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Questão de Direito Penal — Causas supralegais de exclusão da antijuridicidade — IBADE 2017

Direito PenalCausas supralegais de exclusão da antijuridicidade
Código
qq271115
Banca
IBADE
Órgão
PC-AC
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia Civil
Acerca do consentimento real do ofendido, é correto afirmar que:
  1. Ao consentimento, para ser válido, pressupõe que o titular do bem jurídico atingido possua capacidade de entendimento quanto ao caráter e à extensão da autorização.
  2. Binvariável e indiscutivelmente, a vida humana é um bem jurídico indisponível, de sorte que não pode ser objeto de consentimento para sua extinção.
  3. Cse uma pessoa autoriza que médico aplique determinado medicamento em seu corpo, suportando efeitos severamente prejudiciais à saúde inerentes ao uso da substância, os quais desconhecia, o consentimento real se mantém válido, pois é a vítima quem deve buscar todas as informações sobre as consequências de sua autorização.
  4. DDe acordo com a doutrina de Claus Roxin. o consentimento do ofendido exclui a antijuridicidade da conduta praticada, jamais recaindo sobre a esfera da tipicidade.
  5. Eem regra, o consentimento deve ser anterior à ação consentida, mas nada impede seu reconhecimento mesmo quando posterior, como no caso de ausência de representação do ofendido no crime de lesão corporal leve, hipótese em que o crime deixa de existir.
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GabaritoA — o consentimento, para ser válido, pressupõe que o titular do bem jurídico atingido possua capacidade de entendimento quanto ao caráter e à extensão da autorização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consentimento real do ofendido

Gabarito: letra A. O consentimento do ofendido, como causa supralegal de exclusão da antijuridicidade, exige que o titular do bem jurídico tenha capacidade de entender o caráter e a extensão da autorização (requisito de validade). As demais alternativas apresentam erros conceituais, conforme a doutrina majoritária.

A banca testa o conhecimento dos requisitos do consentimento válido e das limitações dos bens jurídicos disponíveis. O material de apoio destaca que o consentimento deve ser válido (capacidade plena), recair sobre bem jurídico próprio e disponível, e ser prévio ou concomitante.

Alternativa

Afirmação sobre o consentimento real do ofendido

Correta?

Motivo

A

O consentimento pressupõe que o titular do bem jurídico possua capacidade de entendimento quanto ao caráter e à extensão da autorização.

✅ Sim

Requisito essencial de validade do consentimento real.

B

A vida humana é invariável e indiscutivelmente indisponível, não podendo ser objeto de consentimento para sua extinção.

❌ Não

A doutrina admite exceções (ex.: riscos em atividades lícitas), tornando a afirmação absoluta imprecisa.

C

Se a vítima autoriza medicamento desconhecendo efeitos severamente prejudiciais, o consentimento se mantém válido, pois ela deve buscar as informações.

❌ Não

O consentimento deve ser informado; o desconhecimento de riscos essenciais vicia a autorização.

D

Segundo Claus Roxin, o consentimento exclui a antijuridicidade, jamais recaindo sobre a tipicidade.

❌ Não

Na doutrina alemã, o consentimento (Einwilligung) exclui a antijuridicidade, mas o Einverständnis pode excluir a tipicidade em certos crimes.

E

Em regra, o consentimento deve ser anterior, mas pode ser posterior, como na ausência de representação na lesão corporal leve.

❌ Não

O consentimento posterior (perdão do ofendido) não retroage para excluir a antijuridicidade no momento da ação; a ação penal depende de representação, mas o crime já existiu.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reproduz corretamente um dos requisitos essenciais: o titular do bem jurídico deve ter capacidade para entender o que está autorizando, sob pena de invalidade do consentimento. Sem essa compreensão, o consentimento não exclui a antijuridicidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a vida é "invariável e indiscutivelmente" indisponível e que, portanto, não pode ser objeto de consentimento para sua extinção. Embora a vida seja, em regra, indisponível, a doutrina admite exceções: o consentimento para riscos de morte em atividades lícitas (esportes, tratamentos médicos arriscados) pode ser relevante para excluir a ilicitude do risco criado, ainda que não autorize a morte direta. O termo "invariável e indiscutivelmente" torna a assertiva imprecisa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O consentimento deve ser informado. Se a pessoa autoriza o médico a aplicar um medicamento, mas desconhece os efeitos severamente prejudiciais, o consentimento é viciado por falta de informação essencial, não sendo válido. Não se pode exigir que a vítima busque por conta própria todas as informações; o consentimento real pressupõe ciência dos riscos relevantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação sobre Claus Roxin é equivocada. Na doutrina alemã, distingue-se entre Einwilligung (consentimento que exclui a antijuridicidade) e Einverständnis (que exclui a tipicidade). Em alguns crimes, a ausência de consentimento é elementar do tipo (ex.: estupro), de modo que o consentimento pode, sim, recair sobre a tipicidade. Portanto, não é correto afirmar que "jamais recai sobre a tipicidade".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O consentimento como causa de exclusão da ilicitude deve ser anterior ou contemporâneo à conduta. Consentimento posterior não regulariza o fato típico e ilícito. O exemplo dado confunde consentimento com representação criminal (condição de procedibilidade). A ausência de representação nos crimes de lesão corporal leve (ação penal pública condicionada à representação) não é causa de exclusão da antijuridicidade, mas sim condição para o exercício da ação penal. O crime continua existindo materialmente, apenas não será processado sem representação.

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