Questão de Museologia — Conceitos Fundamentais — FUNRIO 2015
MuseologiaConceitos Fundamentais
- Código
- qq125153
- Banca
- FUNRIO
- Órgão
- UFRB
- Ano
- 2015
- Nível
- Superior
- Cargo
- Museólogo
Em 1984, o Terreiro Casa Branca, localizado na cidade de Salvador, seria o primeiro terreiro de candomblé a receber oficialmente o reconhecimento como um elemento crucial na preservação da identidade religiosa de determinados segmentos sociais ligados à matriz cultural africana no Brasil. Neste momento, ainda que alguns antropólogos defendessem enfaticamente o seu tombamento por representar um exemplo da “pureza" da tradição Nagô, alguns arquitetos não viam razões estéticas que justificassem o tombamento do prédio como monumento nacional. Tratou-se de um processo complexo de negociações até que o terreiro fosse efetivamente tombado pelo SPHAN. Como relata o antropólogo José Reginaldo Gonçalves:“Depois de uma tensa reunião do Conselho Consultivo do SPHAN, em Salvador, na tarde de 30 de maio de 1984, o Terreiro Casa Branca foi oficialmente tombado como monumento nacional. Nada similar havia ocorrido até então na história do patrimônio cultural no Brasil, e o caso tornou-se o foco de um intenso debate entre defensores e adversários daquela decisão .Estes últimos questionavam como seria possível o “tombamento" de um espaço que abrigava algo vivo e em permanente mudança, um culto religioso popular com seus diversos rituais. O tombamento de um prédio, uma ruína, ou um objeto pressupõe sua permanência e imutabilidade. Mas como, perguntavam, poderia um terreiro de candomblé ser mantido de forma inalterada?"(GONÇALVES, José Reginaldo Santos. A retórica da perda. Os discursos do patrimônio cultural no Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ; Ministério da Cultura / IPHAN, 2002. p.76-77.)Sobre o debate descrito por Golçalves no trecho acima citado, podemos afirmar que ele refletia
- Aa disputa entre uma visão conservadora e elitista do patrimônio cultural brasileiro e uma visão “populista" da cultura.
- Ba problemática envolvendo a noção de “tombamento", que até o final do século XX era definida por uma perspectiva marcadamente conservadora sobre o patrimônio.
- Co surgimento do discurso sobre a reapropriação do patrimônio cultural pelas comunidades locais, em nome da “nação", que mais tarde se desdobraria nas políticas do patrimônio imaterial.
- Da disputa entre, de um lado, os arquitetos e críticos de arte, e, de outro, antropólogos e historiadores por uma visão disciplinar hegemônica sobre o patrimônio.
- Ea política contraditória do SPHAN, que enfatizava, por um lado, a “tradição" e a “civilização" e por outro a defesa da cultura popular.