etc.), e não automática como descrito.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as teorias, lembre-se: na neoclássica (Solow), o progresso técnico é exógeno e há rendimentos decrescentes do capital, gerando convergência absoluta. Na endógena (Romer), o conhecimento é endógeno, com rendimentos crescentes, e a convergência não é automática — depende de fatores como investimento em P&D e capital humano.