Leia os períodos a seguir.[...] A escola eclética denominada técnico-jurídica, por sua vez, baseou-se na hipertrofia dogmática, sem grande conteúdo. Enfim, conclui, "o Direito Penal deve estudar o criminoso como espírito e matéria, como pessoa humana, em face dos princípios éticos a que está sujeito e das regras jurídicas que imperam na vida social, e também ante as leis do mundo natural que lhe afetam a parte contingente e material" (Tratado de direito penal, v. I, p. 110-111). [...][...] Não necessita ser considerado à parte, como princípio autônomo, pois lhe falece força e intensidade para desvincular-se do principal, nem existem requisitos próprios que o afastem da ideia fundamental de utilizar a norma penal incriminadora como última cartada para solucionar ou compor conflitos emergentes em sociedade. [...][...] O nome que se lhe dê não tem significação, porque não é possível destruir todo o sistema de garantias trabalhado pelo Direito, na sua longa história de lutas pela liberdade humana, só com uma e outra denominações dadas a uma categoria de penas. [...][...] O médico especialista que cortou-lhe um nervo, por descuido, mas tinha condições técnicas de realizar a cirurgia recebe uma pena aumentada em um terço, enquanto o outro médico aventureiro e inexperiente, porque não habilitado para proceder à intervenção cirúrgica no coração, recebe a pena do homicídio culposo sem qualquer aumento. [...]NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado: estudo integrado com processo e execução penal: apresentação esquemáfíca da matéria: jurisprudência atualizada / Guilherme de Souza Nucci. -1 4 . ed. rev., atual, e ampl. - Rio de Janeiro: Forense, 2014. (Adaptado).Assinale a alternativa que apresenta corretamente as funções sintáticas da palavra "lhe", respeitando-se a ordem em que elas ocorrem nos períodos.
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Funções sintáticas do "lhe" no texto
Gabarito: letra A. A sequência correta é: objeto indireto – complemento nominal – objeto indireto – objeto indireto. A banca considera que a segunda ocorrência do "lhe" exerce função de complemento nominal, e não de objeto indireto. Vejamos a análise de cada período.
1ª ocorrência — ✅ Objeto indireto
"...as leis do mundo natural que lhe afetam a parte contingente e material"
O verbo afetar é transitivo direto e indireto: "afetar algo a alguém". O termo "lhe" equivale a ao criminoso e completa o verbo como objeto indireto. A classificação está correta.
2ª ocorrência — ❌ Complemento nominal (segundo o gabarito oficial)
"...pois lhe falece força e intensidade para desvincular-se do principal"
Embora falece seja verbo (VTI), a banca entende que, nesse contexto, "lhe" funciona como complemento nominal. A explicação mais aceita é que a forma falece pode ser interpretada como substantivo (sinônimo de falta), e o pronome completa o sentido desse nome. Essa classificação, embora divergente da análise sintática tradicional, é a adotada pela banca. As demais alternativas não trazem essa combinação.
3ª ocorrência — ✅ Objeto indireto
"O nome que se lhe dê não tem significação"
Verbo dar (VTDI): "dar algo a alguém". O "lhe" equivale a a ele (ao princípio) e é objeto indireto.
4ª ocorrência — ✅ Objeto indireto
"O médico especialista que cortou-lhe um nervo"
Verbo cortar (VTDI): "cortar algo a alguém". O "lhe" equivale a ao paciente e é objeto indireto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca foge do padrão na segunda ocorrência. O candidato que julga todas como OI (alternativa C) erra, pois o gabarito exige reconhecer a função de complemento nominal nesse ponto.
11ª: OI (afetar a alguém)
22ª: CN (falece = falta)
33ª: OI (dar a alguém)
44ª: OI (cortar a alguém)
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Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
OI – CN – OI – OI: única sequência que coloca complemento nominal na segunda posição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
OI – OI – OI – adjunto adnominal. Erro na quarta: "lhe" não é adjunto adnominal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
OI – OI – OI – OI. Até seduz pela lógica, mas a segunda posição não é OI conforme a banca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
OD – OI – OI – CN. Erro na primeira e na quarta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
OI – OI – OI – CN. Erro na quarta: não é complemento nominal.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.