Questão de Pedagogia — Temas Educacionais Pedagógicos — FUMARC 2016
PedagogiaTemas Educacionais Pedagógicos
- Código
- qq179393
- Banca
- FUMARC
- Órgão
- Prefeitura de Ipuã - SP
- Ano
- 2016
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Português
No livro “Gramática Ensino Plural”, Luiz Carlos Travaglia apresenta diferentes concepções gramaticais, a partir de distintas concepções de língua, e as implicações destas para o ensino produtivo de língua materna. Atente para o excerto a seguir:Para que ensinar teoria gramaticalDiante do grande conjunto de saberes obtidos pela ciência linguística nos últimos séculos, resta delimitar o que e quanto ensinar. Uma proposta de “currículo mínimo” envolveria aspectos como: a) unidades linguísticas fundamentais em cada plano (fonológico, morfológico, sintático, semântico) e nível (lexical, frasal, textual); b) flexões e categorias que expressam; c) as diferentes categorias gramaticais (gênero, número, pessoa, tempo, etc.); d) construções sintáticas; e) processos de formação de palavras e elementos constitutivos das palavras; f) funcionamento de todos estes recursos da língua em textos, para permitir a comunicação, incluindo noções básicas de textualidade, pragmática e argumentatividade; g) conhecimento da existência e abrangência de variedades linguísticas; h) discussão das normas de uso dessas variedades linguísticas, confrontando-as com a norma culta, prestigiada, tentando eliminar o preconceito que sempre foi inculcado em relação a elas.(TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática Ensino Plural. São Paulo: Cortez, 2003. Cap. 5).Com base na argumentação de Travaglia na obra em foco (que se coaduna à voz de autores como Irandé Antunes, José Carlos Azeredo, Marcos Bagno, entre outros), é CORRETO afirmar:
- AAo propor um “currículo mínimo” (e o explicitar com diversas atividades ao longo da sua obra), Travaglia defende que, uma vez que as pessoas de extratos socioeconômicos desfavorecidos têm menos estimulação linguística em casa e provavelmente não ocuparão postos de trabalho que exijam uso de uma língua mais formal, não se deve cobrar delas o ensino da norma padrão, mas dar-lhes condições básicas de leitura e letramento.
- BTravaglia defende que a abordagem de tópicos gramaticais que constam do currículo escolar da educação básica se dê por meio de estudos e atividades pedagógicas em que se considere o acervo de saberes da ciência linguística, e em que se contraponham as normas prescritas na gramática normativa e as normas de usos reais (aplicadas na publicidade, nos textos jornalísticos e informativos, etc.). Isso, para o autor, atende aos requisitos de um ensino linguístico que propicie ao educando uma visão mais crítica, por ser feito de forma menos dogmática.
- CTravaglia defende um ensino que ignore o que se encontra estabelecido em compêndios gramaticais e em dicionários, considerando-se que, atualmente, tais suportes ficam obsoletos com grande rapidez. Embora mencione o reconhecimento da existência e abrangência das variedades linguísticas, é firme no sentido de que somente a norma padrão em uso (presente nas gramáticas descritivas) deva ser fruto das discussões em sala de aula.
- DTravaglia demonstra ser partidário de se ensinar teoria gramatical (formalismo), de maneira similar ao que consta nas gramáticas normativas, inclusive deixa isso bem claro ao elencar os tópicos a serem observados pelo(a) professor(a) de língua materna: a priorização do ensino de classes gramaticais e estruturas sintáticas possíveis dentro da língua.